Capítulo 39

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Capítulo XXXIX

Por JunWoo

Veria Dami morrer nos meus braços? Era isso, então?

A pergunta caiu como um peso que eu mal sabia carregar: era injusto, era cruel, aquilo era mais doloroso que qualquer outra coisa! Finalmente eu podia entender como doía! Eu deveria protegê-la, deveria deixa-la em segurança, mas tudo que pude fazer foi vê-la definhar.

Era como ver a cena da minha vida numa tela em minha frente enquanto me recordava dos últimos dias.

...

Lembranças de dias atrás.


Finalmente eu tinha tudo em mãos - a vida que eu reconquistara, os planos prontos para recomeçar. Mas havia algo cutucando minhas certezas, um incômodo latente que rasgava a calmaria como um prego numa lona esticada. Eu sabia reconhecer o gosto da vingança, a euforia de ver alguém ruir, o prazer frio de causar dor; sabia também quando a fome de sangue me invadia. Mas aquilo no peito era outra coisa: uma ardência que queria explodir, infiltrar-se nos poros, invadir a alma de Dami.

Medo de perdê‑la? Saudade antes mesmo de ela partir? Alegria ao vê‑la sorrir, vazio mortal quando ela sumia do meu campo de visão? Meu peito aquecia e o coração pulava quando ela estava perto; gelava e se fechava como uma concha na sua ausência. Passava horas preso às lembranças dos seus gestos, perdia sono pensando no corpo dela, esquecia de comer por querer apenas roubar um beijo.

Aquilo era o que a não ser o que chamam de amor? Então que palavra havia para descrever a convulsão que me tomava? Poderiam ser ciúmes - vê-la se produzindo para um evento do serviço, dizendo que resolveria algo do qual eu não faria parte, me deixou louco - mas aquilo era mais bruto e confuso do que simples possessão.

Eu confesso- vergonhosamente- que fiz uma pesquisa sobre o que sentimos quando estamos amando. Com constrangimento de quem sempre negou o sentimento. Descobri termos médicos e sintomas ridículos - pressão alta, suor, insônia - e sorri, porque meu corpo oferecia tudo isso em generosas doses de dopamina que me faziam tremer.

Naquilo havia uma verdade que eu não queria admitir: eu estava perdido, atordoado, contraditório e, ainda assim, estranhamente inteiro. Dami precisava saber. Eu ia dizer. Não por culpa, nem por estratégia - por eu, pela primeira vez, querer algo que não fosse arrancar ou destruir, mas construir ao lado dela.

 Não por culpa, nem por estratégia - por eu, pela primeira vez, querer algo que não fosse arrancar ou destruir, mas construir ao lado dela

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Eu a pediria em casamento - união, pacto, parceira eterna; chamasse do que chamasse, eu queria ser dela e tê‑la por inteiro. Não podia conceber meus dias sem a sua alma colada à minha, sem seu corpo contra o meu, sem a pessoa que eu me tornava quando estava com Dami. Aquele novo eu já me encantava: mais vivo, mais perigoso e, ao mesmo tempo, mais terno. As sensações que ela despertava em mim superavam o frisson da caça; o desejo direto e bruto puxava‑me com uma força que eu nunca antes havia conhecido.

Cheguei ao evento vestido de cautela, como quem entra num território alheio e aprende a caminhar em silêncio. A vi de longe - uma curva de luz e elegância que cortou a sala - e, por um segundo, o mundo parou: ali estava tudo o que eu queria. Em seguida, porém, a visão que brotou me incendiou. Aquele homem. De novo. Circulando‑a com sorrisos fáceis, como se pudesse reenfiar‑a no seu mundo com a mesma desenvoltura com que engole um copo d'água. A raiva me subiu pela garganta como veneno quente. Não era só ciúme; era uma sensação de roubo, uma ferida que abria e clamava por resposta.

E Dami só podia estar louca!!!

A briga que se seguiu devia ser para destruí‑la - do mesmo jeito que ela, sem querer, me havia despedaçado - mas ver o sangue escorrer e a força dela se esvair na minha frente me desmontou por inteiro. Em vez de vitória, só senti uma urgência boba e avassaladora: pegá‑la nos braços e cuidar até ela respirar de novo. Ela me deixava vulnerável de um jeito que eu nunca permitira; a própria visão do seu sofrimento me tornava fraco. No fim, soube que não podia consertar tudo ali. O que me restou foi o gesto mais cruelmente sensato: afastá‑la, colocá‑la em lugar seguro - mesmo que isso significasse deixá‑la longe de mim por um tempo - até eu descobrir o que precisava resolver.

...

Eu não esperava outra coisa daquela garota - e, no fundo, por que esperaria? Dami continuava me perseguindo com a mesma curiosidade insolente de sempre. Impetuosa, desobediente, ela ria das minhas regras e pisoteava os planos que eu acreditava inquebráveis; cada gesto seu parecia projetado para me deixar em frangalhos. E eu, previsivelmente, caía: fraco, rendido, incapaz de resistir ao caos encantador que ela trazia.

...

Data de publicação: 19/05/2024

Ahhhhhh eu amo meu vilão se perdendo descobrindo o poder do amor!

Vcs não? Me digam estão acompanhando animadinhos?
Nesse capítulo ele narra como se descobriu apaixonado e como confrontou Dami no dia em que ela foi ao evento do serviço e se assanhou para Yoon. Logo em seguida, há aquela DR angustiante em que Jun Woo decide deixar Dami solitária ...

Espero que estejam acompanhando e curtindo esse romance...

Bora para os próximos 2 últimos capítulos???

Um fim para RecomeçarHistórias para pegar e não largar. Descubra agora