CAPÍTULO FINAL
Por Lin Dami
Ser enganada, usada e traída por alguém que se ama é devastador - mas há uma dor ainda mais cruel: saber de tudo. Ver a verdade sem filtros, sem máscaras. E, mesmo assim, escolher ficar.
Eu sabia quem Jun Woo era.
Um psicopata.
Frio, calculista.
Um manipulador genial, capaz de dobrar o mundo com palavras e silêncios.
Ele queria meu corpo - nunca minha alma. Me desejava por conveniência, por prazer, por estratégia... nunca por amor.
E mesmo assim... eu fiquei.
Fiquei quando ele mentia com a voz mansa e os olhos cravados nos meus. Fiquei quando fui usada como isca, como peça, como moeda. Fiquei quando meu coração gritava "foge" e minhas pernas teimavam em ficar.
Eu me agarrava a migalhas - migalhas de gestos, de olhares, de silêncios - torcendo para que, um dia, ele me enxergasse não como um objeto ou uma ferramenta...
Mas como mulher.
Como alguém digna de ser amada.
Mesmo sabendo que esse dia talvez nunca chegasse. Mesmo sabendo que, para ele, sentimentos eram fraquezas. Emoções, distrações inúteis no meio de seu jogo sujo.
Mas então...
Tudo mudou. E pela primeira vez... ele me surpreendeu.
Jun Woo, o homem feito de gelo, o monstro travestido de charme... sentia. Sim, ele sentia. Por mim.
O mesmo homem que manipulava sem piscar, que destruía sem remorso, que sorria diante da dor alheia...
Tinha um coração. E pela primeira vez na vida - na sua existência torta e sombria - ele colocou alguém acima de si mesmo.
Acima do controle. Acima da vingança. Acima da própria loucura.
E esse alguém...era eu. Ele veio, por mim e para mim!!
Mas eu só percebi quando já era tarde demais. Ao vê lo naquela festa - conversando, brindando e sorrindo com Vincenzo, o homem que ele chamava de inimigo, o mesmo que jurou destruir - senti algo em mim se partir de vez. Foi o limite.
O limite da minha decência e capacidade de aguentar tanta hipocrisia disfarçada de vingança. Ele havia mentido e me usado por aqueles meses todos? Era isso?
A música parecia zombar de mim, alta demais, vibrando junto às risadas falsas e ao bater das taças. Na minha frente eu via ele e Vincenzo rindo, bebendo e conversando com bons amigos. Nunca foram inimigos. Jun Woo zombava da minha inocência como se o mundo que vivemos por semanas nunca tivesse existido.
As luzes dançavam, cortando o salão com flashes que me deixavam tonta. Senti minhas pernas fraquejarem, o ar ficou pesado, e, antes que eu percebesse, estava no chão - o coração batendo rápido demais, o orgulho se desmanchando em silêncio. A respiração parecia fugir de mim.
Foi então que Yoon apareceu.
Ele atravessou o salão com o cenho franzido, os olhos procurando por mim até me encontrar. Ajoelhou-se diante de mim, as mãos firmes sobre meus ombros, a voz tomada por uma preocupação real - algo raro naquele lugar.
- Dami, o que houve? - perguntou, se inclinando um pouco para me olhar nos olhos.
Minha voz saiu trêmula, sufocada, entre o desespero e a vergonha:
- Eu quero morrer. - engoli em seco. - Eu quero sumir.
Yoon respirou fundo, e seu olhar se suavizou. Sem dizer mais nada, estendeu a mão para mim.
- Venha comigo. Não fique nesse chão. Eu te ajudo.
Por um instante, hesitei. Não por orgulho - mas porque não sabia aquela decisão seria certa. Mesmo assim, deixei que sua mão encontrasse a minha. O toque dele era firme, quente, quase humano demais para aquele ambiente gelado. Ele me puxou com cuidado, e eu me ergui, cambaleante.
Enquanto caminhávamos para fora, o som das risadas e dos brindes se misturava ao eco do que restava de mim - uma versão quebrada, tentando, aos poucos, respirar de novo.
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Um fim para Recomeçar
FanfictionUma das características fundamentais de um psicopata é a indiferença pelos sentimentos alheios, a incapacidade de se preocupar com as consequências de suas ações, sejam elas físicas ou emocionais. Sob essa perspectiva, surge uma dúvida inquietante:...
