Uma das características fundamentais de um psicopata é a indiferença pelos sentimentos alheios, a incapacidade de se preocupar com as consequências de suas ações, sejam elas físicas ou emocionais.
Sob essa perspectiva, surge uma dúvida inquietante:...
Pouco mais de uma semana passada, suas feridas mostravam-se em uma melhora considerável. Jun Woo trocava-se sozinho e podia perfeitamente caminhar por onde desejasse. Fato era que não deveria forçar seu corpo principalmente na região do abdômen onde a lança de Vincenzo havia sido enfiada. A ferida ainda estava sensível e não estava completamente fechada. Levaria mais algum tempo para que Jun Woo pudesse de fato dizer que estava recuperado.
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-Está cozinhando o que? -pergunta apoiando se na soleira da porta da cozinha.
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- Não queira saber! - digo duvidando do fato dele comer carne de caça. -Sei que gosta de caçar, mas não sei se gosta de comer sua caça...
Ele ri e me faz rir também porque sabia que ele havia sentido uma pontade de duplicidade na minha fala, no entanto, não era uma metáfora. Referia-me a caça no sentido real da palavra, visto que preparava uma ave caçada pela manhã.
- Você caçou? -ele surpreende se com o fato. - Realmente? Eu duvido...
Um sorriso lento se desenha em meus lábios enquanto o observo puxar a cadeira com a calma insolente de quem acredita estar no controle. O arrastar da madeira contra o piso ecoa pelo ambiente silencioso, marcando sua presença com um toque de provocação. Ele se senta com naturalidade, cruzando uma perna sobre a outra, os olhos fixos em mim, acompanhando cada passo que dou em direção à porta de saída - como se estivesse esperando meu próximo movimento com o prazer silencioso de um caçador entediado.
Meus dedos deslizam firmes sobre o corpo da espingarda calibre 28, apoiada junto à parede. Pego-a com precisão e familiaridade. O metal frio encontra minha pele, despertando uma tensão sob os dedos. Engatilho com um estalo seco e definitivo, que rompe o silêncio como um aviso.
Então, me viro devagar, os ombros relaxados, mas o olhar firme. Ergo a arma com ambas as mãos, posicionando-a com exatidão, a coronha firme contra meu ombro, o cano apontado diretamente para ele. Meus olhos encontram os dele - e por um instante, tudo parece suspenso. Não há palavra, apenas a promessa de que o próximo som poderá ser o último.