Capítulo 31

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Capítulo XXXI

Por Lin Dami

O vento soprava suave entre as árvores, balançando as folhas como se sussurrassem segredos que só a natureza entendia. Eu estava sentada num tronco caído, bem em frente à cabana. As mãos frias segurando uma caneca vazia, que eu já nem lembrava ter trazido comigo. Não havia mais chá. Nem respostas.

Jun Woo estava lá dentro, rabiscando e planejando algo. Como sempre, se escondendo dos meus sentimentos.

Eu olhava pra estrada de terra batida que levava dali pra lugar nenhum. Era reta no começo, mas logo depois se perdia entre os galhos tortos, subia, descia... desaparecia.

Como a gente.

Era isso que eu sentia. Que estava com alguém que não queria ser encontrado. Que se escondia não só atrás das palavras que não dizia, mas atrás de um muro invisível feito de medo, vergonha e dor. Toda vez que eu tentava chegar perto -de verdade, não só com o corpo, mas com o coração - ele se afastava.

"Não fala disso."
"Não há possibilidade pra nós."
"Não quero tocar nesse assunto."
"Você não fará parte disso!"

Essas frases dele ecoavam mais alto que o vento entre os galhos.

Mas se não há nada... por que ele me olhava daquele jeito quando pensava que eu não estava vendo? Por que me tocar com cuidado? Por que me segurar como se tivesse medo de quebrar alguma coisa que ele próprio não entendia?

Às vezes eu pensava que ele só me queria por desejo. Como se eu fosse uma fuga rápida, um esconderijo. Algo que alivia - mas não permanece.
E isso doia.
Doía porque eu não estava mais conseguindo fingir que não sintia. E sinto tanto. Sinto demais.

Só que aí, entre o silêncio e as negações dele, tem uma coisa que me dizia que era mais. Que ele sentia, sim, mas tentando apagar. Como se amar fosse um erro. Como se ele, por ser quem é, por estar quebrado, não merecesse amor.

Mas ninguém merece viver fugindo do que sente. E ninguém deveria ter que implorar pra ser visto de verdade.

Eu olho de novo pra estrada.

Tem uma bifurcação ali na frente. Um caminho vai pra floresta, o outro leva pra algum lugar que ainda não conheço. Fico pensando se não é uma metáfora cruel da minha vida: ou na esperança de ter seu amor reajo, ou desisto e volto a minha vida sem ele.

E, sinceramente, não sei qual direção dói mais.

...

Mas, de tudo que eu reconhecia a meu respeito, resolvi que deveria agir. Eu sabia que aqueles seriam nossos últimos dias juntos - JunWoo estava em perfeitas condições de seguir com sua vida - poderia e desejava agradá-lo, dando a ele aquela última ajuda.

Voltaríamos para Seul - aquelas idas e voltas já estavam fazendo parte da nossa rotina diária, o que me deixava angustiada - e cada um teria uma função naquela noite.

Voltaríamos para Seul - aquelas idas e voltas já estavam fazendo parte da nossa rotina diária, o que me deixava angustiada - e cada um teria uma função naquela noite

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