Capítulo 20

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— Não fuja de mim, meu filho amado.-Me chama uma voz tão suave que me traz paz, mas não vejo seu rosto, só vejo uma luz boa, agora sinto um toque gentil em meu ombro.

— Onde estou?-pergunto, e olho para meu corpo que está iluminado, estou vestindo uma túnica branca.

— Não entendo onde estou.....mãe? Zénny? David? Pedro? Miguel? — chamo cada um deles, mas parece que estou sozinho aqui.

— Não estás sozinho meu filho. Nunca estiveste só, eu estou e sempre estive contigo.—Volta a dizer a voz e sinto algo me abraçando. É impossível não notar que não é a voz de minha mãe me chamando de filho e muito menos de meu pai que morreu há 8 anos. Esse ser me chama de filho com autoridade e talvez... amor?

Por algum motivo me sinto emocionado, porque a energia desse ser me constrange, me sinto protegido e amado, muito amado.

— Não temas Akin, porque eu te remi. Chamei-te pelo teu nome, tu és meu.

Meu coração toca acordes descompassados de um instrumento que não conheço, o meu coração está acelerado, mas ainda assim sinto paz, não sei como, mas sinto calma em mim. Essas palavras... São de...

— Quem... Quem és tu?—Pergunto com lágrimas escorrendo calmamente de meus olhos.
Algo queima em mim e já não me sinto só, uma presença forte está-me cobrindo e me enlaçando.

— Eu sou o que sou.....

— Elohim.

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Sinto um vento refrescante soprando em meu rosto, em meus braços, em meus cabelos, penetrando no meu nariz e desperto, atónito.

Sinto um cheiro agradável, neste ambiente em que me encontro sozinho, observo ao meu lado e pousada sobre a cabeceira tem uma rosa-branca. Estou num quarto de hospital. Lembro-me simultaneamente dos acontecimentos e minha cabeça começa a doer... Ouço o barulho de um tiro com sons abafados. Coloco minha mão sobre a testa, fazendo uma carreta pela dor. Minha dor de cabeça agora ameniza porque ainda sinto esse ar estranho...Mas bom.

Elohim, Elohim, Elohim....

Esse nome continua a ecoar....

Antes que eu pudesse raciocinar sobre este sonho, alguém aparece...

— Mano? — David entra no quanto com um ursinho de pelúcia em mãos, eu o presenteei esse ursinho no seu sétimo aniversário. Ele corre até mim e de alguma maneira consegue pular na cama me agarrando e eu sinto dor numa área da barriga.

— Aiii...

— David? Filho? — Minha mãe entra em seguida vindo rapidamente até mim.—Cuidado David, tu podes magoá-lo! — minha mãe o repreende e ele parece triste e arrependido. Olho para minha mãe que me observa com surpresa, ela parece aliviada, mas seu rosto está cansado.

— Desculpa Akin... — Murmura David e em seguida larga-me, mas eu seguro em seu braço e posiciono sua cabeça em meu peito abraçando-o levemente na parte do meu corpo que não parecia estar dolorida. Faço carinho em seus cabelos e levanto o meu rosto sorrindo para minha mãe e ela sorri para mim emocionada, quanto tempo devo ter ficado desacordado?


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