(Presente): Akin em coma
— Não fujas de mim, meu filho amado. — Chama uma voz tão suave que me traz paz. Mas não vejo o seu rosto, apenas uma luz boa. Sinto agora um toque gentil no meu ombro.
— Onde estou? — pergunto, olhando para o meu corpo, que está iluminado. Estou a vestir uma túnica branca.
— Não entendo onde estou... Mãe? Zénny? David? Pedro? Miguel? — chamo cada um deles, mas parece que estou sozinho aqui.
— Não estás sozinho, meu filho. Nunca estiveste só. Eu estou — e sempre estive — contigo. — Volta a dizer a voz, e sinto algo a abraçar-me. É impossível não notar: não é a voz da minha mãe a chamar-me de filho, e muito menos a do meu pai, que faleceu há oito anos. Esse ser chama-me de filho com autoridade... e talvez... amor?
Por algum motivo, fico profundamente emocionado. A energia desse ser constrange-me. Sinto-me protegido. E amado. Muito amado.
— Não temas, Akin, porque eu te remi. Chamei-te pelo teu nome. Tu és meu.
O meu coração toca acordes descompassados de um instrumento que não conheço. Está acelerado, mas ainda assim sinto paz. Não sei como, mas sinto calma dentro de mim. Essas palavras... São de...
— Quem... quem és Tu? — pergunto, com lágrimas escorrendo calmamente dos meus olhos.
Algo queima em mim, e já não me sinto só. Uma presença forte cobre-me e enlaça-me com ternura.
— Eu sou o que sou...
— Elohim.
Sinto um vento refrescante a soprar no meu rosto, nos meus braços, nos meus cabelos, penetrando no meu nariz... e desperto, atónito.
Sinto um cheiro agradável neste ambiente em que me encontro sozinho. Ao meu lado, pousada sobre a cabeceira, está uma rosa branca. Estou num quarto de hospital.
Lembro-me, de súbito, dos acontecimentos, e a minha cabeça começa a doer... ouço o barulho de um tiro, abafado na minha mente. Levo a mão à testa, como se tentasse conter a dor.
A dor de cabeça ameniza... talvez por ainda sentir esse ar estranho... mas bom.
Elohim, Elohim, Elohim...
Esse nome continua a ecoar...
Antes que eu possa raciocinar sobre o sonho, alguém aparece.
— Mano? — David entra no quarto com um ursinho de pelúcia nas mãos — foi o presente que lhe dei no seu sétimo aniversário. Ele corre até mim e, de alguma maneira, consegue pular na cama, agarrando-me. Sinto dor numa área da barriga.
— Aiii...
— David? Filho? — A minha mãe entra logo atrás e vem rapidamente até mim. — Cuidado, David! Podes magoá-lo! — repreende-o, e ele parece triste e arrependido.
Olho para a minha mãe, que me observa com surpresa. Ela parece aliviada, mas o seu rosto está cansado.
— Desculpa, Akin... — murmura David, afastando-se. Mas seguro no seu braço e posiciono a sua cabeça sobre o meu peito, abraçando-o levemente na parte do meu corpo que não parece estar dolorida. Faço-lhe carinho nos cabelos e levanto o rosto, sorrindo para a minha mãe. Ela sorri de volta, emocionada.
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Entre Laços : A história de Akin
DuchoweEntre Laços Akin nunca imaginou que sua vida tomaria um rumo tão inesperado. Entre laços de amizade, família e amor, ele descobre em Deus o refúgio e a força que jamais pensou existir. Sem saber o que o destino lhe reservava, Akin se vê diante de um...
