A essa altura Roger e o policial do outro dia, que tinha olhos calorosos e um temperamento ruim, tinham revistado minha casa 3 vezes, a mesma quantidade de vezes que Zayan mudou de forma na minha frente. E na frente deles. A diferença se consistia no fato de que eu era a única que conseguia ver isso.
Fazia alguns minutos que eu parei de chorar e convenci Roger que eu iria sim voltar para a terapia. Aparentemente meus pais deixaram um fundo para isso também.
O celular do policial tocou no mesmo momento que Zayan discou um numero no seu próprio celular.
-- Aló? -- Disse o policial.
-- Preciso que assine alguns papeis agora mesmo. -- Disse Zayan.
-- Estamos indo. -- O policial me olhou. -- Foi um alarme falso.
-- De novo? -- O sorriso no rosto de Zayan era cruel, eu o olhei horrorizada, Roger me olhou estranho.
Porque para ele eu estava olhando para um gatinho. Bichano seboso.
-- Tranque a porta, Sabina.
Foi a única coisa que Roger disse ao sair de casa, e quando eu me aproximei, não para trancar a porta, mas para correr o mais longe possível dessa loucura, o braço de Zayan foi mais rápido, me prendendo contra a porta no momento que a fechava atrás de mim, agarrando meu pescoço com mãos grandes e olhos famintos.
-- Se eu morrer você morre também! -- Gritei antes que minha voz fosse abafada com o aperto dele em minha garganta. Ele não a soltou, mas diminuiu o aperto ao semicerrar os olhos e inclinar a cabeça para mim ao dizer:
-- O que você sabe? -- Nada. Eu não sabia de nada. Não fazia a menor ideia. Mas ele não precisava saber disso.
-- Meus pais deixaram um diário explicando como funciona.
-- Se você estiver mentindo. -- Arregalei os olhos quando meus pés pararam de tocar o chão, e comecei a dá pequenos beliscões para que ele percebesse que eu não ia conseguir falar nada enquanto estivesse me enforcando.
Tão fácil quanto ele me levantou ele me soltou, e eu despenquei no chão tossindo e arquejando enquanto minha respiração voltava ao normal.
Ele simplesmente me olhava com tédio. Sádico idiota.
-- As suas 7 vidas estão em mim. -- Rezei para todos os deuses existentes por alguma ajuda quando comecei a tossir mais um pouco.
-- Sim. -- A impaciência em sua voz o fez cruzar os braços sob o peito, e nossa ele tinha mesmo os braços grandes. -- O que mais?
-- Se você não percebeu. -- Falei fingindo puxar uma quantidade grande de ar. -- Eu estou tentando me recompor. -- Ele respirou fundo e revirou os olhos ao sentar no sofá com as pernas cruzadas.
-- Então quando chegar na ultima vida, você morre junto comigo. — Não ousei o olhar, não quando qualquer magia que fosse aquela pudesse farejar como uma cobra o cheiro da mentira.
-- O que mais dizia no diário? -- O que mais? Que diário? Não existia um diário!
-- Precisa de... -- Fingi uma tosse. -- De.. -- Outra tosse e foi a última quando o vi de relance semicerrando os olhos. -- De um ritual para desvincular a minha vida da sua, aí você vai poder me matar tranquilamente. -- Tossi de novo – Ou algo do tipo.
Um sorriso fechado e satisfeito estampou seu belo rosto quando ele se colocou de pé, chegando perto de mim e se agachando para ficarmos na mesma altura quando ele perguntou:
-- E onde está esse diário?
-- Não existe mais. -- Os olhos semicerrados pareciam dois faróis verdes me cegando. -- Se afogaram junto com meus pais no acidente. -- Ele parecia lutar para engolir a história.
-- De qualquer forma você teria que esperar meu vigésimo primeiro aniversário. Só funciona nele.
-- A idade da bruxa. -- Ele sussurrou, mais para si, ficando de pé.
A idade da bruxa?
Zayan caminhou até a cozinha separada da sala por um pequeno balcão e se sentou na minha mesa de jantar, colocando os pés em cima dela e cruzando os braços novamente, a cena muito semelhante com a de ontem.
-- Parece que eu e você, Sabina Canter, temos bastante trabalho a fazer até o ano que vem. -- Os dentes brancos em um sorriso projetado no inferno me fizeram promessas absurdas.
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Cheserie Box
RomanceChaserie não é uma caixa de Pandora, mas para o azar de Sabina Canter, a semelhança entre o tamanho da cidadezinha e os segredos guardados com o vento alegam que poderia ser. Uma vez em que olhos verdes de berilo espreitam entre o vão da port...
