Capítulo 19

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-- Minha, bruxinha... -- Suas mãos agarraram o meu rosto em uma doçura fingida, limpando o sangue da minha bochecha, os lábios se tornaram meigos. -- Achei que tivesse te dito para ficar em casa.

Seus olhos estavam gentis. Mas nada disso era verdadeiro, o álcool ainda distorcia a minha visão.

-- Você não manda em mim. -- Eu disse, ou acho que disse.

O que era aquilo em seu rosto? Decepção? Diversão? Sua expressão mudava de um segundo para o outro, seus lábios desciam e subiam enquanto seus olhos se tornavam grandes demais ou pequenos demais.

Acho que seu cenho estava franzido, ou ele tinha feito uma tatuagem na testa?

Me aproximei mais, tão perto que bati a testa na dele. Suas mãos saíram do meu rosto para os meus ombros, me empurrando delicadamente para trás.

-- O que você está fazendo? -- Sua voz estava confusa e engraçada, o que me fez rir, o que fez seu rosto se contorcer mais, ao ponto de que eu tivesse que virar a cabeça para o lado para que eu o pudesse enxergar melhor.

-- Ta... legal... -- Ele falou devagar, muito, muito devagar, o que fez eu jogar a cabeça para trás não conseguindo conter outra risada. -- Eu acho que vou ter que matar você...? -- Ele parecia em duvida.

Me matar? Que bobagem.

-- Hey. -- Arregalei os olhos falando e me aproximei de novo, nossas testas colidiram mais forte dessa vez e o grito de susto que eu dei poderia muito bem ser outra gargalhada.

-- Você se lambe? -- Perguntei séria, até porque era uma pergunta séria.

-- Eu o que? -- Sua voz adquiriu um tom mais fino.

-- Se você se lembe. -- Passei a mão em seu rosto devagar, com medo de que ele ficasse arisco. -- Você é um gato, gatos se lambem. Você se lambe?

-- Que porra foi que você usou?

-- Meu deus se eu te beijasse as pessoas iriam me ver beijando um gato!? -- Acho que seus olhos se estreitaram, os meus continuavam arregalados.

-- Quer fazer um teste? -- Um teste? Ele estava querendo me beijar? Lhe dei um sorriso preguiçoso de canto e meus olhos se tornaram baixos.

-- Não. Ooobvio que não. Ah não ser que não seja um gato que elas veriam. Seria? -- Arregalei os olhos de novo, minha voz em uma nota que eu não conseguia controlar.

-- Sim. -- Fiz uma cara de nojo. -- Porque eu sou um gato. -- Dessa vez fiz uma cara de tédio.

— Mas não, eles não iriam te ver beijando um animal, eles iriam ver minha forma humana mesmo. -- Ele balançou a cabeça, como se tentasse se organizar. -- Pelos deuses, Sabina, o que você usou?

-- Aaaaaah. -- Entendi tudo. -- Eu usei um perfume novo de baunilha com cereja. Você gostou?

Abri um sorriso enorme para ele, que por outro lado apenas subiu as mãos para a minha cabeça, nunca desviando o farol verde em seus olhos dos meus. Ele virou minha cabeça para o lado, mais, mais e mais. O sorriso no meu rosto vacilando.

-- O que você está fazendo? -- Perguntei incerta.

-- Pensando se te mato agora. -- Ele respondeu com a mesma incerteza.

Mas eu sempre fui boa em esquivas, nunca em escolhas, mas esquivas sim; Seja em conversas, ou em atividades físicas, então me abaixei ao deslizar pelas suas mãos e corri para a porta do banheiro. Estava trancada. Porra.

-- Tem como você não me matar? -- Ele cruzou os braços me olhando com uma expressão estranha. -- Hoje? -- Fiz um sinal de legal com as mãos, acho que estava funcionando. -- É porque é o meu aniversario, sabe. -- Abri outro sorriso grande, ele bufou.

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