Capítulo 31

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O azul do céu zombava de mim conforme o sol, tentando sair do alcance das nuvens, seguia o carro incessantemente, como se ele quisesse me contar um segredo. Porque apenas ele sabia o que aconteceu no dia da morte de meus pais. 

Eles não estão mortos. A voz do paramédico ecoou na minha cabeça. Mas estavam. A Anoxia os tomou de mim antes que eu pudesse me desculpar. A água salgada em seus pulmões era o de menos, o medico disse, o mais grave foi a falta de oxigeno no cérebro.

E ele não precisava dizer mais nada, as palavras impronunciadas fincaram raízes na terra. Doloroso, foi extremamente doloroso para eles. Uma dor que se mostrou ser em vão, pois mesmo que eles conseguissem acordar do coma, as sequelas tomariam deles o que um dia foram.

Suicídio. Eu ouvi Roger dizer. As marcas do pneu na ponte eram apenas do carro deles. Não derraparam, conduziram o carro até a beira, forçando a cerca e jogando o carro no rio. 

Era absurdo, me lembro de gritar, completamente histérica que eles jamais fariam isso. Os olhos de Roger me olharam com compaixão. É o que as evidências mostram, Sabina.

Dor irradiou pelo meu peito, como se o oxigênio estivesse fugindo, escapando, fazendo pressão na minha cabeça, da mesma forma como eu imaginava que tinha feito na deles. 

-- No que você está pensando? -- A voz de Zayan me tirou do transe, me fez levantar abruptamente a cabeça enquanto meus olhos vasculhavam o território. 

Carro. Eu estava em um carro, e considerando que era ele quem dirigia, o carro era dele. Pelo menos eu esperava que fosse.

-- Nada. -- Engoli em seco, franzi a testa. -- Onde estamos? -- O verde das arvores me disseram que longe. -- O que aconteceu? -- Os flashes de memória me disseram onde eu deveria está; na escola.

-- O que aconteceu, querida. -- A voz dele entediada quase me fez revirar os olhos. -- É que seu namorado 2 não quis deixar você sair da sala, e no lugar de agir como uma pessoa minimamente inteligente, você surtou e quase o matou. -- Ele fez uma pausa, estreitando os olhos como se tentasse alcançar uma memoria distante. -- O queimando de dentro pra fora.

Ignorei a provocação presente em namorado 2.

-- Do que você está falando? -- Ele abriu a boca pra responder, e fechou abruptamente, apertou os olhos como se não quisesse ver o que estava bem a frente, o que me trouxe uma pontada de preocupação considerando que ele precisava daqueles mesmos olhos para dirigir. 

Eu vi quando seu peito subiu e desceu, rápido demais, com força demais. Um pingo de suor escorreu por toda a sua garganta quando ele freou abruptamente.

-- Zayan? -- Eu perguntei ao me inclinar em sua direção. -- O que você está sentindo? -- Mas ele não parecia me ouvir, sua respirou ficou frenética e eu entrei em desespero procurando o celular para ligar para a emergência. 

Não estava em nenhum lugar, a pele dele começou a adotar um vermelho coral.

-- Não morra antes de me deixar em casa, seu idiota. -- Eu resmunguei enquanto procurava no porta luvas. Nada. No bolso do seu terno. Nada. Ele bufou uma risada ao dizer:

-- Você tem cheiro de poesia, Canter. -- O olhei com a testa franzida, os olhos dele estavam entreabertos, um sorriso fechado e febril no canto da boca enquanto escorria suar pelo seu pescoço. Claramente delirante. 

-- Tire esse blazer, Zayan. -- Eu tentei puxar seu braço para fora da manga, mas Zayan segurou meu pulso com a outra mão, os olhos abertos e terrivelmente dolorosos enquanto me encarava.

-- Isso deve doer um pouco. -- Ele disse, sua boca perto demais da minha, sua mão em volta do meu pulso apertado demais, sua respiração se chocando contra o meu rosto fez meu coração ameaçar se debater contro o meu peito. Doer?

-- Do que vo-- Então eu senti, antes de ver, o mesmo impacto de mais cedo antes de me desmaiar, a diferença, é que antes eu senti a criatura peçonhenta se arrastando pela sala pronta para dar o bote. Dessa vez eu fui pega de surpresa.

Eram duas cobras. Verdes e translucidas saindo da boca de Zayan, uma se enrolou nos meus pulsos estáticos enquanto a outra se chocava contra a minha cabeça, cruel e violenta. 

Rirena uma vez disse que meu cérebro era pequeno demais para tomar qualquer decisão minimamente inteligente, esse foi o ultimo pensamento que tive ao sentir tudo dentro da minha cabeça chacoalhando, como se meu cérebro fosse de fato pequeno demais, antes de apagar.

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