capítulo 39: informação inusitada

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Assim que as aulas terminaram, eu não segui para casa de imediato.

Precisava fazer algo importante antes de ir.

Com um suspiro, eu me aproximei da diretoria.

Naquele momento, eu tinha algo em mente.

Defender Louisa e tentar encontrar uma solução.

A porta se abriu no exato instante que ergui minha mão pra girar a maçaneta.

Mia Towsend saiu de lá; o semblante tenso.

Ela me lançou um breve olhar antes de partir para longe.

Franzi o cenho, estranhando aquela situação e não passei muito tempo pensando naquilo.

Entrei na sala onde estava o diretor.

Ele me lançou um olhar surpreso no momento que entrei no seu campo de visão.

— Senhor Gustafson? Que prazer vê-lo aqui! — ergueu-se de sua cadeira e se aproximou de mim. Apertei sua mão estendida brevemente. — Que bons ventos o trazem?

— É sobre o roubo do celular de Donna Henderson. — fui direto ao ponto, fazendo seu sorriso caloroso desaparecer. Ele parecia preocupado naquele instante. — O senhor precisa checar as câmeras de segurança no momento exato antes da queda de energia. Talvez alguém tenha mexido no quadro de distribuição. Não acho que foi Louisa.

— Bom... esse problema já foi resolvido.

— Como? Eu soube que Louisa foi incriminada, mas ela realmente não roubou aquele celular. Tenho certeza que alguém se aproveitou daquela queda de energia para incriminá-la. Conheço Louisa, ela não seria capaz de fazer algo assim.

— Senhor Gustafson... — o diretor soltou um suspiro. — Acredito em suas palavras.

Eu fiquei momentaneamente perplexo.

— Como?

— Eu disse que agora acredito em suas palavras. A senhorita Louisa realmente foi alvo de uma grande injustiça. — disse, chocando-me.

Porra, aquilo realmente me surpreendeu.

— Não entendo. O senhor acredita em mim? Em Louisa? Realmente? — questionei e ele assentiu. — Eu sei que Louisa é inocente, mas não tenho provas. Mas tenho uma desconfiança. Com sua ajuda, talvez...

— O verdadeiro culpado apareceu.

Fiquei boquiaberto na hora.

— O quê?

— A pessoa responsável por essa confusão confessou.

— A pessoa confessou? — eu estava perplexo. — Quem?

Donna confessou. Será que tinha abaixado a guarda depois que falei com ela?

— Mia Towsend.

— Mia? — questionei abismado. Por essa eu não esperava. — Mas...

Franzi o cenho.

Eu realmente vi a garota saindo da diretoria momentos atrás, mas não imaginei que ela estava ali para confessar o que tinha feito.

— Bom, me passaram os registros das câmeras de segurança e realmente é possível ver a senhorita Donna bebendo água e a senhorita Mia seguindo em direção à sala onde se encontra o quadro de distribuição de energia logo depois de pegar o celular. Ela cortou um dos fios do quadro elétrico com um pequeno alicate, o que ocasionou a queda de energia repentina. Veja só. — ele me guiou até um computador, onde selecionou um arquivo de vídeo. Era uma filmagem anterior das câmeras de seguranças. Suas palavras estavam certas. Em outro quadro, ele mostrou como Mia pegou o celular que estava sobre a poltrona o escondeu discretamente no próprio uniforme antes de sair do auditório. Em seguida, Mia realmente estava mexendo no quadro de distribuição enquanto Donna caminhava tranquilamente de volta para o auditório após beber água. Depois disso, não há mais nenhum registro.

Caramba! Eu estava pasmo.

— Além disso, Mia decidiu vir até minha sala e relatar cada detalhe do que fez. Parecia muito arrependida. — ele continuou, não percebendo meu profundo espanto diante dos fatos. Se ele percebeu, não deu importância. — Mia relatou que se aproveitou da ausência de Donna para pegar o celular que estava sobre a poltrona e que provocou a queda de energia. Nesse momento onde não foi permitida a saída de alunos das suas respectivas turmas e nem a saída de pessoas do auditório, ela seguiu até o armário e usou um grampo para que pudesse abrir o cadeado. Ela inclusive me mostrou o objeto e confessou que é muito boa nisso. Naquele momento, conseguiu colocar o celular no armário de Louisa e sair furtivamente. A energia voltou minutos depois, graças à equipe de manutenção, e Mia retornou para o auditório antes disso, onde assistiu a apresentação de teatro tranquilamente. E depois daí, todo o processo ruim aconteceu e Louisa foi acusada injustamente.

— Nenhum cúmplice?

— Não. Mia relatou que fez tudo sozinha.

Recostei-me contra uma parede; o semblante pasmo diante das palavras do diretor.

Era muita coisa pra digerir.

Muita.

Louisa realmente foi incriminada. Não por quem imaginei a princípio, mas por... Mia? De qualquer forma, se Donna e Mia estivessem juntas nessa, não fazia sentindo Mia pegar toda a culpa. Ela não seria tão burra ao ponto de ser penalizada sozinha.

Aquilo me deixou bem confuso.

— Ela confessou qual foi a motivação dela?

— Sim. Disse que Louisa irritou Donna Henderson no passado e isso a chateou. Bom, ela disse que se sentiu mal pela melhor amiga e que se irritou porque Donna estava tentando ser amigável com Louisa ao invés de estar com raiva dela. Então ela decidiu vingar a amiga, sem que Donna soubesse. Mia mostrou claramente que estava arrependida pelo ato inconsequente e aceitou a oferta de retratação sobre seu delito.

— Essa porra deveria ser expulsa. — resmunguei e o diretor fez uma careta para o meu linguajar.

Em seguida ele disse:

— Creio que isso não seja necessário, senhor Gustafson. Ela irá se retratar com Louisa e toda a escola. Isso já está de bom tamanho. A expulsão de alguém como Mia Towsend causaria problemas desnecessários com o conselho.

— Se fosse Louisa, não haveria problema algum pra uma expulsão, né? — zombei, percebendo que o velho ficou sem graça. — De qualquer forma, estou feliz que toda essa merda será esclarecida, pra todo mundo se dar conta da inocência de Louisa.

— Sim. Tudo será esclarecido.

Apos sair da sala do diretor, eu voltei para o corredor.

Fechei os olhos por um instante.

Mia foi a causa da quase expulsão ou apreensão de Louisa.

Não Donna.

— Não acredito nisso! — soluçou. — Como pode me acusar de algo tão grave, Alan. Eu não seria tão perversa ao ponto de incriminar Louisa. Além disso, sua acusação não faz nenhum sentindo. Olha só... se eu a tivesse incriminado, então por que saí em sua defesa e impedi que fosse expulsa ou presa? Como você explica isso? — disse magoada.

Porra!

Eu realmente me sentia culpado por tê-la acusando injustamente.

No final, ela não incriminou Louisa.

Mia foi a responsável por toda essa porcaria.

Minha consciência estava levemente pesada. E algo me disse que eu deveria pedir desculpas a alguém.







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