capítulo 2: o acordo

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Alan Gustafson

De frente para o espelho, observei meu rosto e cabelo.

Esbocei um breve sorriso.

Eu gostava do que estava vendo, mas imaginei que o brinco em minha orelha incomodaria meu pai. Muito mais do que o pequeno piercing na minha sobrancelha direita. Além disso, ele odiaria o fato de eu ter...

— Pintou o cabelo? — papai disse assim que desci as escadas e já estava seguindo em direção à saída.

Eu parei de andar, o suficiente para observá-lo.

— Sim. — disse o óbvio. — Quis mudar o visual.

Ele estava enfiado em seu terno, pronto para ir para o trabalho e eu estava apenas impassível, louco para chegar à escola. Mesmo que estivesse abarrotada de riquinhos metidos a besta, eu preferia aquele lugar ao ambiente em que morava. Era irritante ter que conviver com a desaprovação constante do meu pai. Ele nem disfarçava a porra do olhar de julgamento.

— Por quê? Lembrava sua mãe?

Os fios loiros realmente eram diferentes do cabelo escuro do meu pai e lembravam minha mãe. Mas não tingi por esse motivo.

— Não é por causa da minha mãe. O cabelo claro me deixava com cara de playboy. — confessei. — Coloquei um brinco também.

— Estou vendo. — disse com aparente desaprovação, observando a minha orelha. Ele já estava acostumado com o piercing na sobrancelha que coloquei meses atrás, então não ligou muito. Agradeci o fato de minhas sobrancelhas serem naturalmente escuras, então não precisei tingi-las. — Ok. Você é bem grandinho e sabe o que está fazendo. — engoli em seco quando ele se aproximou. Eu não estava com medo, mas não queria sair chateado de casa após ouvir seus chatos sermões. — Mas você continua sendo meu filho e é menor de idade. Mesmo que já dirija e tenha certa autonomia, percebo que gosta do luxo que posso proporcionar.

— Aonde quer chegar com isso? — arqueei uma sobrancelha.

— Em um acordo. — disse, deixando-me confuso. — Um acordo eficiente entre nós dois. Você só precisa me obedecer. Aceita?

— Pai...

— Alan. —interrompeu-me, impaciente. — Ontem você faltou a um jantar importante. Gwen ficou bem decepcionada e eu também. Foi um jantar muito bom com meu amigo Noah e sua família. Todos perguntaram por você, até mesmo Donna e Daniel. O problema é que você não apareceu e só voltou para casa de madrugada. — seu semblante estava aborrecido, mas ele não aumentou o tom de voz. Papai não precisava disso para mostrar sua autoridade.

— Eu estava com uns amigos. — disse calmamente e papai riu sem humor.

— Mesmo? E fala isso com tamanha naturalidade? — balançou a cabeça. — Se eu fosse um pai muito rígido, poderia te deserdar por me desobedecer tanto. — aquilo soou como uma ameaça.

— Deserdar? Não sou um vagabundo. Tenho amigos que podem conseguir algum trabalho para mim. Faço parte de uma banda também. É recente ainda, mas pode ser bem rentável em breve. — ele ficou surpreendido por eu ter mencionado trabalho.

— Você prefere um emprego desvantajoso, mas não aceita trabalhar comigo, certo?

— Trabalhar com o senhor seria entediante. — confessei, surpreendendo-o. Papai devia me conhecer. Eu não entendia nada de atividade hoteleira e até poderia aprender algo sobre o ramo, caso ele não apontasse meus erros o tempo todo e tivesse paciência para ensinar. Mas considerando sua personalidade rabugenta, trabalhar com ele seria uma forma de tortura psicológica e eu não estava a fim de ter minha paz interrompida. — Não se ofenda. Eu só estou sendo sincero.

Beijos RoubadosOnde histórias criam vida. Descubra agora