capítulo 30: sentimento de culpa

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Alan

Eu estava me sentindo um babaca.

Porra, que maldita mentira! E ela trouxe consequências terríveis.

Por que eu não revelei tudo antes? Por temor, é claro. Isso mostrava que eu não passava de um covarde.

Louisa não queria ver minha cara e eu estava me sentindo péssimo pra caralho.

Enquanto bebia, eu encarei meu celular.

Quase liguei pra Louisa, mas então recordei seu olhar magoado. Sua dor. Dor que eu próprio causei.

Eu era um idiota.

E não suportaria ficar longe dela.

Entornei aquela garrafa na boca, deixando que o álcool ardesse em seu caminho.

Sentindo-me pior ainda, deixei a bebida de lado e encarei a porta no momento que meu pai passou por ela.

— Claire me ligou e disse que você chegou abalado da escola. Parecia preocupada. Desse modo, eu saí de uma reunião importante apenas para checar o que estava acontecendo. — ele tinha um olhar de desgosto.

Eu o ignorei. Não precisava desse olhar de merda naquele momento. Foi uma péssima ideia ter saído da escola e ter vindo direto para a mansão. Mas ver o apartamento de Louisa apenas me lembraria da merda que fiz.

— O que aconteceu com você? – encarou a garrafa.

— Nada. — resmunguei, enxugando as lágrimas que tinha derramado recentemente.

Eu era patético!

— Você esteve chorando. — papai constatou com espanto. — Aposto que isso tem relação com a tal Louisa.

O quê?

Eu o encarei com incredulidade.

— Como sabe...?

— Donna falou comigo ontem à noite. Se você estivesse na mansão, teria tido a chance de vê-la.

— Que porra a Donna disse? — disparei entredentes.

Ele fez uma careta para o meu linguajar, mas continuou:

— Disse que você estava se envolvendo romanticamente com uma garota da escola. Ela não deixou claro se é um namoro. — disse.

— Donna é uma fofoqueira. — balancei a cabeça.

— Não a culpe injustamente. A menina só revelou este fato porque insisti muito para que contasse sobre seus passos na escola já que andava sumido. Ela esteve aqui para uma noite de pijama com Eleanor. — disse. — O que me diz sobre isso? Louisa parece ser importante para você. Ela é o motivo do seu estado atual?

— Sim. — resmunguei. Não tinha porque esconder isso. Não mais. Não havia nada que papai pudesse arruinar, considerando que eu mesmo tinha estragado tudo. — Ela aparentemente terminou tudo comigo hoje. Não quer ver minha cara.

— Por quê?

— Eu menti para ela. — não sei por que eu estava desabafando com meu pai. Provavelmente estava sendo movido pelo álcool. — Inventei que era um bolsista como ela e sobre outras coisas.

— Oh, então é isso! — parecia surpreso. — Por que mentiu?

— Eu só queria que o fato de ser filho de um magnata não atrapalhasse nosso relacionamento. Eu queria que Louisa me visse como alguém comum.

— Mas você não é um garoto comum, Alan. — corrigiu. Engoli em seco. — Você é meu filho. A pessoa mais rica daquela escola. Você deveria se orgulhar disso e não se envergonhar. Por que o desgosto? Pelo lado bom, você se livrou de um problema.

Beijos RoubadosOnde histórias criam vida. Descubra agora