Mudança?

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Talvez ela esteja certa, estou só fingindo que consigo seguir em diante quando na verdade já desisti de sobreviver faz tempo. Mas ela não está certa quando disse que é a pior irmã do mundo, não, ela não está nenhum pouco certa. Ela é a pessoa mais empenhada em me ver bem, ela faz de tudo por mim e eu sou eternamente grata por isso. Eu é quem sou complicada.

Maiara acha que já me perdeu para sempre, talvez ela esteja certa.

Mas e se daqui em diante as coisas mudarem?, e se eu me esforçasse mais?, sorrisse mais, e se eu deixasse que a minha família entrasse de uma vez na minha vida?, daria certo?, Maiara se sentiria melhor?, não sei, tudo o que sei é que tenho que fazer isso por mim e por eles.

O tempo passou e nesse momento estou sendo liberada para voltar para a minha casa, Maiara até então estava mais recolhida no canto dela, é até estranho ver ela calada. No caminho de volta pedi para o meu pai parar em uma lanchonete alegando estar com fome, e assim ele fez, Maiara estranhou o fato de eu dizer que estava com fome mas não falou nada, apenas nos seguiu sem protestar. Pedimos hambúrgueres com batata frita e mandamos pra dentro, eu a todo momento puxava um assunto, estava falante demais e obviamente todos estranharam essa mudança de comportamento.

Queria voltar a ser a Maraisa de antes, e acho que começar a falar pelo os cotovelos é só o começo.

Fomos para casa, minha mãe me deu banho e depois me levou para a sala, não queria ficar deitada no quarto. Minha mãe foi fazer almoço, Maiara se trancou no quarto dela e meu pai estava lendo algum jornal, enquanto eu olhava o meu irmão jogar videogame na tv.

Eu: Me deixa jogar com você?. Ele olha para mim surpreso e depois sorrir dizendo que sim.

César: Vou colocar pra dois!. Ele me entrega o outro controle........— Quer escolher algum jogo?.

Eu: Não, pode ser esse mesmo!. Era um jogo de luta.

Não sou muito boa com videogame, mas adoro jogar com o meu irmão mesmo perdendo todas as vezes, César é o meu menino e eu amo ver como ele fica eufórico todas as vezes que ganha de mim. Jogamos por cerca de uma hora, nem percebemos o tempo passar, estávamos tão entretidos naquele joguinho que o mundo lá fora nem importava mais. Quando cansamos, César me pegou reparando ele, meus olhos brilhavam e o meu sorrisinho de canto era de orgulho, orgulho por ter um irmão tão perfeito como ele.

César: O que foi?, eu sei que sou bonito, cara!. Diz me fazendo rir.

Eu: Seu idiota!. Dou um leve empurrãozinho nele........— Eu senti tanta falta de você, de fazer essas coisas com você. Você é o meu homenzinho e eu te amo pra sempre, não queria que você me visse assim tão frágil, me desculpa por isso. Eu prometo pra você que vou melhorar, tá bom?, e aí a gente pode fazer tudo o que você quiser!.

César: Fica tranquila, eu cuido de você!. Toca o meu nariz com um dedo........— Eu te amo, irmãzinha, e eu vou sempre estar aqui por você!.

Eu: Sei que vai!.

César: Como está se sentindo hoje, gatinha?. A tão esperada pergunta chegou.

Forço um sorriso e desvio o olhar pensando naquela pergunta, acho que hoje a minha resposta seria um pouco diferente do normal.

Eu: Sendo sincera, me sinto relativamente bem. Não tão bem cem por cento, mas...bem!. Ele assente sorrindo........— E você?, me conta as novidades!.

César: Não tenho muita coisa pra contar, apenas que estou mais feliz agora que você está aqui!. Dou um abraço inesperado nele e pelo o jeito que ele retribuiu, pude perceber que era isso que ele queria faz tempo.

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