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Ellie Mccormack

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Ellie Mccormack

O dia amanheceu calmo, com o sol tímido invadindo a janela do quarto. A decisão de seguir com o casamento ainda ecoava na minha mente. Não foi algo fácil de aceitar, mas, de alguma forma, Aidan havia se tornado o único ponto seguro nesse mar de incertezas. Ele é diferente. Mais gentil do que deveria ser, considerando a situação em que estamos presos.
Desci as escadas sentindo o aroma suave de café fresco misturado com algo doce. Ao chegar na cozinha, encontrei Aidan ajeitando a mesa com um capricho inesperado. Croissants, bolo de chocolate, torradas, frutas cortadas em pequenos cubos, como se tivessem sido preparados por um chef meticuloso.

- Bom dia. - Ele ergueu o olhar, sorrindo, e se aproximou para deixar um beijo leve na minha bochecha. O toque foi rápido, mas trouxe um calor estranho ao meu rosto.

- Bom dia. - Respondeu, eu estava surpresa com a cena. - O jantar foi um fiasco, mas seu café da manhã vai compensar.

- E você que fez tudo isso?

Ele riu, colocando a última xícara na mesa.

- Eu poderia mentir e dizer que acordei cedo para preparar tudo isso, mas como não sou um mentiroso... - fez um gesto dramático em direção aos alimentos - comprei na padaria. A mesma padaria onde nos encontramos pela primeira vez, lembra?

Senti meu rosto se aquecer ao lembrar daquela manhã.

- Lembro, sim. Você não parou de olhar para o decote do meu vestido.

Ele arregalou os olhos, claramente pego de surpresa, e coçou a nuca, envergonhado.

- Eu... não foi bem assim.

- Claro que foi. - Sorri, pegando um pedaço de bolo. - Mas, de qualquer forma, obrigada pelo café.

- De nada, querida noiva.

Revirei os olhos ao ouvir a provocação. Estava me acostumando com o jeito brincalhão de Aidan. Ele sabia exatamente como quebrar o gelo e tornar o ambiente mais leve, mesmo quando a realidade pesava sobre nós.

- Ah, o vestido já foi comprado. - Comentei casualmente.

Ele assentiu, mas o silêncio que se seguiu foi carregado de significados. Nenhum de nós queria falar sobre o que aquele vestido realmente representava. Enquanto cortava um pedaço de fruta, senti o olhar de Aidan fixo em mim.

- Faltam 19 dias. - Disse ele, como se contasse as horas para algo inevitável.

- Achei que só eu estava contando. - Brinquei.

- Estou contando os dias para te dar o meu nome. - Ri, balançando a cabeça, mas ele manteve o olhar, sério. - Devia sorrir mais vezes. - Acrescentou. - Fica ainda mais bonita.

Antes que eu pudesse responder, a campainha tocou. Suspirei, imaginando quem poderia ser tão cedo em um sábado. Ao abrir a porta, meu corpo se enrijeceu. Rob estava ali, acompanhado pelo meu pai.

- Senhor Rob. - Forçei um sorriso educado. - Oi, pai.

- Bom dia, Eleanor. - Rob disse, sem rodeios. - Deixe-me entrar.

Dei espaço, observando os dois atravessarem a sala como se fossem donos do lugar. Meu pai deixou um beijo frio em minha testa, como se esse gesto apagasse anos de negligência.

- Aidan está na cozinha.

Os dois seguiram em direção ao cheiro de café. Algo me dizia que essa visita não traria nada de bom. Ao entrar na cozinha atrás deles, percebi a expressão tensa de Aidan. Sua postura rígida denunciava o desconforto que ele tentava disfarçar.

- Pai, você sabe... eu e Eleanor precisamos de privacidade. - Meu pai riu, um som seco e sarcástico. - Qual é a graça, senhor Ren? - Aidan perguntou, visivelmente irritado.

- Nada. Só lembrei de uma piada.

Aidan Gallagher

A presença de Rob já era desconfortável por si só, mas ter o pai de Eleanor ali tornava tudo ainda mais complicado. Meu pai apareceu com essa ideia repentina de "passar um tempo" conosco, como se isso fosse normal em meio aos preparativos de um casamento arranjado. E Ren, bem, ele estava aqui por puro interesse - não por Eleanor, mas pelo que ela podia fazer por ele.

- Sentem-se para comer alguma coisa. - Eleanor tentou manter a compostura, gesticulando em direção à mesa. - Fiquem à vontade, eu e Aidan já voltamos.

Ela me puxou pela mão até a sala, longe dos olhares curiosos.

- O que está acontecendo?

- Meu pai quer ficar aqui até o casamento. - Passei a mão pelos cabelos, frustrado. - É desconfortável pra caramba, mas se eu negar, ele vai desconfiar. Se aceitar, ele pode acabar descobrindo tudo.

Ela mordeu o lábio inferior, pensativa.

- Sem contar que, se você recusar, ele não vai te deixar em paz.

- Exato.

O silêncio pairou por um momento, até que soltei um suspiro resignado.

- Tudo bem, pai. - Voltei para a cozinha. - Pode ficar até o casamento.

Ele apenas sorriu, satisfeito, e voltou a beber seu café como se aquilo fosse natural.

- Espero que tenha mais quartos de hóspedes. - Comentou Ren, com desdém. Eleanor o encarou, como se procurasse um traço de afeto em suas palavras. Não encontrou. - Que foi, filha?

- Nada. - Ela desviou o olhar. - Aidan, vem me ajudar a arrumar o quarto para seu pai.

Subimos as escadas em silêncio, cada passo ecoando como uma contagem regressiva. Quando entramos no quarto dela, comecei a ajudá-la a colocar suas coisas na mala. Foi nesse momento que a realidade me atingiu: teríamos que dividir o mesmo quarto.

- Tudo bem pra você se ficarmos no mesmo quarto? - Perguntei, incerto. - Não precisamos dormir na mesma cama, claro.

Ela parou por um instante, encarando a mala aberta.

- É o único jeito, né - Assenti, sentindo um misto de alívio e nervosismo. - Tudo bem, então.

Sem pensar muito, me aproximei e deixei um beijo leve em sua bochecha. Vi um sorriso se formar em seus lábios, e naquele instante, toda a confusão ao nosso redor pareceu menos sufocante.

- Faltam 19 dias. - Sussurrei, mais para mim mesmo do que para ela.

Mas, pela primeira vez, a contagem não parecia um fardo tão pesado de carregar.

Mas, pela primeira vez, a contagem não parecia um fardo tão pesado de carregar

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