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Ellie Mccormack

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Ellie Mccormack

            Dormir abraçada a alguém foi estranho. Mais estranho ainda foi perceber que, por mais desconfortável que a situação parecesse no início, o calor do corpo de Aidan trouxe uma sensação inesperada de segurança. Ele é um cara legal — e, a cada momento, essa certeza só se fortalece. Mas não posso me apegar a isso. É temporário. Tudo isso é.
           O dia lá fora já se mostra ensolarado quando desço as escadas em direção à cozinha. O cheiro de café fresco preenche o ambiente, e logo vejo Rob sentado à mesa, folheando o jornal como se fosse o dono da casa. Assim que me nota, ele sorri de lado, aquele sorriso típico de quem está prestes a dizer algo inconveniente.

              — Bom dia, Eleanor — diz, largando o jornal. — Espero que minha presença aqui não esteja incomodando. Sei que casais adoram privacidade.

Forço um sorriso enquanto pego um copo para beber água.

            — Não me incomodo, afinal, essa é a casa do seu filho.

             — Ah, mas eu sei que incomodo, mesmo que você finja bem. — Ele cruza os braços sobre a mesa, divertido. — Mas, olha, não ligo se ouvir barulhos constrangedores vindos do quarto de vocês.

Quase engasgo com a água.

              — O quê?!

               — Eu adoraria um neto ou uma neta — completa, como se estivesse falando do tempo.

Respiro fundo, tentando ignorar o desconforto. Rob é uma boa pessoa, mas sua língua afiada e a falta de filtro nas palavras fazem qualquer um perder a paciência.

               — Eu e Aidan nunca falamos sobre isso, e, sinceramente, não acho que ele tenha vontade de ser pai.

Rob ri, aquele riso carregado de ironia.

             — Meu filho sabe muito bem que eu adoraria um neto.

             — E Aidan não é do tipo que faz algo só para te agradar — retruco, cruzando os braços. — Se fosse, ele estaria no Canadá agora.

Rob me encara por um instante, como se estivesse medindo cada palavra minha.

            — Sabe, Eleanor, apesar do que seu pai fez com a empresa e do seu jeito afiado de falar, eu gosto de você com o Aidan. É exatamente o tipo de mulher que ele precisa.

Arqueio uma sobrancelha, confusa.

            — Que tipo de mulher?

            — Bonita, delicada… e com medo do escuro.

Seu olhar se fixa no meu, e sinto um frio percorrer minha espinha.

             — Não entendo se isso foi um elogio ou uma ofensa.

             — Em partes. Bonita e delicada, sem dúvida. Mas o medo do escuro? Isso é uma fraqueza.

Desvio o olhar, incomodada. Rob percebe e sorri, satisfeito por ter tocado em um ponto sensível.

              — Acha que conheci seu pai agora? Ren nunca foi um santo. Conheço o tipo de pessoa que ele é. Do tipo que faz qualquer coisa por uma oportunidade, por dinheiro… E, quando digo qualquer coisa, quero dizer tudo mesmo.

A primeira lágrima escapa sem permissão, e eu a enxugo rapidamente, como se isso fosse suficiente para esconder minha fragilidade.

             — Há quanto tempo você conhece ele?

             — Muito tempo. E, só para constar, não apoio um homem que passa por cima dos valores éticos por dinheiro — Rob se levanta, levando seu prato até a pia. — Mas você é diferente, Eleanor. É uma boa pessoa.

Ele dá um passo em direção à porta e, antes de sair, lança um último aviso:

              — Aidan está no escritório.

Fico parada por alguns segundos, digerindo a conversa. Fecho os olhos e respiro fundo, tentando conter as lágrimas restantes. O passado não deveria ter tanto poder sobre mim, mas sempre encontra um jeito de se infiltrar nas rachaduras.
              Termino meu copo d’água e sigo para o escritório. Bato na porta levemente, ouvindo a voz de Aidan responder do outro lado:

              — Entra. — Ele está sentado atrás da mesa, cercado por papéis e com o notebook aberto. Quando me vê, o semblante se suaviza. — Oi, Eleanor. Precisa de algo?

Caminho até ele, tentando soar casual.

            — Não. Só vim avisar que vou sair um pouco.

Ele franze as sobrancelhas.

             — Vai sozinha? Se quiser, posso ir com você.

            — Você está ocupado.

            — Para você, nunca estou ocupado.

Reviro os olhos e sorrio de leve.

           — Vou só dar uma volta. Amanhã temos aquela entrevista, lembra? Preciso me preparar… psicologicamente.

Aidan sorri, e as covinhas aparecem em suas bochechas. Sem pensar, estendo a mão e toco seu rosto, sentindo a suavidade da pele.

              — Gostou das minhas covinhas? — pergunta, sem tirar os olhos dos meus. — Pode enterrar seu coração nelas, se quiser.

O ar parece ficar mais pesado. Recuo levemente, tentando recuperar a compostura.

           — Não sei se consigo.

Ele segura minha mão, mantendo-a em seu rosto.

           — Eu te ajudo. — Aidan se levanta, e de repente a distância entre nós é quase inexistente. Meu coração dispara, e tudo em mim grita que isso não é real, que não passa de um acordo, um teatro bem ensaiado para proteger o que ambos mais temem perder. — Posso te ajudar em tudo, Eleanor.

Seu rosto se aproxima, e, antes que ele faça algo mais, viro a cabeça, deixando que o beijo acerte minha bochecha.

             — Eu volto mais tarde. Tchau, Aidan.

Saio apressada, sem esperar pela resposta.

            — Tá bom… até mais tarde.

Preciso de ar. De distância. De algo que me lembre quem eu sou fora desse acordo. Vou para a casa da Ariel — a única pessoa que consegue colocar minha mente em ordem. E, além disso, ela disse que quer me contar sobre o novo namorado. Se eu ficar mais tempo aqui, vou acabar confundindo ainda mais meus sentimentos.

Faltam 17 dias.

Faltam 17 dias

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