Eleanor McCormack

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Eleanor McCormack

              Abraço com força a almofada do sofá, como se pudesse amortecer mais uma vez a dor que arde no meu corpo. A última cintada ainda pulsa na minha pele como um lembrete cruel. Ren se senta calmamente na poltrona à minha frente, com meu celular mais uma vez em mãos.

               — Aqui, você mentiu. O dinheiro está todo aqui na sua conta. — Enterro o rosto na almofada, abafando o choro que escapa sem controle. — Vou transferir 150 mil para minha conta. Nosso combinado, pelo menos da minha parte… será cumprido.

Sinto a aproximação dele, o calor da sua presença me sufoca. Ele segura firme meu braço, me forçando a erguer o rosto. Está quente e vermelho, marcado pelos tapas que ele me deu. As lágrimas descem, molhando ainda mais minha pele, e embora cada parte de mim doa, meu corpo está mole, rendido, enquanto minha respiração tenta manter uma falsa calmaria.
            Ren enxuga minhas lágrimas com os dedos, e depois passa a mão, quase com ternura, sobre a vermelhidão no meu rosto.

              — Pronto. Já resolvi. — Ele deposita um beijo na minha cabeça. — Sobe, toma um banho gelado, tá? Vai aliviar a dor. Quer que eu te ajude?

O pouco de força que me resta se concentra num único gesto: cuspo no rosto dele. Ren vira o rosto devagar, como quem evita explodir. Enxuga calmamente, respira fundo e se levanta, ajeitando a mesinha que antes estava caída. Consigo vê-lo colocar novamente o cinto, como se aquilo fosse só mais um acessório, e não a arma que deixou meu corpo assim.
           Não digo nada. Só me encolho mais ainda, buscando abrigo na posição onde estou, sentada no chão, usando o sofá como apoio.

              — Eu vou pra casa descansar um pouco… depois irei pagar quem devo. — Ele se inclina e deposita mais um beijo, desta vez na minha bochecha. — Nos vemos amanhã no evento da empresa. Não deixa o Aidan te ver assim.

             Assim que ele passa pela porta principal, desabo. Meu choro é sufocado, desesperado, uma súplica muda. Mais uma vez, deixei isso acontecer. Tantas vezes tentei impedir… mas sempre se mostra inútil. Agora estou aqui, sentindo meu corpo fraco, à beira do desmaio, largada nesse chão frio. Levo a mão até as costas, e quando a trago à frente, vejo o sangue escorrendo entre meus dedos. Um soluço ainda mais forte me atravessa.
           Com esforço, estico o braço, pego o celular e ligo para o segundo número da minha lista de emergência. A voz animada do outro lado é como um contraste violento ao meu estado.

           — Oi, amiga! Que bom receber sua ligação, estava pensando em marcar sua despedida de solteira… O Kenny está aqui do meu lado e…

            — A… Ari… — forço a voz, lutando contra o choro.

            — Eleanor? O que foi?

            — Eu… preciso… preciso de ajuda…

            — Onde você tá?

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