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Aidan Gallagher

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Aidan Gallagher

(Dois dias depois)

Abro os olhos e a primeira coisa que vejo é Eleanor de costas, arrumando sua bolsa da faculdade. Hoje é segunda-feira e ela tem a prova do vestido. Vai ser um dia corrido para nós dois. Quanto àquela noite na banheira... não aconteceu nada além de conversas - importantes, íntimas, sinceras. Conversas sobre nós, sobre trabalho, sobre a vida. Foi o bastante.

- Vai se atrasar se continuar deitado - ela avisa sem me olhar.

Ontem passamos o dia inteiro grudados. Era como se nossos corpos tivessem a necessidade de permanecerem próximos. Um domingo de casal, sem de fato sermos um.

- Quanto tempo eu ainda tenho pra continuar aqui, esparramado? - pergunto, com preguiça.
Ela consulta o relógio.

- Cinco minutos, Aidan. - Estendo a mão para ela.

Assim que Ellie segura minha mão, puxo-a com delicadeza para a cama e a abraço. Ela me olha, sorrindo de canto, e beija meu queixo de leve.

- Vai virar costume isso? - pergunto, sentindo o calor do toque dela. - Não tô reclamando. Na verdade, tô até considerando adotar esse gesto.

- É mesmo? - Ela retribui o sorriso e beija meu queixo de novo.

- Um gesto de carinho sempre cai bem - digo, ainda com ela entrelaçada a mim.

- Concordo, senhor Gallagher.

Seguro sua mão com firmeza.

- Vou te levar para provar o vestido, mas antes preciso passar na empresa. Tudo certo?

- Tudo sim. Mas, agora você precisa se arrumar. Imediatamente.

- Isso foi uma ordem?

- Absolutamente.

---

Ao chegarmos à empresa, salto do carro e abro a porta para Ellie. Na entrada, já avisto meu pai, Harry e Ren conversando. O trio de empata logo cedo. Perfeito.

- Me dê sua mão, noiva querida - digo, com certo charme, e seguimos de mãos dadas até eles. - Bom dia.

- Bom dia. Vejo que o casal está melhor do que nunca - comenta Harry, sorrindo para Ellie. - Como vai, Eleanor?

- Bom dia, Harry. Estou bem, e você?

- Melhor agora com a sua presença - responde ele, olhando para mim logo em seguida - Com todo respeito, é claro.

- Eleanor, preciso conversar com você - diz Ren de repente. Ellie segura firme no meu braço.

- Agora não, pai. Estamos atrasados... não é, Aidan?

A atitude dela me pega de surpresa, mas concordo. Seguimos para dentro do prédio.

- Por que você não quis conversar com ele? - pergunto, curioso.

- Porque, provavelmente, ele ia pedir para você parar de vigiá-lo em relação aos jogos.

- Entendi... e você acha que ele ainda precisa ser vigiado?

Eleanor Mccormack

Penso por um instante. Meu pai realmente deveria parar de jogar. Já gastou o que não tinha. Já deve mais do que pode pagar. Mas, antes de quitar dívidas financeiras, ele me deve algo muito mais valioso: respeito.

- Sim. Ele me deve, no mínimo, esse respeito. Ainda mais considerando que vamos nos casar por causa dele.

Aidan encosta na parede do elevador e respira fundo.

- Desde o início, meu pai me empurrou para esse acordo por causa das dívidas... - continuo, sentindo um aperto no peito. - E mesmo que eu esteja começando a gostar de você, isso não diminui o peso do que ele fez. Nem o fato de ele se sentir inútil ou pequeno por isso.

Ele me olha com um sorriso calmo. Não entendo o motivo do sorriso logo depois de ouvir algo tão pesado.

- É muito bom ouvir que você gosta de mim. Faz eu me sentir... importante.

Dou risada.

Importante é pouco. Aidan mudou tanta coisa na minha vida com tão pouco. Nunca imaginei estar bem ao lado de um homem assim, não depois de tudo.

- Ah, um pouquinho só!

O elevador chega ao andar desejado e caminhamos até a sala dele.

- Só isso?

- Não. Muito importante - respondo, apertando sua mão. Ele sorri.

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- Fique com a postura reta, querida - orienta a costureira, enquanto ajusta os últimos detalhes.

O vestido é lindo. Quase perfeito. Perfeito demais para um casamento errado. Um casamento falso. Me olho no espelho e sinto um nó na garganta. Não há marcas visíveis no meu corpo, mas dentro de mim... algo incomoda profundamente. É difícil me ver vestida de branco com tantos fantasmas me olhando de volta.

- Ellie, gostaria de falar com você depois - diz Ana, do outro tablado, enquanto prova o próprio vestido. - Ariel pode participar, se quiser.

- Tudo bem pra você, Ari? - pergunto à minha amiga, que está sendo ajustada no vestido também.

- Claro, podemos tomar um café depois daqui. - Diz Ari.

- Ótimo - conclui Ana com um sorriso simpático.

Ana sempre foi gentil. É uma das responsáveis por muita coisa na empresa e foi uma das primeiras a me acolher. Agora estou curiosa. O que será que ela quer?

Faltam 8 dias.

Faltam 8 dias

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