Capítulo 43

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Pov Madalena

Um ano se passou. Exactamente um ano.
Faz um ano que conseguimos vencer o processo contra o hospital.

No entanto, o dia que podia ser feliz, era o de uma forma amarga. Vencemos uma guerra, mas perdemos algo muito mais importante: o nosso bebé.

Flasback

Saí do tribunal, arrasada. Acho que ali naquele momento percebi que perdi uma parte da minha  família. O meu avô colocou duas ordens em tribunal, uma de interdição parental ao meu pai, o que fazia que a Sofia e a Clara ficassem á guarda do parente mais próximo, neste caso seria ele.

A outra era uma ordem de restricao  para não me aproximar das minhas irmãs.  E ainda uma ação para a guarda da minha filha. Afirmando que já tinha fugido duas vezes após situações dramáticas, e que não era assim seguro a Maria da Luz ficar à minha guarda.

Quando chegámos a casa, Luz olhou para mim. Ela inclinou a cabeça de lado, como se algum de nós tivesse mudado algo fisicamente, e ela estivesse a tentar perceber o que tinha mudado em nós. Em apenas alguns segundos ela correu até mim e abracou-me. Não necessitamos de palavras, basta aquela simples troca de olhares.

E foi com a Luz ao meu colo, bem agarradinha ao meu pescoço, um Lucas também ele a tentar agarrar-se a mim, que quebrei por fim, e deixei as lágrimas caírem. Chorava por estar onde queria estar, mas também pelo que perdi.

O Diogo juntou-se ao nosso abraço ao fim de alguns segundos. E ali percebi que éramos uma família. Uma família que iria crescer.

Ei! Que tal irmos os quatro ver um filme bem agarradinhos na cama do papá e da mamã?O Diogo sugeriu.

Com pipocas?— perguntou o Lucas.

Porque não?— Sorri com o entusiasmo dos dois.— Que tal os três irem subindo, enquanto vou preparando as pipocas.— diz o Diogo.— Podem ajudar a mamã?— pergunta olhando para os dois...— Ela precisa de um bom banho e de uma roupa limpinha? Podem ser os ajudantes do papá e tratar da mamã?

SIM.— Gritaram os dois, animados.

Vamos mamã. Hoje vais ser o nosso bebé.— Diz a Luz, e lá fomos para o meu quarto.

Quando entrei no quarto os meus dois tesouros começaram a discutir entre elesxo que eu iria fazer primeiro. Luz dizia que ia preparar o meu banho, já o Lucas dizia que eu precisava de dormir. Acabei por intervir e dizer aos dois que fossem buscar  os pijamas e tomaram os banho os três juntos.

E assim foi, até que uma dor enorme, como se fosse uma cólica muito forte, porém assim como veio logo se foi. Continuei no banho com os meus filhos. Ao fim de um tempo saímos os três, e de novo nova cólica,uito mais forte. Peço aos meninos para se irem vestir, e volto de novo para a casa de banho, e aí percebi que estou a sangrar...estou a perder o meu bebé.

Saio da casa de banho e quer Lucas quer a Luz estão a dormir. Visto algo prático, pois sei o que me iram fazer no hospital e desço as escadas. Consigo ouvir a conversa entre o Diogo e a minha familia...

— Diogo, o que é que a Madalena vai fazer agora? Quer dizer...— e antes que a Mara continuasse a falar interrompo...

— Aquele homem não é o meu avô. Eu não conheço aquele homem. E eu vou lutar, eu vou ajudar a Tia Marta a ficar com as minhas irmãs. Não as vou deixar ficar perto daquele homem.

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