Capítulo 59

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Pov Madalena

Seis meses. 120 dias sem saber o que aconteceu.

Quando acordei tinha o Diogo ao meu lado, cabelo enorme, barba por fazer e umas olheiras que davam medo a quem olhasse para ele. Quando nos olhámos não foram precisas palavras, ambos sabíamos que a nossa Luz desaparecera. Ambos sentíamos como se algo nos tivesse sido roubado. E fora.

Flasback

— Filho, por favor.— Era a voz da Dona Dulce.

— Não vou sair daqui, parem de me chatear.— Ouvir o Diogo a falar assim com a mãe arrepiou-me...— Nena, volta para mim. Eu não consigo sozinho, por favor...— senti as lágrimas dele a molharem-me a mão.

Sempre as senti. Sempre ouvi o que me diziam. Mas a sensação de que enquanto estivesse de olhos fechados tudo poderia ser apenas um pesadelo mantinha-me presa naquele limbo. Mas naquele momento algo mais me fez perceber que desta vez teria que ser eu a segurar a porta para que a tempestade não nos destruísse.

— Filho, eu sei que estás a sofrer. Todos nós estamos. Mas ficar sem comer, sem dormir, não vai resolver nada. A Madalena vai precisar de ti, o Lucas precisa de ti e o David, é um bebé que não percebe o que se está a passar.

— PARA. PARA.— deixo de o sentir perto de mim, deve ter-se levantado ou talvez saído do quarto...— Eu não consigo...eu não...algo aqui dentro está partido e eu não consigo colar mãe. Falta ela...a peça do puzzle que nunca mais estará connosco...

— Não digas isso Diogo, não há pistas mas...— é o Sr. Rui, ele também está cá. Sei que estão a falar da Luz. Eu preciso acordar, preciso de lhe dizer que a nossa menina está viva, ela apenas foi levada...raptada por...

— É mais fácil para todos ,se aceitarmos logo o facto pai. A Luz sumiu, desapareceu, quem sabe não foi morta...temos que aceitar que...

— NÃO.— Grito e abro os olhos. Vejo os meus sogros, porém não o vejo a ele.

— Madalena...filha...

— Diogo...— chamo-o e num estalar de dedos ele está ao meu lado...

— Amor...Madalena...

— Ela está viva. Nunca deixes de acreditar, por favor.

— Amor, ninguém sabe o que aconteceu. Não há uma pista que nos leve a ela...

— Para.— Estamos os dois a chorar...a dor é imensa, mas não posso deixá-lo pensar que a nossa menina está...morta...porque ela não está...— Ouve-me, sei que é difícil, mas acredita em mim: a nossa Luz vai voltar.

— Eu...não sei se consigo...e se...

— Ela está viva. Não sei se ela estava magoada, mas eu ouvi-a a chamar por mim, então eu sei que ela está viva. 

— Tu viste quem a levou? Tu sabes...

— Não, eu estava meio inconsciente já...não consegui perceber bem as feições, mas sei que era um homem.

— Eu vou ligar à polícia, eles têm que saber disso...— diz o meu sogro, enquanto o Diogo continua a chorar.

— Amor...

— Eu queria acreditar, mas...já se passou tanto tempo...duas semanas Madalena. E não há pistas nenhumas, ninguem nos contactou...nada.

— Eu sei que é difícil, mas eu vou acreditar por nós dois. Vou ser aquela que te segura quando a saudade apertar muito, vou ser aquela que te vai lembrar todos os dias que iremos ter a nossa menina de volta.— chorámos os dois juntos, deixámos as lágrimas escorrerem livremente como se fosse a forma de nos libertar da dor. E ficámos ali durante não sei quanto tempo...juntos, na dor e na esperança.

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