Livro 2 - Duologia "Caminho"
5 Anos...de um caminho incerto.
Um tempo de alegrias e tristezas. fugi com uma única certeza: fazer de ti a menina mais feliz que eu pudesse.
Mesmo não te podendo falar sobre o teu pai, ou da nossa família que ficou par...
— Podes recuar um pouco?! Para a parte do "nosso bebé"...
— Eu estou grávida Diogo. Sei que não foi planeado, mas...
— Nós vamos ser pais de novo?— aceno, já com lágrimas nos olhos...— Desta vez tem que ser um rapaz. Eu tenho que ter mais um rapaz para me ajudar.
E assim nos abraçamos, a rir e a chorar.
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Pov Madalena
Estávamos tão na nossa bolha de felicidade, que nem nos apercebemos que o Martim tinha saído do consultório. Sentámo-nos os dois, eu ao colo do Diogo, e ficamos ali apenas a assimilar o facto de uma nova vida vir a caminho.
Olho para o Diogo, e vejo os olhos a brilhar. A mão dele ainda não saiu do meu ventre, é como se ele o fizesse algo pudesse acontecer. Depois da Luz desaparecer, o Diogo viveu cada gravidez como se algo pudesse acontecer. Eu quase não podia sair de casa, aliás quase não podia sair da cama. E sei, que se não falar com ele sobre tudo o que sinto neste momento, nunca o vou conseguir fazer.
— Diogo, nós precisamos de falar.— digo-lhe dando-lhe uma leve festa na face.
— Eu estou tão feliz. É mais um pedacinho nosso que está aqui.
— Diogo. Olha para mim, eu preciso de falar contigo...sobre a Luz.
— Sobre a Luz? Souberam alguma coisa? O teu pai acordou? Ou foi...
— Diogo, respira. O meu pai continua nos cuidados intensivos, pelo menos foi a unica coisa que me disseram.
— Então, se não há nada de novo...— abraço-o e dou-lhe um beijo. Ele tende a ficar ansioso cada vez que falamos sobre a nossa menina.
— Eu...eu quero parar de viver assim.
— Como assim? A viver como? Madalena, não estou a perceber.
— Diogo, já pensaste que podemos estar a correr atrás de algo que já não existe? E se a Luz...se a nossa menina já não estiver...viva?— ele levanta-se comigo ainda no colo, coloca-me no chão e vai até à janela.
— Tu queres desistir? Queres simplesmente desistir da nossa filha, é isso?
— Não, Diogo...
— É isso sim. Tu simplesmente queres "mata-la" e continuar a viver a tua vida.
— Eu amo a Maria da Luz. Só não consigo mais viver nesta ilusão...
— Então o mais fácil é pensar que ela morreu. Porque para ti é mais fácil...
— Eu...quero...eu...— Não consigo dizer nada.
Sei que parece horrível, que parece que estou a desistir da minha menina, mas eu não aguento mais viver assim. Nesta ansiedade constante, nesta roda viva de detectives que desistem passado uns meses, na corrida atrás de pistas que não nos levam a lugar nenhum.