Livro 2 - Duologia "Caminho"
5 Anos...de um caminho incerto.
Um tempo de alegrias e tristezas. fugi com uma única certeza: fazer de ti a menina mais feliz que eu pudesse.
Mesmo não te podendo falar sobre o teu pai, ou da nossa família que ficou par...
Olho para a pequena bebé sentada a brincar com os primos, alheia à possibilidade de ter perdido a mãe. E única coisa que me passa pela cabeça neste momento é o meu pai.
É estranho pensar nele. A pessoa que nos magoou às duas, ser a pessoa que eu queria ter junto de mim neste momento. Mas, apesar de tudo que ele me fez, é meu pai, e eu amo-o.
Fecho os olhos, e rezo: "Pai. Se me ouvires, por favor reza pela Lu. Nós não a podemos perder. Apesar de tudo, sei que dentro de ti, tu ainda nos amas."
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Pov Pedro (Pai Madalena)
Desde o dia que acordei, a minha vida tem sido difícil. Não me julguem ainda, sei que tenho que agradecer a Deus por estar vivo. Sei que talvez nestes anos todos tenha feito muita coisa errada, mas a dor, a culpa que sinto, atormenta-me.
Nada nos prepara na vida, para o que vivemos. Ver a minha menina deitada numa cama, com tubos, toda machucada, hematomas por todo o lado. Saber que aquele animal fez o que fez à minha filha! Eu não aguentei. Eu queria vingar-me. Eu queria bater-lhe tanto ou mais. Sim, eu fiquei cego de ódio.
Os meus pais tentaram acalmar-me, o Luís tentou que eu pensasse na Madalena e na Maria, que sofria tanto ou mais do que eu. O Vasco, que entretanto chegara, dizia que iríamos até às ultimas consequências na justiça. Que ir ter com miúdo e vingar-me com as minhas próprias mãos, apenas iria criar um outro problema.
Mas, não conseguia pensar em mais nada. Acabei por sair do hospital com um único propósito. Maria veio atrás de mim. Ela não queria que eu fosse naquele momento, estava com medo: medo de perder a Madalena, medo de eu me enfiar no carro naquele momento, nervoso e inquieto.
Flashback
Saí daquela sala, eu precisava de ar, de respirar. Parecia que o meu peito ia rebentar. Ódio, desespero, raiva, tristeza, ira, agonia, culpa. Era uma mistura de sentimentos. Estava zangado comigo mesmo, com a Maria, conosco como pais. Devíamos ter acabado com aquele namoro, nunca o deveríamos ter aceite. Nós sabíamos que aquele miúdo não era flor que se cheirasse. Mas, sempre confiámos na Madalena. Será que não foi apenas esta sova que ela apanhou? Será que ele já lhe tinha batido antes?
— Pedro. Por favor não faças nada agora. Estás de cabeça quente.
— Nós errámos Maria. Nós falhámos com a Madalena...porra...ela...ela pode ter apanhado antes, e nunca nos ter contado. Quem sabe o que aquele animal lhe fez antes disto.
— Não. Pedro, a Madalena contava-nos, ela não ia esconder algo tão grave...ela não ia.
— Como é que podemos ter a certeza Maria? Ela sabia que nós não gostávamos do namoro. Sempre lhe dissemos isso. Será que ela não escondeu? Eu já não sei nada.