Capítulo 65

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Pov Madalena

Depois do Diogo sair ficamos mais um pouco na cozinha. A Dona Dulce, ficou a fazer planos sobre o que iria fazer com os netos. O Sr. Rui sorria com o entusiasmo da esposa. Eu, apenas olhei para toda aquela alegria e olhava para a Luísa. Não queria estragar aquele momento, porém, sabia que tudo poderia correr mal. O nosso David não gostava muito de mudanças, e por vezes reagia mal.

— Madalena.— A Luísa sussurrou-me.— Tens que...— fiz-lhe apenas um sinal que logo percebeu que não era para continuar. 

— Eu vou-me arranjar. Quero estar pronta quando os meninos chegarem...— digo.

— E eu vou falar à Mara, quero os meus netos todos juntinhos.— diz a minha sogra, tão animada.

— Nena.— A Luísa volta a olhar para mim. E apesar de me sentir mal em estragar a felicidade da minha sogra, sei que tenho que falar.

— Dona Dulce, sei que gostava de ter todos juntos, mas...— olho para a minha irmã, depois para o meu sogro e finalmente de novo para a minha sogra...— O David precisa de uma certa rotina, e de...calma.

— Mas...é apenas a Mara, e os meninos...

— Eu sei, mas ele não está habituado convosco. E muita confusão vai acabar por o agitar e provocar uma crise, e...ele não está habituado a muita confusão e...a pessoas que lhe são de certa forma "estranhas".

— Estranhas?! Eu sou a avó...nós somos avós. Não somos estranhos.

— Dona Dulce, eu não quis...O David é diferente, para ele...

— Não, Madalena. Eu já percebi, o meu neto pode ficar com a tua tia enquanto vens cá para casa. Mas comigo, connosco que somos avós ele não pode porque somos "estranhos". Porque será que somos estranhos? Nunca estamos com eles, nem o Lucas que nasceu nesta casa conseguimos ver mais...

— Dona Dulce eu...

— Não, já percebi. — e com lágrimas na cara ela sai da cozinha, não sei o que dizer, nem o que fazer. Não queria criar problemas, mas só fiz pior. Devia ter deixado ela fazer os planos, e depois logo resolveria o que fazer.

— Eu...eu não quis...— lágrimas já me corriam pela cara.

—  Calma, Madalena.

— Eu não vos quero afastar dos meninos, vocês são os avós, os únicos que eles têm neste momento. Eu só tenho medo do que toda essa confusão que sei que vai haver possa fazer ao David. Ele já não está estável, e...

— Tu és uma mãe maravilhosa Madalena. O meu filho tem muita sorte em te ter, o Lucas não podia ter uma mãe melhor do que tu, e sei que o amas como amas os teus.

— O Lucas é meu filho. Não tem o mesmo DNA, e nem precisa de ter. Ele é meu, ele nasceu no meu coração assim que o conheci e me perguntou se eu ia ser a mãe dele.

— Eu sei. E estamos gratos por o teres recebido dessa forma. Ele é um menino especial, que sofreu o que nunca deveria ter sofrido tão pequeno. Agora deixa-me ir falar com a minha mulher. E não te preocupes, no fundo ela sabe que tudo o que lhe disseste é apenas cuidado de mãe.

— Podemos combinar jantar com a Mara e os meninos amanhã? O que acha? Assim ele habitua-se primeiro a vocês, ao espaço.

— Se achas que não prejudica o meu neto? Se achares melhor seremos apenas nós.

— A Dona Dulce que combine o jantar para amanhã, algum problema estamos cá para o resolver.

— Combinado. E como vai ser quando eles chegarem? Será que ele vai ficar bem connosco?

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