Capítulo 62

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Pov Madalena

Estamos de saída de Lisboa para Coimbra. A despedida foi difícil, principalmente do David. Tive que lhe explicar uma dúzia de vezes que eu e o pai íamos ajudar a Tia Mara, no hospital onde trabalhava, a tratar de um menino que estava muito doente. Não gosto de lhe mentir, mas a conselho da Elsa não lhe contamos a verdadeira razão para não lhe criar ansiedade.

Depois de quase oito anos, estava a voltar para a cidade de onde tenho as piores e as melhores recordações: o coma do meu pai, o descobrir o que o Ricardo me tinha feito em Lisboa, o reencontro com o Diogo e a nossa paixão, a minha fuga para Espanha. Mas o que mais me marcou em Coimbra: a noite em que nos entregamos pela primeira vez, a noite em que a nossa Luz foi gerada.

— Em que tanto pensas?— Pergunta-me o Diogo.

— Apenas em tudo o que vivi em Coimbra.

— Lembro-me de alguns muito bons.— diz o Diogo com um olhar meio atrevido.

— Eu também. Como as partidas que eu e a Rute fazíamos a Ana, ou como a tua irmã a chamava a "PiraAna".

— Espera eu ainda estou na parte das partidas. A Rute, a minha ratinha, a pregar partidas?!— pergunta um Diogo completamente de queixo caído.

— Admirava-me se a Madalena não aprontasse.— Diz a Luísa...— O que gostava que  me tivesses tido antes foi o cognome da Ana, porque PiraAna é só genial.

— O cognome e da responsabilidade da Rute...

— Por isso sempre gostei da Rute, genial.

— Eu lembro-me do nosso reencontro. Foi meio "confuso".— respondo.

— Confuso?! A tua irmã nem se lembrava de mim. Que já nos conhecíamos de antes...

— Como assim? Sempre pensei que vocês se tivessem conhecido por seres amiga da Rute.

— Cara Luísa, acho que o restante caminho vai ser a ouvires a nossa história. A história moderna de "D. Pedro e D. Inês".— e assim o meu esposo começou a contar a nossa história, deixando algumas partes de fora.

Quando demos por isso estávamos a chegar a casa dos pais do Diogo. Pensámos ficar num hotel, até porque a Luísa veio connosco e não queríamos impor a sua visita, mas a D. Dulce insistiu. Ela disse que sentia a casa vazia sem os seus filhos.

— A vossa história tem que ser escrita e imortalizada num livro.— diz a Luísa...— Sério...

— Quem sabe um dia.— respondo.— Chegámos, finalmente.— Paramos o carro, e logo estamos á porta, onde os pais e a Rute nos esperam. Bem a Rute, simplesmente correu para mim e abraçou-me, o que quase no fez cair...— Rute.

— Meu Deus que saudades tuas. Desculpa não ter ido ver te a Lisboa, principalmente quando a...bem tu sabes, mas..

— Ei. Nem comeces, sei que a gravidez da Teresinha não foi das mais fáceis. Não tens nada que pedir desculpa.

— Mas eu senti-me tão mal.

— Esquece isso. — Digo-lhe e abraço-a de novo...— E onde estão os meus sobrinhos, quero conhecê-los.

— Eles estão lá dentro, o Tomás ficou a acabar de os vestir.

— Madalena. Como estás minha querida? Não trouxeram os meus netos?

— Mãe, já te tínhamos dito que o Lucas tinha aulas...

— Mas o David e a Ritinha podiam ter vindo.

— Nós ainda pensamos trazê-los. — digo para a minha sogra que está com um bico muito parecido com o do Diogo...— Mas, o David está a começar a estranhar lugares que não conhece bem, e trazer a Ritinha sem o trazer a ele ia ser complicado.

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