Capítulo 58

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Pov Diogo

Hoje o dia na clínica tem sido um dia em que não consigo parar. Mas ainda tinha uma noite inteira de trabalho no hospital. Sim, acabei por voltar para o hospital público. A adrenalina das urgências sempre me fascinaram. E apesar de ter três filhos, tinha também uma esposa que me compreendia perfeitamente. Aliás fora ela que me tinha incentivado a voltar. A Madalena era a mulher perfeita para mim.

 Os horários tinham sido acordados logo de início: dois dias por semana de consultas da parte da manhã e apenas dois plantões por semana. Aos fins de semana não vinha para o hospital a não ser que algum dos meus pacientes tivesse alguma emergência.

Hoje era dia de plantão e parecia que todos decidiram adoecer no mesmo dia. Desde que entrara no hospital não tinha conseguido parar. Porém quando vi a chamada da Madalena, assustei-me, ela nunca me ligava em dias de plantão, a não ser que tivesse acontecido alguma coisa aos miúdos. 

 — Madalena, amor, passa-se alguma coisa?

"— Diogo, estou a ir para o hospital, o Lucas não está bem..."

— Não melhorou? Mas porque é não nos ligaram. Eu pedi à professora, eu disse-lhe...

"— Diogo, não interessa. Ele não está bem, já liguei à Dra. Carla, ela está à nossa espera."

— Tudo bem. Eu estava a entrar num procedimento, mas vou pedir ao Marcos que me substitua...

"— Desculpa..."

— Não tens nada que pedir desculpa. Juntos sempre, lembras-te?

"— Sim."— de repente ouço-a falar com a Luz..."— Luz, fala com o teu irmão, não o deixes dormir. Lucas diz Oi ao pai..."— ouço um "Oi" fraquinho...

— Oi campeão. Não durmas, sei que é difícil, mas respira devagarinho como te ensinei, lembras-te?- ouço o Lucas a dizer um "sim" e a tentar contar enquanto respirava.

"— Amor faz-me um favor, liga à Tia Marta para ela ir aí ter. Não quero que a Luz e o David fiquem aí muito tempo."

— Tudo bem.— um aperto no coração faz-me parar no meio do corredor...— Madalena, vem devagar por favor.

"— Devagar?! Diogo o Lucas está quase sem respirar, achas que ir devagar é uma opção."

— Pelo menos liga os 4 piscas? Tem cuidado por favor.

"— Não te preocupes, eu tenho os piscas ligados desde que saí do colégio dos miúdos. Ate já, estou perto"

— Até já.— a sensação de aperto não passa.

— Doutor Diogo!? O paciente já está a ser preparado.

— Hã!!! Ah, pois. O Marcos, está por aí?

— Sim, ele estava no quarto 205.

— Ok. Não comecem a anestesia sem eu autorizar. Já volto.— corro até ao quarto 205, e espero que o Marcos me possa substituir...— Marcos.

— Dr. Diogo? Romão, este é o doutor Diogo, o médico de quem eu lhe estava a falar.

— Boa Tarde Dr. Diogo, o Dr. Marcos acabou de me dizer que o doutor era o melhor médico do hospital.

— Boa Tarde, agradeço o elogio, mas nem é de todo verdade.— volto a olhar para o Marcos, não me posso demorar a Madalena deve estar a chegar, para além de ter o meu paciente deitado numa maca à espera de ser ou não operado...— Desculpa interromper, mas precisava de uma ajuda.

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