Capítulo 60

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POV Madalena

A minha gravidez estava a correr bem, estava de seis meses, e seria uma menina. O David e o Lucas ficaram radiantes quando souberam que iriam ter uma irmã. O Lucas graças a Deus estava recuperado, ainda tinha algumas restrições como os esforços físicos, mas já conseguia brincar com os amigos. E o meu bebé, bem já não era tão bebé, três anos de pura energia. Ele era um nosso mini furacão, onde ele estava não havia sossego.

O Diogo, o meu amor, no início da gravidez ficou assustado, ele achava que não conseguiria ser um bom pai, não depois de tudo o que acontecer. Hoje era o primeiro a ficar rendido cada vez que a Maria Rita dava um pontapé na barriga. Foram meses até que ela nos desse o vislumbre do que seria. Ainda me lembro do dia da ecografia, fomos os quatro, fiz questão que o Lucas e o David estivessem connosco em todas as consultas.

E de certa forma a nossa Luz também estava. O meu príncipe fez questão de levar com ele um peluche que Luz amava. Desde o dia que voltou para casa depois de meses no hospital ele dormia com aquele peluche. Quando se sente mais triste, ou mais cansado, corre para o ir buscar. E desde a primeira consulta, éramos nós os quatro e o dito peluche.

Flashback

Hoje tinha mais uma consulta com a tia Luísa. O Diogo fez-me comer quase meia tablete de chocolate, ele dizia que tinha lido que faria o bebé se mexer. Eu apenas me ri, e escondi o chocolate quando ele saiu da cozinha para ir ver do David que o chamava insistentemente.

— O pai quer pôr-te é gorda mãe.

— Eu já me sinto uma baleia, o teu pai quer é que vire um cachalote.

— Amor, vamos embora.— passou a mão na minha barriga.— É hoje que vamos ficar a saber. Comeste o chocolate? Talvez seja melhor comeres outro.

— Diogo. Se me voltas a mostrar uma tablete de chocolate eu juro que te envio pela tua goela a baixo.

— Pai, a mãe acha que está a ficar igual a um cachalote.— diz o Lucas a rir.

— Estás o cachalote mais lindo deste mundo todo.— fiz cara feia para ele...— Eu amo-te muito.

— Eu te digo. Vamos.— vou até ao David...— David, vamos ver o bebé.

— Ver o bebé da mamã?

— Sim vamos ver se vai ser uma mana ou um mano, sim?

— É uma mana...mana...mana..mana.

— A mamã sabe que queres uma mana. Vamos ver a mana?

— Sim.Colo?

— A mamã não pode, vais ao colo do papá, sim?

— Não. Mamã, colo mamã. Por favor.

— David. A mãe não pode, vens ao colinho do papá, sim?

— NÃO. Mamã...quero colo mamã.— Sento-me no sofá e pego no meu pequeno.

— Tudo bem príncipe, a mamã dá colinho.

— Madalena, vamos nos atrasar...

— E depois, a minha médica é a Tia Luísa. Eu não vou deixá-lo ter outra crise de ansiedade.

— Temos mesmo que falar com a psicóloga. Estas reacções não são normais.

— Eu sei. Já pensei em tanta coisa, que até estou com medo da minha cabeça.

Assim que o David adormeceu ao meu colo, o Diogo pegou nele e levou-o para o carro. Há cerca de duas semanas, que a professora do David nos chamou, pois começou a ver nele alguns comportamentos diferentes. Ele já não brincava com os os outros e isolava-se, no refeitório o David simplesmente fechava os olhos e tapava os ouvidos, e dizia que estava a doer.  Como pediatra alguns destes sinais, alertaram-me de imediato, e estamos neste momento a ser acompanhados por uma psicóloga.

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