Pov Madalena
Quando entro no quarto, o meu mundo cai. O meu pai, aquele homem forte, que sempre me abria os braços, com um sorriso de orelha a orelha, estava deitado na cama sem cor, quase sem vida.
— PAI...— grito assim que consigo fazer o ar circular de novo...— Pai...pai fala comigo. Acorda pai...por favor...— de repente vejo a Luísa do outro lado, dos olhos dela caem lágrimas, ela olha para mim e para o nosso pai.
— Nena...o que é que o pai tem? Porque é que ele não acorda? Pai, pais acorda, somos nós, a tua Nena e a tua Lu. Pai...
Vejo pelo canto do olho o Diogo a aproximar-se de uma mesa que ali estava perto. Ele está de costas, não consigo ver o que ele está a ver. Continuo a tentar acalmar a Luísa, enquanto também me tento acalmar a mim.
— Madalena. Amor...— levanto o olhar por um minuto...— Ele está dopado. Bem dopado, nem sei como é que ele ainda está a respirar com a quantidade de medicamentos que tem no organismo. Olha para isto...— e começa a mostrar-me. O meu para estava a tomar relaxantes musculares, Cetamina e Morfina.
— Ele está sedado?!— digo incrédula.
— Eu diria que ele está mesmo drogado. Temos que chamar uma ambulância, não sei o que mais o teu avô lhe deu.— Chega-se perto do meu pai e tenta perceber a pulsação.— A pulsação está calma mas está fraca.
— Nena, ele vai...morrer...o pai ele vai...— A Lu pergunta, com o olhar tão assustado, tão cheio de medo.
— Não sei Lu, acho que chegámos a tempo. Mas o pai está com medicamentos muito fortes, e...
— E...
— Lu, mesmo que ele sobreviva, o pai pode...ele pode não voltar a ser o pai que conhecemos.
— Como assim? Madalena...
— Lu...ele pode...pode acordar diferente. Os medicamentos são muito fortes, e não sabemos há quanto tempo ele os está a tomar. Pode ter prejudicado muita coisa...
— Já chamei a Ambulância, a emergência médica deve estar a chegar, vou lá para baixo esperar...
— Diogo...o meu...aquele homem ainda está lá em baixo?
— Não. Ele foi-se embora, assim que ouviu o teu grito.— Aceno e o Diogo sai do quarto.
Após aquele momento, tudo é muito corrido. O Médico chega, o Diogo explica o que sabemos, assim que o médico olha para o Diogo, eu percebo que é mais grave do que poderíamos esperar. E quando ouço chamar a ambulância para um código de urgência máxima, eu quebro, pela primeira vez. Sei naquele momento que podemos perder o meu pai. Agarro na minha irmã, de certa forma a tentar protegê-la do que nem eu sei me proteger.
Quando a ambulância chega o Diogo leva-nos às duas para a sala. Sentamo-nos as duas no sofá, a Luísa agarrada a mim. Tento acalmar-me, por mim e pela minha irmã que está completamente descontrolada. Vejo o Diogo ao telemóvel, não sei bem a falar com quem. Talvez o Martim ou a Mara. Talvez com os meus sogros. Sinceramente naquele momento nem quero saber.
Passado alguns minutos que parecem horas, vemos a maca com o meu pai descer as escadas. Ela está ligado a um ventilador e cheio de fios. A Luísa esconde-se nos meus braços, e de repente sinto-a simplesmente mais pesada.
— LU...LUÍSA....— Grito pela irmã...— Luísa, por favor não me faças isto de novo...acorda Luísa...
— Ela já teve este tipo de desmaio?— pergunta o médico que entretanto chega perto de nós.
— Ela teve em coma há uns anos, um acidente de carro. Mas ela teve alta médica, nunca mais teve nada...tenho a certeza que foi apenas emocional.— Diz o Diogo.
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O Nosso Caminho
RomanceLivro 2 - Duologia "Caminho" 5 Anos...de um caminho incerto. Um tempo de alegrias e tristezas. fugi com uma única certeza: fazer de ti a menina mais feliz que eu pudesse. Mesmo não te podendo falar sobre o teu pai, ou da nossa família que ficou par...
