POV Diogo
Tudo estava bem até vermos o avô da Madalena. Odeio aquele homem cm tudo o que sou. Nunca mais me esqueci do que ele disse à Madalena naquele tribunal em Espanha. A Madalena simplesmente petrificou, não reage.
— Madalena...vamos embora.— diz a Luísa com um olhar de medo. Porém, ela continua sem se mexer, sem dizer nada.
— Madalena. Madalena. Amor, vamos embora. Podemos voltar noutro dia.
Continua sem reagir, não há som, não há movimento. Nada. É como se tivesse virado uma estátua, fria e rígida. De repente olho para os seus olhos, lágrimas caem como cascata, silenciosas demais. Nessa altura, a Luísa começa a hiperventilar, é nítido o pânico em que está.
— Madalena, vamos embora.— e continua a puxar uma Madalena que continua presa ao chão.
— Luísa, ela está em choque. Não vale a pena puxares dessa forma.
— Temos que ir embora, antes que ele nos veja. Madalena, vamos embora.
— Luísa, para. Ela não te ouve.— e foi nesse momento que ouvimos a voz dele.
— Nena?!— estão olhos nos olhos. Nenhum dos dois diz mais nada. Apenas o olhar fixo, como se conseguissem falar apenas pelo olhar.
— Madalena, vamos embora...por favor.— E mais uma vez a Luísa puxa a Madalena, ela está com medo na voz.
— Não.— Ouvimos por fim a Madalena dizer. Caminhou até àquele homem, e o que se passou a seguir foi tão rápido que nem eu nem a Luísa estávamos à espera. Só consigo ver a mão do meu amor a voar na direcção da cara daquele homem.
— Nunca mais digas o nome da minha mãe. Nunca mais.— As lágrimas naquele momento eram um rio imenso, sem comporta que aguentasse o seu rumo.— És um monstro...como pudeste...como?
A Madalena começou a falar sobre algo que se tinha lembrado. Não percebi bem do que se tratava, apenas que foi algo que o avô fez á mãe e que ela presenciou. Percebi que foi algo que ela apagou da memória recente. Algo traumatizante, e como era criança, foi talvez colocado algures bem fundo das suas memórias. Em crianças pode acontecer, principalmente se associada a essa perda houver algum trauma, algo que a fez simplesmente apagar essa memória. Eles continuam a atacar-se. A Luísa está tão perdida como eu.
— O que é que o avô fez à mãe? Nena...— O pânico que a Luísa sentia, virou raiva, ira.
— Eu não fiz nada à vossa mãe. A Madalena está delirar.— Ele responde, virando costas e caminhando um pouco mais para o centro da Sala. E ao contrário do que eu pensava, vejo a Madalena a caminhar para perto dele. Como se a qualquer momento ela o fosse atacar.
— Eu não estou. Eu lembrei-me. Não sei porque é que aquela imagem simplesmente desapareceu, mas ela voltou. Tu...tu estavas a tocar na mãe, ela pedia-te para parar, mas tu não a ouvias. Até que a mãe percebeu que eu estava ali. Eu devia ter uns 5 anos.
A Luísa fica em choque ao ouvir aquilo, ela simplesmente dica a olhar da Madalena para o avô, e de novo para a Madalena. Tentando entender qual dos dois dizia a verdade. Mas, eu sabia. Sabia que se a Madalena estava a dizer aquilo, era a verdade. Não deixava de ser monstruoso, nojento. E agora percebo o porquê da Madalena pequena ter simplesmente apagado aquela imagem. Eles continuam a discutir, com uma Luísa simplesmente atordoada com tudo. Ele continuava a negar, e a Madalena continuava a revelar mais e mais da história.
— A tua imaginação é brilhante Madalena. Agora que já me ofendeste podes por favor sumir da minha frente.
— Eu...nós viemos ver o nosso pai. E não vou sair daqui sem o ver, e depois logo veremos quem está a imaginar.— ela diz firme e convicta do que dizia.
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O Nosso Caminho
RomanceLivro 2 - Duologia "Caminho" 5 Anos...de um caminho incerto. Um tempo de alegrias e tristezas. fugi com uma única certeza: fazer de ti a menina mais feliz que eu pudesse. Mesmo não te podendo falar sobre o teu pai, ou da nossa família que ficou par...
