Capítulo 49

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Pov Madalena

Uma semana. Sete dias se passaram. 168 horas.

Foi este o tempo que passou desde aquela tarde. Desde o dia que o Paulo nos chamou, para dar a conhecer os resultados dos testes que fizeram à Lu. E deste esse dia, que esperamos, e rezamos por um milagre.

Flashback

Já no final da tarde, tocam á campainha. Quando abro vejo o meu tio...

— O pai do Gustavo ligou. O Paulo chamou-nos, já fizeram os exames...—  Sinto o Diogo a abraçar -me.

— Vai. Eu fico em casa com os três.— não consigo pensar, muito menos andar. É como se tudo tivesse congelado, e o tempo tivesse parado.

— Madalena, sei que estás nervosa, talvez com medo...— diz o Diogo.

— Medo!? Medo é um eufemismo.

— Nena nós também estamos. A tua tia está ali no carro, sem conseguir dizer uma palavra. Mas, temos que ser fortes. Ela já conseguiu respirar sozinha ontem, estamos no bom caminho, temos que ter fé.

— Eu...eu vou buscar a carteira. Já desço...Ursão, obrigado. Por tudo.

Num instante pego a mala, despeço-me de Luz e de Lucas, pedindo que ajudem o pai a tratar da nossa pequena. O que eles logo dizem que sim. Quando chego ao carro, apenas abraço a minha tia, e ambas deixamos o nosso receio de tudo dar errado sair para fora.

O caminho para o hospital é feito em silêncio, não por não termos nada para dizer, mas porque se o dizermos em voz alta, pode tornar-se real. E podem ter a certeza que qualquer uma das pessoas que vai neste carro tem medo que o que está a pensar se torne real.

Quando chegamos ao hospital, consigo ver o pai do Guilherme à porta, a fumar. Parece nervoso. O Ursão para o carro e saímos do mesmo. Espero pelos dois e seguimos até ao Sr. Fernando. Quando nos vê, dá mais alguns dragos no cigarro , apaga-o e deixa-o no cinzeiro.

— O Dr. Paulo estava á vossa espera para falar com todos ao mesmo tempo. 

— Sabe que aquilo...— digo e aponto para o cinzeiro onde ele deitou o cigarro apagado...— lhe faz mal, certo?

— Eu sei, e não contes a ninguém. O meu cardiologista já me proibiu, e se a minha Gabi souber, fico a dormir no sofá durante os próximos meses.

— Proibido pelo cardiologista?! Arritmia ou Ataque Cardíaco?

— Os dois na verdade. Por favor, não lhe digas nada, estou nervoso, e aquilo...— agora é ele que aponta para o cinzeiro...— Acalma-me os nervos.— fico a olhar por uns segundos, e consigo percebê-lo. Fomos falando e caminhando, para o consultório do Paulo, com os meus tios mesmo atrás de nós.

— Eu não vou dizer nada. Mas, prometa-me que não vai fumar mais...aliás...— estico a mão, e ele olha da minha mão para mim...— O maço, quero o maço nas minhas mãos. E estou a falar como médica agora.

— Sabes, acabei de descobrir algo semelhante entre ti a Lu: a mania de mandar nos mais velhos.

— Eu não estou a mandar. Eu estou a exigir que me entregue o maço, como médica e cunhada do seu filho, é para seu bem.

— A Lu, costumava dizer mais ou menos o mesmo. "Estou a dizer-lhe isto, como sua filha, nora e mãe da sua neta."

— Consigo imaginar a Lu a dizer isso. Bem, vamos entrar. O Paulo já deve estar à nossa espera.

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