Capítulo 54

73 12 13
                                        

Pov Luísa

Vozes...estou a ouvir vozes.
Será que pode ser ela? Ou estou a sonhar ainda?

Não é ela. E a Madalena, é ela tenho a certeza. Cinco anos sem a ouvir, parece uma eternidade, mas é muito mais que isso, é uma vida.

- ...Ás vezes penso que se ela tivesse sobrevivido ao acidente a minha vida era tão diferente do que é.- Ela acha que tudo seria diferente?...- Estaríamos ainda felizes em Lisboa, os sete juntos...- Sim teríamos a nossa mãe, mas será que seríamos felizes?

- E já pensaste que se nada tivesse acontecido, não tinhas conhecido o Diogo, a Luz não existia, talvez ainda estivesses com o tal de "Richi", sem saber a peste que ele era.- A minha tia tinha razão. Poderíamos estar os sete juntos, mas nem a a Nena conheceria o Diogo, nem eu o Gui.

- Será que o pai não tem razão? Será que a culpa de tudo o que aconteceu não mesmo minha? - Não. Não Nena. O acidente foi apenas isso,um acidente.- Para piorar Eu menti ao pai, namorei com o Diogo às escondidas, engravidei e fugi.- Ainda bem que o fizeste, porque o avô ia fazer contigo o que tentou fazer comigo.

- Escondi-me de toda a gente...eu...tudo isto é minha culpa Tia. Se eu não tivesse fugido, se eu tivesse confiado em ti e no Tio.- Para...para. Tenho que conseguir abrir os olhos. A Madalena tem que saber o que se passa com o pai. Fugir foi o melhor quevela fez.

- Tudo...seria...igual...- finalmente consegui ouvir a minha voz. Tentei abrit os olhos devagar e vi-a, a minha Mada, a minha irmã.

- Lu...Lu, tu acordaste. Ah Meu Deus...tu acordaste.- Era tão bom ouvir a esta voz, olhar nos seus olhos de novo. Nunca percebi, até este momento as saudades que eu tinha dela.

- Não quero...nunca mais...que te...culpes.- digo devagar.

- Não fales.- diz-me.- Não podes esforçar-te.

- Água...por...favor.- Eu tinha que falar com ela, mas a minha boca estava seca, muito seca.

- Não fales Lu, ainda estás fraca. Por favor, tenta descansar.

- Onde...está...o Gui? E a minha...bebé? Onde...eles...estão?- Não os vejo ali, e começo a juntar os pedaços de memória que me vêm. Se eu estou numa cama de hospital, o que é que aconteceu com eles.

- Ei! Calma. O Guilherme e Maria Margarida estão bem. Fui eu que atendi a tua bebé...- sorrio, pois se foi a Madalena que a atendeu, sei que ela está bem...- Nem sabia que era minha sobrinha. Só quando fui ver como estava a mãe dela é que...o meu coração parou por segundos Lu.

- Onde...estão?

- Estão bem, estão na minha casa. O Gui fracturou um braço, mas já está bem. E tua pequena teve alguns arranhões e um pequeno hematoma.

- Então...estão...mesmo...bem?

- A tua princesa ficou em observação na primeira noite, apenas por precaução, e depois foi para casa. Está ser mimada pelos nossos avós, pelos tios-avós, pelos tios, primos. Acho que vais ter um problema, quando saires daqui.

- Não...faz...mal. Ela merece. Nena, e tu? O teu...bebé?

- Qual deles? Tenho três. Bem tenho dois, e aqui está o terceiro...- diz-me, colocando a minha e a sua mão no seu ventre.

- Três? Tiveste...gémeos...da primeira...

- Não. Na verdade tive apenas uma menina, a Maria da Luz...

- Outra Maria...nós não somos nada...originais.

- Acho que não. A Maria da Luz é a minha crescida, a minha espanholita.

O Nosso CaminhoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora