Capítulo 37

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Pov Madalena

Passaram-se dois meses desde que a Leonor e os meus tios vieram para Espanha. Infelizmente a Nono teve que voltar uns dias depois, não só pelos gémeos que ficaram com os avós, mas principalmente pelo trabalho. A Tia Luísa não podia suspeitar que ela me tinha vindo ver, então as "férias" tiveram que acabar. O que mais me animava é que a separação não seria muito longa, pelo menos era o que eu esperava.

Os meus tios continuaram em Espanha comigo. O Tio Luís, o meu ursão, ficou para ajudar o meu "sogro" no processo contra o hospital. Aos poucos com a ajuda da Tia Marta, consegui ir superando os meus medos. Apesar de não conseguir ainda sair de casa, já ia para o parque interior do condomínio com os meninos.

Neste momento estamos no jardim do condomínio, as crianças brincam no parquinho, onde está uma das amas do mesmo a olhar por eles. O meu olhar está fixo nos meus dois amores: a minha pipoquita e o meu principe. Tudo o que fiz foi a pensar na Maria da Luz, para a proteger. Porém hoje, começo a pensar se fiz mesmo o certo ao fugir? Será que o meu pai iria mesmo fazer com que eu abortasse? Será que a Mila, não poderia fazê-lo ver o erro que estava a cometer? E o Avô Carlos?

— Nena, sempre vão voltar para Portugal?— a minha Tia pergunta-me tirando-me destes meus pensamentos sobre o passado.

— Sim. Eu não consigo mais estar aqui. Muito menos pensar em trabalhar naquele hospital.

— E já pensaram para onde? Quer dizer vão morar onde, Coimbra ou Lisboa?

— Ainda nem falei com o Diogo sobre isso, mas...

— Não queres ir para perto do teu pai?

— A verdade tia, é que em ambos os lugares tenho momentos felizes e momentos tristes.

— Sabes que eu ia adorar ter-te de novo pertinho de mim. Nunca consegui perdoar o teu avô Manuel por ter deixado que vocês saíssem de perto de nós. 

— E por que é que deixaram? Eu pedi-te tanto para ficar.

— O teu avô Carlos veio com a conversa que seria melhor para ti, ficares longe do Ricardo. Todos tínhamos medo que ao ficar as lembranças viriam mais depressa...e...

— E!? Elas vieram na mesma, e eu estava sozinha. Se não fosse o Diogo...eu tentei matar-me depois de me lembrar.

— Tu o quê??? Espera quando é que foi isso?

— Quando o pai acordou. Eu ouvi uma conversa do Pedro com o pai, e veio tudo a minha cabeça, como num filme.

— Meu Deus! Nós não soubemos de nada.

— E eu entrei em pânico. Eu não queria acreditar que o Ricardo me tinha feito aquilo. Então fiz o que sempre faço: fugi. Mas, dessa vez eu tinha alguém com quem podia contar, o Diogo.

— Mas, o que é que aconteceu? Como é que tu...

— O Diogo foi ter comigo, levou-me a um jardim, onde tínhamos ido uns dias antes com a família dele. Foi aí que eu soube que ele sabia de toda a história e também  nunca me contou, que foi ele que me salvou do Ricardo e me levou ao hospital.

— Eu soube naquela noite pela tua mãe que foi um rapaz que estava na Discoteca que te tinha salvo, mas nunca soubemos nem o nome dele.

— Fiquei furiosa com ele. Todos me tinham escondido o que tinha acontecido. Senti-me sozinha, com nojo de mim, então decidi desaparecer de vez, morrer. Tentei afogar-me no lago, mas mais uma vez o meu principe apareceu e salvou-me.

— O Diogo é sem dúvida o teu principe no cavalo branco. Só não entendo porque é que o teu avô Carlos nunca nos disse nada.

— Talvez se tenha esquecido, não sei.

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