Capítulo 44

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Pov Madalena

Mais uma semana se passou. Pensar que para o mês que vem, finalizo o internato, e começa uma nova aventura: a especialização. Apesar de ainda estar meio que sem saber qual vou fazer, se sigo pediatria ou obstetrícia/ginecologia.

São duas da manhã, e depois de uma noite meio que calma nas urgências, vou finalmente ter dois dias de folga. O que vai ser optimo, pois os meus avós fazem 50 anos de casados e decidiram que querem juntar os netos e bisnetos todos. Bem pelo menos os que têm autorização, para estar perto deles. Porque infelizmente, a Luísa, a Sofia e a Clara não vêm.

A minha tia ainda tentou falar com o meu pai, porém ele simplesmente disse que não. A minha tia insistiu, afirmando que eram os meus avós que gostariam de ter as meninas do seu lado, que ele não podia negar-lhes esse direito, e aos poucos percebemos que ele estaria a ceder.

Senão fosse o meu avô Carlos a intervir de novo. Afirmando que a guarda das meninas eram dele logo era ele que proibia essa aproximação. E começou de novo com as suas ameaças, que nos processava se não cumprisse o que o tribunal ordenou, e desligou-lhe o telefone.

Estava eu a pensar no meu pai, e em como ele estava a ser manipulado, quando de repente entra na sala de descanso onde estou, a Alice, uma das enfermeiras do hospital. Ela é talvez a minha melhor amiga aqui no hospital, trabalha muito comigo na pediatria e foi meio que automática a nossa amizade.

Faz-me lembrar a Marisol, sempre alegre, pronta a ajudar e algo que admiro muito, é frontal. O que tem a dizer, diz. Seja aos médicos com quem trabalha, seja a outras enfermeiras e até mesmo aos pacientes e familiares.

Por falar em Marisol, soube que foi meio que banida da família. E ninguém sabe onde ela está. A mamã Consuelo já tentou procurá-la, mas foi como se tivesse sumido do mundo. Mas não vou desistir de a procurar, afinal ela e madrinha da minha filha

- Madalena, entrou agora um menor nas urgências, acidente de carro.

- Vamos...- corro com ela, e vou fazendo-lhe algumas perguntas...- Idade?

- Aparenta ter um ano, sexo feminino, consciente, mas muito queixosa.

- Os pais?

- A mãe politraumatizada. O pai parece que tem apenas alguns hematomas, está consciente mas, em estado de choque. Os pais parecem-me muito jovens.- chego às urgências e quando olho para a menina, parece-me que já a vi antes.

- Mamã....mamã...

- Oi, bebé,está tudo bem.- pego num pequeno peluche que anda sempre comigo, de forma a conseguir acalmar os meus pequenos pacientes...- Nome? Alguém sabe o nome dela?

- Vou tentar saber com o pai.- diz Alice que sai. Enquanto isso, consigo examinar a menina, e pelo que parece tem apenas um pequeno corte na cabeça.- Maria Margarida.- diz Alice entrando de novo na sala.

- Maria Margarida... - digo alto e ela olha para mim...- Sabias que és uma bebé linda.- A bebé volta a chamar pela mãe.- Onde está o pai?

- Lá fora. Tem um braço partido e alguns hematomas. O embate foi do lado do pendura. Ele e a bebe estavam do lado do condutor.

- Podes pedir para ele entrar, por favor. Acho que esta pequena precisa de miminho do papá, não é bebé.- Alice sai e vai buscar o pai, enquanto eu continuo a brincar com a bebé...- Sabias que és linda, e muito sapeca.- Dá um sorriso lindo, de repente ouço a voz do pai.

- Margarida, bebé. Estás bem? Ó meu bebé...- A pequena chora, enquanto é agarrada por ele, que ainda nem olhou para mim.- Já volto, faz um curativo na ferida...

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