Pov Madalena
Passaram-se três semanas após o dia em que perdi um pouco de mim mesma.
Perdi o meu bebé, e perdi parte da minha família. Ainda hoje acho que foi a agressão do Rocco que provocou o aborto. E que talvez tenha perdido o meu bebé nessa altura.
Hoje, finalmente era o dia de voltar para Lisboa. Os meus tios, já tinham ido há uma semana, assim como os pais do Diogo. Ficámos apenas nós os quatro, a Mara e o Martim mais os três pequenos.
Ontem despedimo-nos da Mamã Consuelo. Foi difícil, ela foi a primeira a estender-me a mão quando precisei de ajuda, assim como a Pilar. Já para não falar da Luz, que passou a tarde agarrada aos seus "abuelos".
— Mamã...porque não podemos ficar?
— A mamã já te explicou Luz, o papá trabalha em Portugal.
— E o teu trabalho? Não vais mais trabalhar?
— Vou, meu amor, mas em Lisboa. Tu não queres ficar juntinho do papá e do Lucas?
— Sim...mas eu vou ter muiiiitas saudades dos Abuelos...— e as lágrimas de novo surgem no rostinho da minha boneca.
— Eu sei Luz, e a mamã também vai ter muitas saudades deles. Mas olha vamos ter a Tia Marta e o Ursão a viver bem do nosso lado, e vais conhecer mais primos...e sabes quem mais vais conhecer: os teus bisavós.
— Bisavós?
— Sim, os pais da avó Maria e da Tia Marta. Que são meus avós e teus bisavós. Eles são velhinhos, mas tenho a certeza que te vão amar quando te conhecerem.
— Mas eu vou ter saudades daqui mamã.— abraça-se a mim a chorar, um choro de dor e saudade.
— Ei! Princesa. Por que estás chorar, meu amor?
— No quiero ir. No quiero. (Não quero ir. Não quero)
— Llega María da Luz. Mamá ya te ha explicado por qué tenemos que irnos. (Chega Maria da Luz. A mamã já te explicou porque temos que ir.)
— Pero no quiero. Por qué papá no se queda aquí y trabaja? Por qué tenemos que irnos? (Mas eu nao quero. Por que é que o papá não fica cá a trabalhar? Por que temos que ir?)
— Porque papá ya tiene su trabajo allá en Lisboa. Y mama también lo tiene. Ya basta de tanto llanto.(Porque o papá já tem o seu emprego lá em lisboa.
E a mamã também tem. Agora chega deste choro todo.)
— Te odio... no quiero ir.(Odeio-te...no quero ir.)
— María da Luz de Sá Fernandes Ramos.— Sim, a minha filha já era oficialmente uma Ramos.
— Madalena...— olho para a porta e vejo o Diogo de pé a olhar para a nossa filha. Ele aproxima-se, ajoelha-se à nossa frente.— Princesa olha para o papá...— e apesar de ainda relutante e com um bico do tamanho do mundo, Luz olha para o pai...— Ouve eu sei que te vai custar viver longe dos teus "abuelos", mas eu prometo que vais sempre falar com eles. Eles podem ir a Portugal sempre que quiserem. E nós podemos cá vir de férias para espanha só para estares com eles.
—Lo prometes? (Prometes?)
— Prometo princesa.
—Pero todavía estoy triste. (Mas, eu estou triste na mesma.)
— É normal estares triste princesa, mas que tal limpar essas lágrimas, sim?— não sei como o Diogo o faz, mas sempre consegue dar a volta à nossa espanholita.
E assim, o dia foi passando. Com os adultos a arrumar as últimas roupas e brinquedos. Maria da Luz continuava meia triste e marrenta, enquanto o Lucas, o Matias e o Manuel estavam animados por voltar a Portugal.
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O Nosso Caminho
RomanceLivro 2 - Duologia "Caminho" 5 Anos...de um caminho incerto. Um tempo de alegrias e tristezas. fugi com uma única certeza: fazer de ti a menina mais feliz que eu pudesse. Mesmo não te podendo falar sobre o teu pai, ou da nossa família que ficou par...
