Pov Madalena
Estou á horas no jardim da casa dos meus sogros. Olho para as estrelas, tentando lembrar-me do nome das constelações, o que acaba por ser frustrante, pois a única constelação que conhecia e sabia o nome era a ursa maior. E mesmo assim dei por mim a perguntar se aquela não seria antes a ursa menor.
Quando dei por mim estava a ver o sol a nascer. E estava um nascer do sol lindo, nuns mil tons de laranja. Naquele momento pensei na minha boneca espanhola. Onde estaria ela? Dois anos e meio, era o tempo que tinha passado, sem ter uma pista, sem saber se a minha bonequita estaria bem.
E ali a olhar aquele "renascer" de um novo dia, prometi-lhe, mesmo sem saber onde estaria, que nunca desistiria de a encontrar, mesmo que demorasse a minha vida inteira.
— Acordada tão cedo?— assustei-me ao ouvir a voz do meu sogro.
— Bom Dia.— disse-lhe a sorrir.— Acho que a pergunta é mais se eu acordei, porque acho que nem dormi.
— Insónia? Sabes que tens que tentar descansar. Sei que é "difícil" , o que tu e o Diogo estão a passar é...
— Difícil?!
— Tens razão. Difícil acho que é um eufemismo. A verdade Madalena, é que nem consigo imaginar a dor que vocês sentem todos os dias.
— Acho que podem sim, afinal o Miguel também não vai voltar.
— É bem diferente. Sei onde está o Miguel. E tudo o que está a acontecer na vida do meu filho, foi ele que se colocou nessa posição.— Fico a olhar para ele, meio confusa. Pelo que ontem foi dito, não percebi bem como é que o Senhor Rui poderia dizer algo assim.— Sei que deves pensar que estou a ser meio cruel ao dizer isto. Mas sabes, como advogado, eu consigo farejar de longe pessoas como a Amanda.
— Mas o Miguel ama-a, ou amava...
— O Miguel foi avisado por mim e pela mãe do tipo de pessoa que era a Amanda. A ultima vez que nós os vimos foi há cerca de ano e meio. E fomos nós que fomos ter com eles, para conhecer o Max. Eles nunca vieram a Portugal. Os meus netos nem português podem falar em casa.
— A Rute ontem disse que eles falavam com ela em vídeo-chamada, presumi que falassem em Português.
— Sim, falam, pouco. E mesmo assim apenas se a Amanda não estiver.— Comecei a pensar no meu pai. Também ele não conhecia os netos, pior ele nem sabia que tinha mais dois netos.— O Miguel estava cego pelo amor que sentia por aquela mulher. E agora, está de pés e mãos atadas.
— Acha que ele vai mesmo ser expulso de lá? Quer dizer ele vive lá há anos, a esposa é americana, os filhos têm dupla nacionalidade.
— Tudo isso é verdade, e ninguém sabe o que pode acontecer. A América está numa "guerra civil" sem o estar.— diz o Senhor Rui.— Neste momento viver nos Estados unidos é perigoso para quem não é americano.
— E qual é a solução? Ele vir sem os filhos? Pedir a custodia dos miúdos?
— Ele nunca ganharia a guarda. Não só pelo facto que se defende sempre as mães, como também pelo facto do Miguel não ser americano. E vir sem os meninos, o meu filho nunca o faria de livre e espontânea vontade.
Fiquei a pensar. O Diogo nunca desistiu de procurar a Luz. Ele entrou numa espiral perigosa, durante um tempo. E nessa altura foi a familia dele que o ajudou a focar de novo, porque se ele estava quebrado, eu não estava melhor.
— Ele sempre foi o mais aventureiro, mas se há coisa que me orgulho nos meus quatro filhos, e que prova que fiz um bom trabalho como pai, é que eles sempre colocam a sua família em primeiro lugar, antes de tudo o resto.
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O Nosso Caminho
RomantikLivro 2 - Duologia "Caminho" 5 Anos...de um caminho incerto. Um tempo de alegrias e tristezas. fugi com uma única certeza: fazer de ti a menina mais feliz que eu pudesse. Mesmo não te podendo falar sobre o teu pai, ou da nossa família que ficou par...
