Capítulo 52 (Novo Cap)

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Pov Luísa (Irmã Madalena)

Ao fim de dois anos, depois da Mila ter saído de casa, nova guerra se instalou lá em casa. Porém por esta altura a guerra já não passava pelo meu pai.

Depois da saída da Mila e do divórcio assinado, o meu pai simplesmente entrou num buraco. No início ainda tinha o escritório e o trabalho, mas até isso ele acabou por largar. Ele pouco saía do quarto.

Ele deixou de querer viver. Só conseguíamos ter o nosso pai de volta nos fins de semana em que o Artur, a Ema e o Edu iam para nossa casa. Eu adorava esses fins de semana, não só porque podia estar com os meus irmãos, mas porque tinha o meu pai de volta.

Um dia acabei por desabafar com a Mila. Eu queria o meu pai sempre feliz, e sabia que a única forma de o ver assim era com ela e os meus irmãos, todos juntos.

FlashBack

Hoje era sexta, era dia de receber os meus bebés cá em casa. Mas era também o dia em que eu iria conversar com a Mila. Já tinha avisado o meu pai que queria falar com ela, o que gerou uma mega sessão de porquês...

— Lu, mas por que é que queres falar com ela?

— Porque preciso, pai são coisas de mulheres, não tenho mais ninguém com que falar.

— Tens a tua tia, a avó...

— Mas a Mila, é a Mila, pai. Eu sei que podia falar com a tia ou com a avó, mas, sinto-me mais a vontade com a Mila.

— Filha, eu e a Mila já não somos casados, nós...

— Eu sei, e depois. Ela vai ser sempre a mãe dos meus irmãos e uma amiga especial.

— Lu...

— Pai, por favor. Se eu tivesse a Madalena ao pé de mim, eu falaria com ela com toda a certeza. Mas não tenho, a Sofia e a Clara são... pré aborrescentes, que eu amo, mas convenhamos que não são as melhores para me ouvir.

— A Madalena faz tanta falta. Com ela, as nossas vidas não estavam tão embrulhadas e negras.

— Só estão assim porque tu queres pai. Sei que ficaste com algumas limitações depois do acidente, mas não podes deixar que isso te limite. Principalmente não podes deixar que o avô te convença que isso te limita.

— Luísa. — E pronto o Grumpy chegou a casa.— Podes parar de desrespeitar o avô.

— Não estou a fazê-lo, meu caro irmão, estou apenas a constatar factos.

— Eu ouvi...

— Ouviste? Devias ir a um otorrinolaringologista, porque estás com um problema sério de audição. Agora com licença vou lá para fora. Quero abraçar muito aqueles meus bebés.

— Não percebo por que é que essas pestes vêm para cá fazer todo o santo fim de semana.

— Pedro, são meus filhos...teus irmãos...

— Meus irmãos?! Nunca. Eu só tenho três irmãs. Essa doida aí, a Sofia e a Clara.

— Nem a Madalena é tua irmã já? Para tua informação, ela não morreu.

— Para mim ela morreu no mesmo dia em que sumiu.

— Sabes Pê, eu aprendi com a mãe que nunca devia odiar ninguém, muito menos um irmão ou irmã. Que o nosso elo e amor deveria ser eterno. Mas começo a pensar que ela só pensava assim porque só tinha uma irmã.

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