Capítulo 50

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POV Luísa (Irmã Madalena)

A minha vida desde que a minha mãe morreu, tem sido uma montanha russa.

Saímos de Lisboa, porque o meu pai que ficou em coma, depois do acidente que teve com a minha mãe, foi transferido para Coimbra. O meu avô Carlos quis que ele viesse para perto dele. Se eu gostei da ideia? Nem por isso, mas naquele momento nenhum de nós cinco teve muito a fazer. Eles, os meus avós, eram os adultos, e tivemos que fazer o que diziam. Contudo, lembro-me da discussão do Avô Carlos com o Avô Manuel, ou melhor do Avô Carlos com a Tia Marta.

Sei que não devia ter ouvido, mas que culpa é que eu tive, se acordei depois de um pesadelo. Sempre que acordava assustada, a mãe dava me um copo de leite quente e muito mimo, apenas queria que a tia Marta fizesse o mesmo.

Hoje até acho graça, porque acabo por fazer o mesmo com a Guigui. Consigo ver que certos costumes e manias que a minha mãe tinha connosco eu acabo por ter com a minha filha. Muitas vezes revejo-me na minha mãe. Mesmo partindo tão cedo, ela conseguiu ensinar-nos tanta coisa.

Flashback

Acordo assustada, sonhei com a mamã. Ela disse para não ter medo, que ela sempre estaria comigo, e pediu que tomasse conta da Nena. Não percebi bem porquê, mas, se a mamã me pediu eu vou tomar conta dela. A Nena é o meu exemplo, a minha heroína. Se ela cá estivesse acordava-a e ia dormir com ela. Era sempre assim, quando tinha um pesadelo acabava por ir para a cama dela.

Decidi ir pedir a tia Marta um leite quente. A mamã fazia sempre, quando tínhamos pesadelos. Talvez a Tia Marta ou a Avó Nina me possam fazer um. Saio do quarto, e começo a ouvir vozes, e pelo tom sei que estão zangados. Desço as escadas, mas mantenho-me escondida.

— Eu não te vou deixar levar os meus netos da casa deles. Percebo que queiras levar o Pedro para junto de vocês, mas os meus netos ficam.

— Eles vão com o pai. Se o Pedro vai para Coimbra, eles vão conosco.

— Estás a ouvir o que estás a dizer!? Eles sempre viveram em Lisboa, não conhecem nada de Coimbra para além da tua casa. Estás a querer mudar-lhes tudo na sua vida.

— Eles vão com o pai. Aqui não há nada para eles.

— Como assim nada!? E nós? Os meus pais são tão avós como você. Eu sou Tia, sou madrinha da Nena. Vocês não os podem tirar daqui.

— Querem que a Madalena se lembre de tudo? Querem que ela se culpe pela morte da mãe e por ter colocado o pai no hospital? Querem que ela continue no mesmo local onde aquele rapaz fez o que fez?

— Talvez...talvez o Carlos tenha razão.

— Pai, estás a ouvir o que estás a dizer. Não era isso que a Maria iria querer...

— A Maria já não está cá para dizer nada. O meu filho ainda está cá. E se ele vai para Coimbra, os filhos vão com ele.

— Pelo amor de Deus, podem parar os dois — disse a Avó Cândida.

— Eu acabei de perder a minha filha. Podiam por favor parar e pensar nos nossos netos, e não em vocês os dois.— a Avó Marina diz com lágrimas nos olhos. Ela está triste.

— Eu estou a pensar neles. O melhor para eles é ficar perto do pai.

— Foi ele que matou a minha irmã. A culpa foi dele.— A mamã morreu por causa do papá? Não. O Papá nunca faria mal á mamã. Eu...eu...

— Marta, filha, foi um acidente. Ninguém teve culpa.

— O Pedro teve, porque é que ele não deixou a polícia tratar do miúdo? Porque é que ele tinha que ir lá? Ele sabia que a Maria não o ia deixar ir sozinho. A Maria nunca o iria deixar ir daquela forma sozinho. Ela morreu porque mais uma vez o Pedro foi impulsivo...tal e qual quando a Juju...

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