Capítulo 46

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Pov Madalena

— Não. É a Lu, Diogo... é a minha irmã.

— A tua Irmã?

Explico o pouco que soube, que veio para a festa dos meus avós, e tiveram um acidente. Que fui chamada para atender uma urgência, uma bebé linda, envolvida também no acidente. Que acabei por descobrir quem era a mãe quando fui saber de informações de forma a dar notícias ao esposo. Contei-lhe qual o quadro da Lu, e que estava com medo de a perder, tal como perdi a minha mãe.

O Diogo quis vir para perto de mim, contudo, ele tinha os nossos filhos. E apesar de querer muito tê-lo perto de mim, quem deveria estar aqui com a Lu eram os meus tios.

Madalena, eu estou em casa dos teus tios. O Lucas teve uma crise, acabei por ficar por cá...— Quando ouvi que o Lucas tinha tido uma crise, fiquei apavorada. Apenas assisti a uma crise, e foi assustador.

— O Lucas?! Meu Deus, como é que ele está?

Na medida do possível está bem. Confesso que me assustei, há muito tempo que o Lucas não tinha uma crise tão grande.

— Amor...trás o Lucas para cá.— Peço ao Diogo, algo me diz que o meu menino precisa de cuidados, que precisa de mim.

Ele está bem Madalena.— E apesar de o Diogo o afirmar, sinto que no fundo ele não está assim tão certo disso.

— Por favor, eu preciso de ter a certeza que ele está bem. Como está a respiração dele? De certeza que está pesada.

Parece um pouco sim, mas ele sempre fica assim depois de uma crise.

— Por favor, trá-lo para cá. Eu vou desligar e falar com os meus tios.

Não. Eu falo com eles. Daqui a pouco estamos aí.

— Vou estar na enfermaria de pediatria. Peçam para vir ter comigo.

Tudo bem, até já. E Madalena, vai correr tudo bem. Não foste tu que me disseste que a Luísa era teimosa? Ela vai sair desta, tenho a certeza.

— Queria ter a tua certeza. Eu amo-te. Até já.

Amo-te mais. Daqui a pouco estamos aí.

Após desligar a chamada com o Diogo, mando mensagem à Alice. Peço-lhe que avise a segurança do serviço devurgência para deixar o Diogo e os meus tios entrarem. Entro no quarto, e vejo o Guilherme à janela, pelo movimento dos seus ombros, sei que chora. Olho para a minha sobrinha, que está a dormir como um anjinho.

— Parece um anjinho.

— E é...a dormir. A Lu diz que ela se parece com ela, sempre agitada.

— Se for igual à Lu, tenho pena de vocês. Ela era eléctrica, não parava um minuto. Lembro-me da minha mãe andar a correr atrás dela para lhe dar banho...

— Que andava nua, a fugir do banho?

— Como sabias? A Lu contou-te?!

— Mais ou menos, esta bebé mesmo ainda não conseguindo andar, gatinha como ninguém, e a fugir parece um Ferrari...— dá um sorriso, mesmo que pequeno...— Eu...eu tenho que ligar para os meus pais. Mas...não sei o que lhes dizer...

— Queres que lhes ligue? Já falei com o Diogo, ele ficou de avisar os meus tios.

— O Diogo? É o pai da tua filha?

— Sim, ele é o pai da Luz. A nossa história é um pouco complicada, um dia conto-te.— Dou-lhe o meu telemóvel.— Liga-lhes, eu vou estar aqui ao teu lado.— ele pega no telemóvel e marca o número.

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