Capítulo 51

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Pov Luísa (Irmã da Madalena)

A nossa vida continuou, continuamos em Coimbra, a viver, os seis juntos, em vez dos sete.

Se a mamã nos fazia falta? Claro que sim. Contudo, aprendemos a viver sem a sua presença física. O pai arranjou uma casa para vivermos só nós, e mesmo o avô Carlos sendo contra, o meu pai insistiu na ideia. Ele dizia que tínhamos que reaprender a viver sozinhos, os seis. E assim aconteceu.

Os meses passaram e a Madalena andava feliz, muito feliz. Passava a maior parte das tardes em casa da Rute, a sua mais nova "BEST FRIEND". O nosso pai, que estava em recuperação, uma vez que o acidente tinha provocado algumas lesões e ele precisava de fazer fisioterapia.

Desde que deixamos a casa do avô Carlos, tudo parecia melhor. O pai, mesmo com dificuldade ainda a andar ou a fazer certas actividades brincava e sorria connosco, o Pedro andava a implicar menos conosco, e quando começava a querer mandar mais que o que devia, o pai colocava-o no lugar dele

"Pê, agradeço-te por tudo o que fizeste pelas tuas irmãs enquanto estive no hospital, mas agora filho preciso que tu sejas tu mesmo: apenas tu.". Está era frase que o meu pai sempre dizia quando o meu irmão ultrapassava o limite no seu "cuidado" connosco. Se eu percebi o que ele queria dizer com aquela frase? Não. Na altura não me fazia sentido. Hoje sei o que o meu queria dizer com ela.

De repente alguém novo entrou no meio desta felicidade. O meu pai conheceu "alguém". Emília Vieira, uma "senhora", que como o meu pai, estava em recuperação depois de um acidente de carro. Ela frequentava um grupo de ajuda a pessoas que tinham perdido alguém. Era algo que o Centro de Fisioterapia oferecia aos doentes, e que o meu pai começou a frequentar.

Aliás, todos nós fomos obrigados a ir. No início não queria ir, e fazia mil birras, argumentava e chegava a gritar com o meu pai. Contudo, ele obrigou-me a ir. Com toda a calma do mundo ele apenas me dizia " Lulu, sei que tens com toda a certeza mil e um argumentos válidos para me explicar és a razão para não ires. Mas, também sei que toda essa argumentação pode ajudar os que estão a passar por algo que tu própria estás a tentar ultrapassar. Então vai com a missão não deve ajudar a ti, mas com a missão de ajudar os outros."

E pronto, assim com esta minha nova missão de tentar ajudar os outros, acabei também por perceber que também eu precisava de ajuda.

Emília tinha perdido o marido e a filha num acidente, apenas ela sobreviveu. Era triste até, ela perdeu tudo. No início até falava com ela tentando ajudar, porém, a amizade dela com o meu pai virou algo mais. Um " algo mais" que eu não gostei.

O meu pai começou por tudo e por nada a falar da "Mila". Era a "Mila" isto, a "Mila" aquilo. Ficou até chato e meio "brega". Ele estava literalmente a ficar de quatro por ela.

O problema era que eu não queria ninguém no lugar da minha mãe. Ninguém. O lugar da minha mãe ao lado do meu pai seria sempre dela (doce ilusão a minha, se eu soubesse o que sei hoje de amor, nao teria sido tão "má"). Decidi que nunca iria gostar dela.

Cada vez que o pai a trazia lá a casa, eu era mal criada, "respondona" e fazia de tudo para que o pai não estivesse perto dela. Falava constantemente da mãe, e comparava-a sempre a ela, fazendo com que a "Mila" se sentisse mal. Ao fim de alguns meses, já não sei precisar quantos, o pai assumiu que estava a gostar dela e começou a levá-la mais lá a casa. Todos a amavam, só eu continuava a implicar com ela.

Até que um dia a Nena veio falar comigo. Nesse dia o meu pai e a "Emília" decidiram fazer um piquenique. Eu não queria ir. Era um programa demasiado "família", e eu não a via como parte da minha família. A minha irmã foi lá ter mais tarde, e quando chegou e percebeu que eu estava sentada longe deles e emburrada, sentou-se ao meu lado.

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