Capítulo 64

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Pov Diogo

Acordei com o telemóvel a tocar. Estiquei a mão para o meu, que estava na mesinha ao lado da cama, mas não era o meu. Só nessa altura me apercebi que não era o toque do meu e sim do da Madalena. Virei-me para a acordar, porém ela já não estava na cama.

O telemóvel não parava, insistia. Quando finalmente o peguei e vi quem era, um pequeno termor passou por mim. Para a Tia Marta estar a ligar á Madalena algo se passava com uma das crianças.

- Estou Tia Marta... - e logo ouvi um choro e um pequeno resmungo, que conhecia muito bem de quem vinha... - David...

- Naum...qué a mamã...- ele disse naquela voz de bebê que ele ainda não perdeu. Não sei se por causa da sua "condição" ou simplesmente porque ele não quer.

- A mamã não está aqui, agora bebé. Fala com o papá.

- Naum. Qué a mamã. O Davi qué a mamã... a mamã do Davi. - David sendo o David.

Quando ele cismava que queria algo ou alguém, era preciso ter uma paciência de Santo. Algo que eu e a Madalena estávamos a tentar aprender a ter. Lidar com o David e as suas especificidades era desafiante. Todos os dias aprendemos novas formas de lidar com ele, não era fácil, era uma autêntica montanha russa de emoções. E para quem já vivia dessa forma, há quase 3 anos, era para não dizer outra coisa, cansativo.

- Bebé fala com o papá. Estou com saudades...

- Naum. Davi qué mamã do Davi. Davi Naum qué papá do Davi.

- Desculpa Diogo, mas este menino só vai sossegar se falar com a Madalena. Foi uma noite difícil. Teve febre, chamei a Nonô a meio da madrugada e tudo.

- Febre? Mas ele está bem? O que disse a Leonor?

- Ele está bem agora. A Nonô diz que foi emocional, ele sente a vossa falta. É a primeira vez que vocês vão para longe dele...

- Trazê-lo seria pior. Ele reconheceria os meus pais, mas não está habituado a ficar com eles sozinhos. Achámos que ficando consigo a separação não fosse tão...

- Eu sei, mas ao que parece este Koala aqui não quer ficar longe da sua mamã.

- Mamã...- e de novo o choro.

- O papá vai ter com a mamã. Já vais falar com a mamã, sim?

- Xim... mamã...do... Davi...

E lá saio eu da cama, á procura da minha mulher. A mamã do David. Aquela que nestas alturas com mimo e atenção consegue acalmar o coração do nosso bebé. Vou descendo, a tentar conversar com ele, mas a única coisa que ele continua a dizer é "Mamã" mais calmo, mas a chorar baixinho. Chego á cozinha, e interrompendo a conversa passo o telemóvel á minha esposa e digo apenas "David".

No meio da conversa percebo que vou ter que ir a Lisboa. Não houve outra solução. Quando lhe respondo, ela olha para mim e pede para trazer os nossos filhos todos. Percebo que ela queira os seus bebés todos juntos, mas o Lucas tem escola, não pode estar a faltar. Contudo com o seu jeitinho conseguiu convencer-me e lá fui eu para o nosso quarto arranjar-me para ir buscar os nossos 4 filhotes.

Pedi-lhe para não ir ao pai sem mim. Não sei o que poderá encontrar, e não quero de maneira alguma que ela seja intimidada seja pelo pai seja pelo avô. Ela concordou, mas apesar da sua confirmação, não sosseguei. Olhei para o meu pai, e ele apenas com o meu olhar percebeu o que eu pedia e assentiu.

Saí finalmente, com a certeza que o meu pai não a deixaria ir sem mim a casa do pai. E pus-me a caminho de Lisboa de novo. A viagem foi rápida, eram duas horas mais ou menos de caminho, mas como estava sozinho no carro, acabei por fazer o caminho em hora e meia. Se me perguntarem se excedi a velocidade? Nego categoricamente.

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