9 - Recado

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- E o que você respondeu? – pergunto a Fabi. Estou desacreditada!

- Disse que tentaria te convencer, ué. Deve ter alguém do bonde te querendo muito, porque ele mandou avisar assim que eu falasse contigo.

Quem será essa pessoa?
Agora o que minha vó disse fica rondando minha mente.

- Falo que não? – Fabi checa.

- Ainda pergunta, amiga? Não vou há essa, essa... poxa, deve ser a maior putaria! E tem também aquele cara. Não me sinto bem sabendo que ele estará lá. Ontem minha vó teve uma conversa comigo que me assustou.

- Sobre o quê? O Alcaida? Por quê? – a gente se conhece a ponto de ser fácil ela saber do que estou falando sem necessidade de explicação.

- Ela acha que ele me olhou diferente. Eu não percebi, mas sabe como ela é com essas coisas de pressentimentos. Tá preocupada.

Fabi levou muito a sério.

- Vou avisar que tu não vai, então. Preciso de uma boa desculpa, não posso simplesmente mandar " Ei, Ninja, minha amiga disse que não quer ir". Ele pode pensar que tu se acha boa demais pra se misturar.

— Quem liga para o que ele pensa?

Ela me encara chateada, travando os dedos sobre a tela do celular.

— Eu pego ele as vezes, Lia. Te falei isso.  – seu tom me causa culpa.

- Fabiiii, você pode ir, amiga, eu é que não posso. Meu pai iria implicar também, ainda mais sendo na casa do Ninja. O que deve ter lá além de putaria e drogas?

Entrelaço nossas mãos.

- Bebidas. Gatinhos. – ela mostra os dentes, pestanejando. – Vaaaamos, vai?

Entorto a cabeça.

- Ok. Se ele não for, eu vou. Procura saber aí. – olho para o aparelho em sua mão.

Ela aperta a tela e aproxima o celular da boca para gravar um áudio.

- Bom dia, fala tu, Ninja, só uma pergunta. O Alcaida vai estar lá hoje a noite também? A gente não quer ir em lugar que tenha homem comprometido. Melhor evitar confusão (risos).

Tento pegar o celular dela, mas, pelo jeito, ela já enviou.

- Por que foi tão direta? O que ele vai pensar?! – Pergunto, horrorizada.

- Ué, agora tá ligando pro que ele pensa? Muda de opinião rápido, você. – esconde o aparelho atrás das costas.

Será que foi o Alcaida quem mandou me chamar?

Tento não parecer tão lisongeada.

- Vou pra casa trabalhar.  — ela avisa.

- Jogar videogame, tu quer dizer, né? Tudo bem, não preciso mesmo de você. Estou bem sozinha. – digo em tom dramático.

- Calma, bebê, mais tarde eu volto. Preciso fazer dinheirinho. Beijo!– de costas, joga os beijos com a mão por cima do ombro. – Te aviso quando ele responder.

- Já decidi que não vou mesmo. – digo, convicta por fora; por dentro estou emocionada.

Talvez fosse melhor eu ficar quanto antes com o Jc.

Ela rebate:

- Se ele não for, você vai sim. Quero ver se não.

- ATÁ! Você manda em mim agora? Meu pai e minha avó ali, filhona... não é bagunça, tenho horários.

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