- E o que você respondeu? – pergunto a Fabi. Estou desacreditada!
- Disse que tentaria te convencer, ué. Deve ter alguém do bonde te querendo muito, porque ele mandou avisar assim que eu falasse contigo.
Quem será essa pessoa?
Agora o que minha vó disse fica rondando minha mente.
- Falo que não? – Fabi checa.
- Ainda pergunta, amiga? Não vou há essa, essa... poxa, deve ser a maior putaria! E tem também aquele cara. Não me sinto bem sabendo que ele estará lá. Ontem minha vó teve uma conversa comigo que me assustou.
- Sobre o quê? O Alcaida? Por quê? – a gente se conhece a ponto de ser fácil ela saber do que estou falando sem necessidade de explicação.
- Ela acha que ele me olhou diferente. Eu não percebi, mas sabe como ela é com essas coisas de pressentimentos. Tá preocupada.
Fabi levou muito a sério.
- Vou avisar que tu não vai, então. Preciso de uma boa desculpa, não posso simplesmente mandar " Ei, Ninja, minha amiga disse que não quer ir". Ele pode pensar que tu se acha boa demais pra se misturar.
— Quem liga para o que ele pensa?
Ela me encara chateada, travando os dedos sobre a tela do celular.
— Eu pego ele as vezes, Lia. Te falei isso. – seu tom me causa culpa.
- Fabiiii, você pode ir, amiga, eu é que não posso. Meu pai iria implicar também, ainda mais sendo na casa do Ninja. O que deve ter lá além de putaria e drogas?
Entrelaço nossas mãos.
- Bebidas. Gatinhos. – ela mostra os dentes, pestanejando. – Vaaaamos, vai?
Entorto a cabeça.
- Ok. Se ele não for, eu vou. Procura saber aí. – olho para o aparelho em sua mão.
Ela aperta a tela e aproxima o celular da boca para gravar um áudio.
- Bom dia, fala tu, Ninja, só uma pergunta. O Alcaida vai estar lá hoje a noite também? A gente não quer ir em lugar que tenha homem comprometido. Melhor evitar confusão (risos).
Tento pegar o celular dela, mas, pelo jeito, ela já enviou.
- Por que foi tão direta? O que ele vai pensar?! – Pergunto, horrorizada.
- Ué, agora tá ligando pro que ele pensa? Muda de opinião rápido, você. – esconde o aparelho atrás das costas.
Será que foi o Alcaida quem mandou me chamar?
Tento não parecer tão lisongeada.
- Vou pra casa trabalhar. — ela avisa.
- Jogar videogame, tu quer dizer, né? Tudo bem, não preciso mesmo de você. Estou bem sozinha. – digo em tom dramático.
- Calma, bebê, mais tarde eu volto. Preciso fazer dinheirinho. Beijo!– de costas, joga os beijos com a mão por cima do ombro. – Te aviso quando ele responder.
- Já decidi que não vou mesmo. – digo, convicta por fora; por dentro estou emocionada.
Talvez fosse melhor eu ficar quanto antes com o Jc.
Ela rebate:
- Se ele não for, você vai sim. Quero ver se não.
- ATÁ! Você manda em mim agora? Meu pai e minha avó ali, filhona... não é bagunça, tenho horários.
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Pique
RomanceEle é uma bomba, um perigo. Ela sabe que não deve se arriscar tão perto, que pode se ferir com uma iminente explosão. Lia tem 19 anos, e uma perda a levou para o morro do Sol. Ajudar a família vem em primeiro lugar, até mesmo antes de seus desejos...
