Fizemos um montão de fotos. Fabi me pedia para ficar assim, assado, daquele e outro jeito. No fim, ela sempre sabia o que estava fazendo — grande maioria das fotos se salvou.
Já íamos voltando para mesa em que nossa família se reuniu, na esperança de dar tempo de assistirmos meu pai e minha avó dançando na quadrilha, quando, no caminho, avistei o Jc. Ele estava de novo próximo ao balcão da mãe, escorado num bambu grosso da estrutura da barraca. Notei que prestava atenção ao que o Batista comunicava no palco — a quadrilha iria começar.
Combinei com a Fabi de ela me ajudar a me reconciliar com ele. Desviamos e fomos em sua direção.
- E ae? Vigiando sua mãe pra nenhum gatinho jogar avanço? - provocou ela, levantando bandeira branca.
Jc não parecia propenso a piadinhas. Segurando um copo de plástico — contendo uma bebida fumegante que deduzi ser quentão —, respondeu, turrão:
- Só tô esperando a quadrilha, pra ver meu irmão dançar, depois vou meter o pé.
Não sabia quem era o irmão dele, apesar de Cibele sempre mencionar o filho mais novo. Mas Fabi pareceu saber.
- O Marcelinho é uma graça. - disse ela.
Ele nem me deu bola, e, quando pulou os olhos para mim rapidamente, a decepção reluziu em suas íris.
- Ele tem treze, né?
Jc assentiu, de má vontade.
- Tu ainda joga, Jc?
Ele negou, economizando voz.
Fabi continuou tentando, até que, enfim, Júlio se rendeu e voltou a conversar com ela. Somente ela. Quando praticamente obriguei ele a falar comigo me metendo no meio do assunto dos dois, ela sentiu que sua missão foi cumprida e se adiantou.
A quadrilha começou, e ele me convidou para irmos mais pra frente assistir. Furamos bloqueios para encontrar um lugar — de mãos dadas.
Ele me mostrou seu irmão. O garotinho fofinho vestia blusa xadrez e calça remendada, parecendo nervoso ao lado de seu par, uma loirinha tímida de maria-chiquinhas.
Cibele muitas vezes prometeu levar o Marcelinho pra ver minha avó, mas nunca dava certo.
Dançávamos sem sair do lugar, batendo nossas mãos e sorrindo com a contagiante diversão dos outros. Eu até me arrependi de não ter entrado nos ensaios.
Na hora do " Olha a cobra", meu pai levantou a vovó nos braços, pois eram parceiros. Ela gritou. Parecia uma adolescente em seu primeiro baile. Meu avô teria rido muito disso.
Jc assoviou, e eu aplaudi, gargalhando da atuação dos dois. Fabi filmou tudo e pedi que me mandasse depois pra eu enviar pra nossa família assistir.
- Seu irmão se parece com você - comentei, puxando assunto. Jc também filmava o irmão, mas finalizou o vídeo.
- É... A gente se parece mesmo. - um músculo se mexeu em seu rosto, demonstrando que não estava mais bolado comigo.
Jc não ficou convencido quando expus minhas conclusões de que o Alcaida o deixaria em paz. Tudo piorou quando a quadrilha acabou.
Os outros se juntaram a nós numa rodinha. Entre as pessoas que se dispersavam ao redor, Alcaida, Bazuca e Ninja se misturavam. A morena elegante tinha voltado para o lado do Alcaida, andavam de mãos dadas também. Eles passaram por nós e pararam na barraca logo atrás.
Jc me deu uma olhada receosa.
Eu entendia sua resistência, não era assim tão simples acreditar que o cara tinha desencanado, quando sua vida dependia disso.
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Pique
RomanceEle é uma bomba, um perigo. Ela sabe que não deve se arriscar tão perto, que pode se ferir com uma iminente explosão. Lia tem 19 anos, e uma perda a levou para o morro do Sol. Ajudar a família vem em primeiro lugar, até mesmo antes de seus desejos...
