1 - O bar do outro lado

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Talia,
( 03 de junho de 2022, sexta-feira.)

- CARACA!!! Não acredito! - a Fabi fala espantada.

Ela é minha amiga de infância. Crescemos praticamente juntas.

Ela está olhando para o bar do outro lado da rua completamente atônita, e eu sigo seu olhar, tentando entender.

- Que foi? - não vejo nada incomum no bar de seu Alcides, embora hoje tenha mais bandidos que de costume.

- Ele está muito mais lindo, como pode?! - seja quem for, ela soa impressionada, o que me deixa curiosa. Deve ser alguém importante.

Eu vinha ao morro do Sol nas férias visitar meus avós e brincávamos juntas , porque a casa dela é bem ao lado do nosso mercado. Ele é uma tradição por aqui. Em seus últimos dias, vovô esforçou muito seus pulmões doentes para pedir que meu pai tocasse o legado da família — estamos dando um jeito nisso.

Cobrindo a lateral do rosto, Fabi diz:

- Olha discretamente aquele cara que acabou de chegar na garupa daquela moto.

Procuro. Chegaram três caras.

- Discretamente, Lia, poxa!

- Ai, que chatice! Do que você está falando? Fala de uma vez! - peço, não aguentando mais. Além disso, não conheço muito bem as pessoas ainda, todos aqueles homens são estranhos para mim.

- Tá vendo aquele com uma camisa do Flamengo escrito Hussein? De chinelo e bermuda?

Olho mais disfarçadamente. Não consigo ver o rosto dele, já que está de costas, sendo abraçado feito alguém que chegou de viagem. Todos se levantaram da mesa para rodea-lo, mostrando alegria em vê-lo.  Mais homens chegam em outra moto, esses trazem aquelas armas que sinto sempre arrepios quando vejo.

- Ele é o Hussein, ou Alcaída. - explica a Fabi.

- É mais um dos seus bofinhos? - pergunto com humor.

Por estarmos na parte alta do morro, lugar em que eles se sentem mais a vontade, eles transitam bastante por aqui. Adoram esse bar aí da frente.

Alguns eu até memorizei o rosto, as vezes eles entram para comprar alguma coisa.

Esse é meu novo lar, meus novos vizinhos, a minha nova paisagem, e não sei por quanto tempo continuará sendo, então não tem muito o que fazer a não ser aceitar.

- Deus me livre. Não... ele não. - Fabi se benze.

Não entendo. Ela já ficou com bandido e gosta do que é belo. Pelo que vejo, mesmo de costas, ele não parece ser feio: braços fortes, alto, cabelo curto e escuro, exatamente o tipo dela. Parece ser muito considerado.

Quando ele se senta, consigo ver melhor seu rosto.

- Ele é totalmente seu tipo. Por que não?

O tal Hussein é o centro das atenções, todos querem falar com ele.

- Comentei contigo que o frente daqui estava para sair da cadeia, não foi? - ela pergunta, e eu confirmo com a cabeça.  - Ele saiu, você esta olhando pra ele.

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