22 - Post it

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Sem que eu me desse conta, meus olhos focaram na cintura dele.

- Circula ai com esses bico, rapaziada. Espera no canto ai. - disse aos seus homens.

Ao retornar a mim, estava com uma expressão vazia. Puxou um revolver de seu cós e colocou atrás das costas. Devia tê-lo pego com alguém quando decidiu vir aqui, porque não estava lá antes.

- Foi mal por isso. - se referia, eu sabia, a arma.

Mesmo afetada pelo o ocorrido, fiz minha melhor expressão composta.

- Imagina. - balbuciei.

Sempre ficava meio lesada quando ele estava por perto.

Ele, talvez vendo que eu estava quase caindo sentada na cadeira, se encaminhou ao freezer e trouxe para mim uma garrafinha de água sem gás. Aceitei, pois aquilo estenderia o prazo para eu pensar no que dizer.

O bebâdo ia ser esfolado vivo, era só no que eu pensava.

Alcaida esperou que eu bebesse, como um pai. Terminei, voltando a exibir um sorriso aflito, rosqueando a tampa da garrafinha.

- Parece que você é mesmo meu anjo da guarda. De novo apareceu na hora certa. - falei.

- Você tá bem? Ele machucou teu pulso?

- Não. - eu queria me esconder dele feito uma menininha.

Ele passou os olhos pelos meus ombros e colo, acho que notando que eu havia tomado um pouco de sol. Não tinha uma marquinha bem formada, mas ficava evidente que estive na praia. Ele não mencionou nada sobre isso, apenas esfregou o queixo e olhou para trás de mim.

- Posso te ligar mais tarde?

Eu estava tomando mais água, então comecei a tossir e bati no peito.

- Quê?

- Posso te ligar mais tarde? - repetiu devagar, como se eu fosse alguma retardada - Tu vai me atender?

Neguei de pronto.

- De jeito nenhum. Desculpa, mas não posso aceitar isso. 

- Por que não? - ele se aproximou, me intimidando.

Sentei na cadeira, acovardada.

- Só quero te conhecer melhor,  tem nada de mais nisso. — emendou.

Eu era uma pobre coitada que ele desmontava facilmente. Jamais um homem desse tamanho, perigoso assim, interessante assim, falou comigo.

Eu era humana, poxa.

- Não. - balancei a cabeça de novo, me apropriando de mim. - Não quero.

As palavras não eram tão confiantes quanto as dele. Afinal, rejeitar um Alcaida não era a coisa mais fácil a se fazer na vida, principalmente quando ele estava sem camisa bem diante de mim, com aquele perfume e um toque sutil do próprio cheiro natural.

- Não? - ele meio que deixou um sorrisinho puto aparecer, olhando pra fora e de volta para mim. - Pode crer, não insisto mais.

Eu sei que foi um erro o que falei, mas falei assim mesmo:

- Não é que eu não queira. - feito uma tola desesperada, conferi os fundos da loja, temendo que minha avó aparecesse.

Eu devia admitir que não queria perder a atenção dele definitivamente, mas também me sentia mal por pensar assim. 

Continuei:

- Não pense que estou fazendo charme. - Eu me preocupava muito em não ferir as pessoas.

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