18 - O que estou esperando?

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– Vamos parar ali pra eu comprar uma água. – Fabi diz, de cima de seu patinete motorizado, os cabelos sugados para trás. – Ou prefere caipirinha, Lia?

Penso em algo perspicaz para responder, mas JC é mais rápido:

– Acho que ela não vai querer. – Ele ri, à minha direita.

– Vou tomar energético, engraçadinhos. Vamos estacionar nesse quiosque ali da frente. – Mostro com o queixo.

Nós desaceleramos próximo a uma rampa. Subimos no calçadão guiando o meio de locomoção que alugamos por cinquenta reais numa barraca no início da orla. No balcão, JC compra cerveja, eu um Red Bull e Fabi uma água.

– Aaaah! – Ela geme após entornar meia garrafa. – Gente, vou dar um mergulho, tô morrendo de calor.

Ela me passa sua mochila e a água, depois corre para a areia, se livrando, no caminho, do chinelo e da regata laranja que cobria seu biquíni.

– Ali tem uma sombra. E um banco. – JC aponta.

É para lá que vamos.

Ontem esclarecemos nossas questões.
Quando o mandei embora, de um jeito não muito educado, ele quis saber a que se devia minha mudança. Mantive o sigilo da fonte, mas o confrontei.

Se ele não for um psicopata, daqueles que mentem friamente, a versão verdadeira é que ele namorava até pouco antes de a gente se conhecer. Sua ex não engolia muito bem essa história de "a fila anda". Questionava, criava caso e, se fosse ignorada, aparecia no portão dele para cobrar seus direitos.

Por ele, o relacionamento não tem volta. Eram tóxicos. Já a ficha dela, de que os dois não mais se faziam bem, só caiu após uma longa e franca conversa, que aconteceu três dias antes de sermos apresentados. Ele garante que não se falam mais. Disse que não a amava não era de hoje.

Analisando o contexto, entendi que Ninja poderia não saber da definitiva separação, já que era recente.

Sentados, deposito a mochila no espaço vago ao meu lado. JC volta a tocar nesse assunto. Olha para baixo; os óculos escuros deslizando no alto da cabeça.

– Eu não queria mais falar disso, Lia... só que, sinceramente, não entendo por que foram te contar sobre minha ex. Nada a ver, parece até que queriam me forjar.

O vento faz um punhado do meu cabelo grudar na minha boca. Eu os puxo e arrisco uma olhadela de lado.

– Pera... ainda tem um aqui. Licença. – Dizendo isso, ele puxou um fio dos meus cílios.

– Pronto. Melhor. – Voltou a erguer a cerveja aos lábios com um ar safado.

– É que ninguém sabia que vocês tinham chegado a um ponto final, eu acho. – Puxo a barra do shortinho que vesti por cima do biquíni verde-água.

Chegamos em Copacabana às dez e meia da manhã, de Uber. Fabi e eu trouxemos cangas e bonés para não ter de alugar guarda-sol nem cadeiras. Preferimos investir o dinheiro nos patinetes.

– Tu ficou chateada pela minha mãe não comentar nada? Ela não gostava muito da minha ex, é foda... parece querer me jogar em cima de alguém logo pra eu esquecer.

– Minha vó também não falou, então. – Dou de ombros, experimentando mais uma dose de energético geladinho. – Se eu ficasse brava com sua mãe, teria de ficar com ela e com a Fabi.

Limpei o energético que escorreu no meu queixo.

– Caralho, Lia. Tá complicado, hein? – Abaixou os olhos pra minha boca.

– Quê? – Perguntei, querendo rir.

– Me controlar.

Ele me deixava vaidosa, e confesso que eu adorava a sensação.

Fabi retornou, trazendo suas roupas, que recuperou no caminho.

Tirei o short, os chinelos e matei o resto de energético.

Deixamos ela cuidando das coisas e foi nossa vez de correr pela areia, atravessando a manada de guarda-sóis, cadeiras, cangas e pessoas.

Chegando no mar, pulei, abrindo os braços e me jogando de cabeça.

Afundei, emergi, limpei os olhos e respirei, com eles ainda fechados.

Passei as mãos nos cabelos. O sol acariciava meu rosto empastado de protetor. Eu me virei deliberadamente na direção dos raios quentes.

Senti mãos na minha cintura, um corpo bem perto, um perfume suave.

Abri os olhos.

JC era mais alto; no entanto, sua boca estava rente à minha, resvalando suavemente com hálito de cerveja.

Ele era gatinho; eu, solteira, precisando de alguém que minha família apoiasse, alguém que não oferecesse riscos. Ele era perfeito.

O que eu estava esperando?

Cruzei os braços atrás de sua nuca, fixando meu olhar no seu. Água escorria de seus cabelos.

Notei o quanto ele me queria. Não sabia nem o que fazer.

As ondas embalavam nós dois, a água aspergia em nossa pele. Mesmo o mar estando cheio de gente, me senti única ali. Ele me olhava como se eu fosse.

– Tentei esperar, mas não dá mais. – A voz se arrastava, quente. – Você é tão linda... – Segurou meu rosto e pressionou a testa na minha. – Tenho medo de te beijar e não conseguir mais controlar essa parada... tu não é qualquer uma. Eu soube quando te vi.

– O que nos impede? – Busquei a resposta nas entranhas de seus olhos. – E se eu te beijar?

Ele abaixou as pálpebras, a respiração difícil. Senti vergonha, porque tive certeza de que ele estava duro contra minha barriga.

– Faz o que você quiser. – Murmurou.

As palavras sugaram minha boca até a dele.

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