46 Guerreiro

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Eu não ia também entregar estar insegura sobre suas intenções ao me chamar pro quarto. Além disso, eu tinha essa coisa de não querer desagradar ninguém, nem mesmo quando esse alguém era o cara que queria me arrastar pro abate.

- Ah.... mas agora que o garoto coreano chegou? - Olhei rindo pro Ninja, o que fez o Alcaida rir muito também e descer o corpo de volta a água.

- Óh, não quero atrapalhar. - Ninja sacudiu os fios lisos.

- Já atrapalhou, seu corno do caralho. - Aron entrou na pilha, mas o que ele disse meio que me causou uma sensibilidade estranha na espinha.

Acabo de ficar em dúvida se realmente foi ruim ele me convidar pro seu quarto... Há um vendaval na minha cabeça e no coração. Quase falei o que não precisava ser dito antes do tempo ao Aron, pouco antes de o Ninja chegar. A única coisa bem resolvida pra mim, é o quanto quero ser beijada por ele mais vezes.

Não preciso ir abrindo as pernas, acho que posso me controlar, apesar de ter sentido que não em algumas vezes enquanto a gente se pegava.

Para me distrair do fogo consumidor que ainda está vivo entre minhas pernas, proponho ao Ninja uma corridinha pra ver quem nada mais rápido. Alcaida avisa que vai buscar toalhas e se retira da água, deixando " as crianças" brincando.

Ele era mesmo muito adulto pra aturar a gente. Ninja parecia a pior criatura para um homem tão centrado como o Alcaida. No entanto, o amor que os unia superava esses detalhes. 

A gente ficou se zoando e se derrubando do Flamingo. Alcaida estava demorando.

- Tão vamô ver quem é quem nessa porra. Tu tá se achando muito já, vou tirar essa sua marra na base do talento. Me chama de peixe, piranha! - ele me zoou com escarnio, vozinha de gay e trejeitos.

Joguei água em sua cara enquanto nos posicionávamos na extremidade da piscina, a parte mais funda, um pouco distante de onde eu estava sendo desviada do bom caminho POR VONTADE PRÓPRIA pelo Alcaida!

Jesus...

- Piranha não, seu made in China abusado! - meu tom cômico era igual ao dele. A gente berrava para ser ouvido, afinal, as caixas amplificadoras ampliavam mesmo; a música alta devia estar incomodando os poucos vizinhos. E ninguém podia reclamar.

- Olha, tu para com essa ousadia, garota! - empurrou minha cabeça na água. Me puxou de volta e, ainda imitando um gay, dava tapinhas na água, fazendo espirrar em mim. - Tá achando que só porque deu uns beijos no bofe tá com a coroa de rainha na cabeça, colega?!

Ele era o melhor de todos, me fazia rir como ninguém!

Eu amava essa loucura juvenil desse bandido/ moleque. Mas sua brincadeira me causou um breve desânimo.

- Que nada, Ninja... sei que essa coroa ai não vai vir pra minha cabeça nunca. - já que estávamos usando analogias, ele mais que depressa compreendeu o sentido do que eu disse.

A brincadeira deu uma pausa. Ele olhou pra porta da sala, antes de se aproximar, dando a entender que era um segredinho o que diria. Que Alcaida não poderia ouvir.

Estava louca para saber o que era e me aproximei, atenta, aguçando audição e visão, para o caso de precisar ler seus lábios.

- Papo nosso, hein, pirralha. Não vai abrir essa boca pra ele. - pediu, sempre espiando a porta. Fingi fechar um zíper invisível na minha boca, me abaixando até os ombros na água quente. Agora batia um vento tenebroso de gelado aqui em cima.

A luz da piscina transformava o japa num avatar azul, e o reflexo da água em seu rosto, causava um efeito legal.

- Alcaida não gosta de mulher no pé dele, tá ligada não? Acho que homem nenhum gosta dessa porra, é chatão. - retorceu o nariz. Ele era tão simples, maneiro, menino. - Eu mermo... mulher ficou de sarneação, dou logo o chá de sumiço. Mas ele não curte de jeito nenhum mina que manda mensagem toda hora, que liga toda hora, que bate... - olhei para trás quando ele fez um sinal com a sobrancelha. Alcaida estava na porta, falando ao celular.

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