11 Vindo das sombras

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- Que peixe, homem? Não quero peixe nenhum, sou nova aqui, só quero amigos. Ontem, achei que tinha um, ai hoje descubro que ele é um mentiroso, traidor. As meninas não me dão abertura, os caras até se aproximam, mas parecem só terem segundas intenções, e logo desaparecem. O que está acontecendo?

Desabafei, sentindo-me frustrada.
Não que nesse ambiente tivesse alguém que eu pudesse me relacionar...

- Minha bebida já era! – o canudo fez barulho quando chupei, com olhos de gatinho sofrido.

Ele riu, virando a aba do boné pra trás. Pôs na boca o cigarro de maconha, e o acendeu. Quando a fumaça saiu, palavras vieram junto:

- Essas minas devem tá se mordendo, tu é carne fresca, linda e fina igual jóia rara. Tu tá roubando a cena. E ninguém chegou em tu ainda, provavelmente porque geral respeita mulher que algum parceiro ta na intenção. Nós não é louco de atravessar o caminho dos amigo.

- Você acha? – dei uma passada de mão no meu cabelo soltinho e brilhante. Senti no meu pulso a presença do perfume Chance Chanel que ganhei do meu pai, e minha confiança pareceu ressuscitar.

Apesar de não ter intenção de conquistar ninguém especifico, não quis aparecer de qualquer jeito. Adorei a roupa que a Fabi escolheu, o salto, a maquiagem e estava adorando ouvir de um cara estranho aqueles elogios. Eu andava precisando.

- Estou pegável, Jotinha? – soltei, tão bêbada eu estava.

O mundo rodava feito um carrossel.

Ele arregalou os olhos, depois, um sorriso de rendição tomou forma em sua boca bonitinha.

- Eu não deveria falar, mas... – olhou rapidamente para o meu corpo . – tu é pegável pra caralho. Por que acha que vagabundo só chega na intenção? Tu é, da cabeça aos pés – seu olhar foi até meu pé, com unhas pintadas de preto. - ...literalmente pura delicadeza.

Sinto minhas bochechas chamuscarem.

- Pô, vai chover na tua horta, te prepara. — completou.

Quis abraçar ele.
Nem sei quanto tempo tinha que um homem solteiro não me elogiava assim.

- Você é solteiro, né? – verifiquei por via das duvidas.

Ele confirmou, então, para agradecer, saltei em seu pescoço.

- Tão fofinho... obrigada! – me sentia sua amiga, apesar de não conhece-lo direito.

- Puta que pariu, assim tu me fode, gatinha. – ele olhou para os lados, me descolando de si.

- Não posso beijar um bandido, meu pai me mataria. E imagino que você seja um, então... mas podemos ser amigos. – falei arrastado, e me ergui no peito do pé, encostando carinhosamente meus lábios em seu rosto.

Ele quase teve um infarto. Por que estava agindo assim?

Claro, eu estava bebada, chata e falando groselha.

— Desculpa. — pedi.

Pelos ombros, ele me afastou de novo, depois ergueu as mãos em rendição.

- Tu me deixa fraco desse jeito – embora demonstrasse medo, segurava o sorriso que queria aparecer, a cabeça de lado, me olhando torto. – Além de tudo, é cheirosa. – segurou o tecido da manga da camisa com dois dedos e levou ao nariz. – Teu perfume ficou em mim. — esfregou o rosto. — Mano, dependendo de quem estiver na tua visão, posso perder minha cabeça nessa brincadeira. E o pior? Perderia sorrindo, porque essa tua carinha ai, vou te falar...

Baixou os olhos.

— Melhor eu me adiantar. Tu parece aquelas sereias que hipnotiza só de olhar. Coé... – cheirou de novo a blusa. – Sou de ferro não, tô fora de caô.

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