12 - Não sou seu tipo

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O que eu respondo?

Humilhação pouca é bobagem.

Agora ele viu a pirralhinha tentando sensualizar e está tirando onda.

Preciso pensar numa boa resposta, e já sei o que!

Pisco os cílios da maneira mais inocente que consigo, juntando as mãos em frente ao corpo.

- O 'senhor' me desculpa, achei que estava sozinha aqui. Vou descer e procurar minha amiga pra ir embora. – disse debochada.

Fui me retirando, mas sua voz me paralisou: 

- E o que a 'mocinha' faz num lugar destes? Não é lugar pra tu.

Ele falou de propósito, zombando.
Me irritou pensar que poderia mesmo me achar infantil.

- Eu tenho quase vinte anos! – rosnei entredentes, o fuzilando. – Da pra parar de me chamar de mocinha?

Sem demonstrar sentimentos  – o que já estava se tornando irritante – ele arrancou um isqueiro do bolso e enfiou a ponta de um cigarro de maconha entre os lábios. Quando riscou, o fogo fez seus olhos parecerem duas poças d'agua. Com uma paciência inquietante, enfiou o isqueiro no bolso da calça escura – combinando perfeitamente com a blusa preta – e uma bola de fumaça saiu de sua boca, se espalhando diante de seus olhos.

- Como eu dizia, muito nova pra ta num lugar como este. Só tem vagabundo e piranha aqui... não acho que tua avó gostaria de saber que a neta frequenta esse tipo de ambiente. – ele parecia tecer as palavras, tamanha a calma com que as pronunciava.

- Sim, senhor. Por isso estou me despedindo para ir embora. Adeus.

Eu poderia dizer que não era da conta dele, mas não quis ser grossa.

- Já entendi que tu não gostou de ser chamada de mocinha. – ele disse, num tom risonho. – Foi mal... não quis te ofender.

Apoiei as duas mãos de cada lado do quadril e virei, arrebitando o queixo.

- É, não gostei. – tirando nervosamente as mãos de onde estavam, cruzei os braços. – Me senti uma pirralha.

- E eu me sinto um velho quando tu me chama de senhor. – um quase sorriso surgiu no canto de sua boca. – Muitos anos de cadeia acabam com qualquer um. Mas não acho que eu esteja tão ruim assim.  – alisou a lateral do rosto, parecendo, por um segundo, inseguro.  Devia ser impressão. O homem está longe de estar " tão ruim assim". E caras como ele não se sentem inseguros perto de uma garota como eu.

Acabei andando até o sofá, esticando a mão para ele.

- Ta bem, vamos começar de novo. Estamos quites agora.

Ele manteve o cigarro na boca e embrulhou a minha mão com a sua, como fez da primeira vez. Um toque firme. Eletrizante. Me olhava penetrantemente.

Sendo honesta, o sujeito era uma explosão, me deixava oprimida.

- Jaé. – disse, naturalmente charmoso. Nem se esforçava.

Diferente do marasmo que sentia com garotos da minha idade, estar sendo observada por um cara mais velho, liberava uma porção de sensações que eu não queria nem tentar entender. Adrenalina era uma delas.

- Muito bem, está vendo? Não dói. – brinquei, tirando minha mão. – Se importa se eu descalçar minhas sandálias? Meus pés estão esmagados.

- Não, ta maluca? Pode fazer o que quiser.

Bufando de dor nos dedos, cai ao lado dele, erguendo um pouco o pé direito e me curvando para desabotoar. Não ia ficar aqui fingindo ser o que eu não era.

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