CAPÍTULO 30

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ANA

Tomei uma decisão que agora me parece um pouco impulsiva, mas era um risco que precisava correr.

Precisava dar esse voto de confiança no Dante para saber se valeria a pena ou não essa coisa toda que rolava entre nós.

Quer dizer, ele sonhava comigo.
Isso significa alguma coisa, não?

E tirando aquele primeiro momento, ele quase nunca era um completo babaca comigo. Parecia tentar chegar perto de alguma forma, estar presente...

Fora que eu podia me arriscar ainda mais e quebrar a cara. Minha irmã não estava conseguindo mais nada porque apesar de todos falarem por aqui, eles pareciam mais reservados sobre algumas coisas. O detetive continuava desaparecido. E tínhamos um tempo limitado para tentar resolver isso antes de termos de voltar para nossas vidas.

— Você acha que foi uma boa decisão? Contar tudo pra ele? – Minha irmã murmura do meu lado enquanto observávamos Dante olhando os documentos e tudo que tínhamos até agora.

Dei de ombros.

— Era uma aposta que eu pensei que estava certa em correr. Com o tempo saberemos se foi uma idiotice completa ou não.

Minha irmã volta a me olhar com atenção e eu fujo do seu olhar. Se tem alguém que me conhece melhor do que eu mesma, é a Sara.

— Vocês se pegaram não é? Você não é de assumir riscos, é toda controlada e tem até o plano Z para
tudo.

— Fala baixo. – Peço rosnando baixinho. — E isso não tem nada a ver com eu te contado pra ele. Acho que depois que ele me disse que sonhou comigo, foi como se...

Não consegui terminar. Tinha mexido muito comigo só de lembrar quando ele falou isso. Era uma conexão maior que a vida, uma conexão maior que tudo que podíamos compreender.

Sara foi compreensiva e educada com o Dante quando eu os apresentei, mesmo ela sabendo de toda a treta do passado, se eu tinha trago ele ali, ela sabia que seria importante. Não denunciaríamos nossa presença naquela cidade pra qualquer um assim.

— Isso é tudo parece enredo de filme. É tão louco e ao mesmo tempo tão real porque aconteceu. Eu sinto isso e você também sente. – Dante fala enquanto segura a pasta fechada com tudo que tínhamos do detetive.  – É uma saudade sem explicação. Uma vontade de estar perto, de conhecer você melhor... eu soube no momento em que pus os olhos me você, Ana.

Ele dizer aquelas coisas sem vergonha nenhuma da minha irmã estar ali presente me deixou toda quente por dentro. E envergonhada porque ele tinha despertado tudo isso em mim também. Nunca liguei muito para relacionamentos amorosos, sempre fui na minha e gostava da minha independência. Se tinha vontade de sexo, era fácil encontrar alguém disposto.

Mas com o Dante... era loucura. Era mais forte que tudo e ao mesmo tempo nunca conseguia entender se era eu ou Adanna. Entretanto agora, olhando nos olhos dele, sabia que era eu.

Eu estava gostando do Dante em uma velocidade aterrorizante. Tudo nele se impregnava em mim de maneira alarmante.

— Bem, depois dessa linda declaração, eu vou descer e comer alguma coisa. Deixar os pombinhos destinados a sós. – Minha irmã brinca e eu queria dizer pra ela ficar ali, não me abandonar enquanto sentia tudo aquilo.

Não gostava de lidar com as minhas emoções assim tão de perto porque elas me fazem lembrar de uma época em que eu tinha ninguém. Em que minhas emoções estavam por todo lugar e eu não tinha controle.

Eu odiava perder o controle.

E era isso que eu sentia escorregando de mim agora, enquanto minha irmã saia do quarto e Dante me encarava como se eu fosse tudo.

Ele levanta e coloca as mãos no meu rosto, afastando meu cabelo e me acarinhando, com um sorriso no rosto.

— Você sente isso não sente? Vou te ajudar a descobrir tudo isso, não por nós, mas por você e porque eu quero conhecer você, Ana. Quero conhecer você melhor e quero a chance que você me conheça também como Dante de agora, não pensando que temos só uma conexão de tempos. Você quer isso?

— Eu quero. Quero saber da minha história e me entender, Dante. Entender meu lugar nessa bagunça toda que me virou do avesso. Eu não sei se posso começar algo agora enquanto tenho que descobrir isso.

Ele volta a sorrir, antes de depositar um beijo na minha testa.

— Relaxa, eu vou te ajudar durante todo o processo, mas antes, preciso que você me mostre uma última coisa.

— O que? – Finalmente tomando a coragem que nem sabia que tinha e tocando ele novamente, segurando suas mãos no meu rosto.

— Preciso que me mostre o diário de Adanna. Acho que precisamos terminar ele juntos. Acho que é por isso que você não terminou ele ainda, porque você sabe o que está por vir nele.

Ele tinha razão.

Era algo que eu ainda não queria verbalizar pra mim mesma porque essa era a verdade. Eu estava com medo de terminar de ler sobre uma coisa que aconteceu a tempos atrás. Um acontecimento que eu não poderia mudar. E mesmo assim, minha mão suava só de pensar em terminar aquele diário.

Era como se os vestígios do sonho viessem novamente, rastejando até a minha mente.

CORRA!

Corra, Adanna! Corra!

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