CAPÍTULO 34

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ANA

Eu estava nervosa.

Essa parecia ser minha constante forma de estar ultimamente. Estava nervosa só de pensar no que poderia acontecer.

Dante estava dirigindo e eu estava na frente com ele. Minha irmã e o detetive Davi estavam atrás.

Ele havia chego cedo e trouxe sua filha com ele. Depois de tudo que ouvimos ontem, eu disse que ficaria bem com a minha irmã e que ele fosse ficar com sua filha. Dona Agatha olharia ela para nós hoje.

Tecnicamente eu deveria estar trabalhando e sabíamos que a mãe dele e os empregados da família poderiam olhar a Maya, mas após tudo que descobrimos, Dante ficou extremamente desconfiado de qualquer um da família dele.

E eu não posso dizer que tiro a razão dele, afinal, a família o enganou por muito tempo.

Meu Dante – agora me sentia livre parar pensar assim, depois dessa virada de trezentos e sessenta na nossa vida - estava com a mão na minha coxa e eu com a mão por cima. Tínhamos nossos dedos entrelaçados e as perguntas em nossas mentes.

Me sentia pronta e ao mesmo tempo não. O que eu encontraria ali, talvez me deixasse mais triste. Talvez não seja uma resposta pra mim, mas pra Adanna.

E se eu achasse a minha família biológica lá? E se eles me explicassem o motivo de terem me largado? E se isso me quebrasse mais do que consertasse?

Tem anos que não pensava sobre minha família biológica. Eu sempre tinha um questionamento do "por que?" no fundo da minha mente. Mas depois de ser adotada, eu comecei a ignorar essa resposta porque sabia que a família que eu havia conquistado, já preenchia grande parte de mim.

Porém, minha mãe viu algo que eu mesma não via. Porque ela foi atrás por mim. Ela sabia que talvez eu não tivesse a coragem ou medo. Medo do que eu descobriria.

Mas agora não dava mais pra fugir.

Deixei minha mente vagar para as várias opções que faria depois disso tudo. A primeira coisa com toda certeza era tirar um tempo só meu com o Dante. Podíamos levar a Maya também, ela faria parte de cada momento nosso dali por diante.

E o sentimento que eu tinha por ela... era interessante como nossas vidas entrelaçavam até nisso. Em como o sentimento que eu tinha por ela me fazia o tempo todo lembrar da filha de Adanna.

Nunca soube se era menina ou menino, mas tinha aquele sentimento de que ela sabia que era uma menina. Uma menina linda, mistura perfeita dos dois.

Como a Maya.

Tinha me dispersado tanto do pensamento que quando dei por mim, a paisagem se tornou só verde e mais distante. Não vi quase população alguma e estava indo devagar agora.

— Tem certeza que esse é o caminho? – Dante pergunta ao detetive que balança a cabeça confirmando.

— Vamos parar aqui e seguir o resto do caminho a pé.

Estacionamos e descemos do carro, seguindo a direção do detetive.

Podia sentir minha mão suando frio e o nervosismo agora tomando conta de mim.

— Mana, seja o que for que descobrirmos lá, saiba que estaremos com você a todo instante. Você não está sozinha nessa. – Minha irmã diz e depois aperta a minha mão com carinho.

Eu seguro a sua apertado. A outra está entrelaçada com o Dante.

Parecia que uma vida havia se passado desde que nos beijamos na chuva até agora. Um turbilhão de revelações que nos deixaram zonzos.

Caminhamos pela floresta no que pareceram trinta minutos, quando eu começo a ouvir risos, e ver vislumbres de moradia por entre a vegetação da floresta.

Quilombo Mwale.

Podia sentir uma energia diferente correndo por entre meus dedos. Me percorria por inteira até o fio dos cabelos.

Sabia então no meu íntimo que havia encontrado não só a casa da Adanna, mas a minha também.

— Quem são vocês? – Uma mulher negra de aparentemente cinquenta - talvez sessenta - anos nos pergunta.

Nem havia escutado barulho algum na mata quando ela apareceu na nossa frente, altiva, linda, com os dreads todos no mais bonito tom de cinza. 

Ela tinha algo nos olhos...

Nos encaramos por um breve segundo antes dos olhos dela se arregalarem de espanto e talvez um pouco de alívio?

— Adanna? Adanna! Finalmente! — Ela se aproxima de mim e estava perto de me abraçar até que Dante entre na frente dela.

— Quem é você? Por que chama ela de Adanna? - Ele pergunta com aquela voz de barítono dele e eu permito me deixar derreter um pouco antes de me endireitar.

A senhora olha para ele com uma pequena careta antes de dar de ombros.

— Não importa. O que vieram fazer aqui? – Ela diz isso enquanto me encara com aqueles olhos que parecem duas jabuticabas que parecem ter o poder de desvendar todos os meus mistérios.

Saio de trás do Dante tendo consciência que eu precisava tomar as rédeas da minha própria situação.

— Eu vim saber sobre a Adanna e sei que vocês vão me dizer. Não vamos sair daqui enquanto não descobrimos tudo.

A mulher me encara por um tempo e eu mantenho meu olhar firme e segurando o dela sabendo que eu precisava agora provar para aquela pessoa que eu não arredaria o pé dali.

Não até saber toda a verdade.

Ela suspira antes de dar de ombros de forma casual.

— Acho que está na hora mesmo, finalmente está na hora dessa história acabar.

Eu aceno em concordância.

Ela se vira como se fosse para que a seguíssemos, quando ela para do nada e se vira chocando tudo dentro de mim.

— Ah, acho que já posso revelar que sou sua tia.

Tia?

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Perdão pela demora, já estou escrevendo os próximos 🥲.

ENFIM, LIBERTAHistórias para pegar e não largar. Descubra agora