CAPÍTULO 12

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Hoje é dia do escritor e o presente é de vocês!
Obrigada por sempre me apoiarem nas minhas loucuras.
Amo vocês! ❤️

ANA

— Que história é essa, Sara? Não tenho como ser babá, como vou pesquisar? Como vou...

Ela me para acenando em minha direção com uma mão.

— Tenho tudo coberto. Ser babá da filha dele vai te deixar bem perto da família e você vai poder espionar de dentro. Fora que enquanto você estiver dentro do seio familiar tentando descobrir coisas, vou estar por fora, procurando aqui e ali.

Minha vontade era de esganar minha irmã.

— Por que você não podia ser a babá e eu fazer o trabalho de descobrir aqui e ali?

— Porque você tem mais desenvoltura com crianças do que eu. Você era durona no orfanato, mas era como uma irmã mais velha para todos ali. Aconselhava, cuidava, ensinava e tinha paciência.

Paro um momento para pensar nisso. Realmente, eu tinha sim mais jeito com crianças, e talvez fosse bom mesmo estar no meio daquela família para saber mais.

Saber mais do Dante.

Não! Não quero saber daquele cara. Não preciso saber dele. Pelo amor de Deus, ele aparentemente tinha uma noiva!

O gosto amargo vem na minha boca ao lembrar da noiva dele. Era apenas uma especulação da mídia, como eu era do meio, sabia como essas fofocas funcionavam.

Poderia até ter usado algumas das minhas fontes para pesquisar dessa história toda, mas algo tão antigo assim, algo que me cheirava a perigoso, era melhor ficar só entre nós.

— Tá bom. – Aceito já resignada. — Quando é a entrevista?

Minha irmã olha o horário no painel antes de me chocar pra caramba.

— Amanhã. Então hoje vamos chegar em Diamanteira na pousada, nos instalarmos e depois bolar suas falas para a entrevista.

— SARA! Não sei se te esgano agora e me arrisco a morte certa porque está dirigindo ou espero minha vez de dirigir e passar por cima de você com o carro!

Minha louca irmã revira os olhos pra mim.

— Fala sério, você fala que sou a dramática quando na verdade a dramática é você! Uma simples entrevista que você precisa dar o seu melhor. O bom é que já trabalhou como babá quando adolescente, era ótima com os pequenos no orfanato.

— Mana, eu trabalho numa editora hoje em dia. Trabalho com livros, com edições, com autores e não com crianças.

— Detalhes simples que sei que você resolve. E já mandei um ótimo currículo também, então melhor gravar ele bem se fizerem perguntas.

Sabia que a ideia era muito arriscada e provavelmente louca, porque não era certo envolver uma inocente nisso tudo, mas lá no fundo sabia que era importante que uma de nós estivesse dentro da casa, perto da família.

Apertei o relicário que repousava nos meus seios tampados pela blusa verde de manga longa que eu usava.

— Será que foi bom termos mantido nossos dados verdadeiros? Talvez seria melhor se fôssemos disfarçadas... não sei, alguém pode saber da gente.

— Queria poder dizer algo espirituoso do tipo que era pra pararmos de neura, mas depois da ligação do investigador e essa conexão estranha e sem explicação com uma família milionária... tudo é possível. Mas não acha que saberíamos?

Balanço a cabeça tendo razão.

— É, mamãe sempre prezou muito pela nossa segurança e tinha tudo de ponta. Certeza que se estivéssemos em algum tipo de perigo, ela teria nos tirado dali rapidamente.

— Exatamente!

— Enquanto ficamos lá, vamos continuar tentando entrar em contato com o Davi Pinheiros. Ele deve saber mais coisas e precisamos do conhecimento dele nessa área.

Era viagem louca, uma iniciativa talvez falha de tentar descobrir mais sobre mim mesma e quem eu sou.

— Mana... pensamos tanto nisso que nem perguntei como você está com tudo isso. Foram dias difíceis para nós duas. Tempos difíceis demais. – Falo.

A morte da mamãe.

O investigador.

A história da irmã da mamãe.

A verdadeira mãe da minha irmã.

Minha possível história e família...

Tudo isso era muito e as vezes me sentia confusa e sufocada por tanta coisa. Sempre senti uma solidão, uma falta... e desde que essa história toda começou, sentia algo quase como borbulhando dentro de mim. Algo que me energizava e fazia com que ninhas mãos tremessem.

Sabia o que era, esperança.

Era um sentimento que odiava porque me tornava frágil a decepção que a vida as vezes me apresentava.

E não queria que minha irmã se sentisse como eu.

Sara era minha melhor amiga. A irmã que eu escolhi como família.

— Não vou negar que não foi um baque descobrir tudo isso. Ainda é difícil acordar às vezes e me dar conta de tudo que descobrimos, mas também acho que precisávamos dessa distração e isso veio numa hora boa. Mesmo que seja pra investigar algo potencialmente perigoso. – Ela termina com um pequeno sorriso maroto que eu devolvo.

— Algo potencialmente perigoso que é a palavra chave.

— Sei que você pode sentir isso, mana. Essa sensação de que nossas vidas mudaram e vão continuar mudando de maneira significativa.

Dou mais um aperto no relicário antes de olhar para ela.

— Ela já mudou, mana. Mas sinto que estamos prontas pra tudo.

Ela solta uma das mãos do volante e levanta o dedo mindinho pra mim.

— Uma por todas...

— E todas por uma. – Respondo antes de enlaçar meu dedo no dela. Éramos uma unidade desde novas, e quando nossa mãe chegou, ela só somou e nos fazia sempre prometer isso.

Que não importava o que, não importava onde ou como, sempre que uma precisasse, a outra estaria lá.

Uma por todas e todas por uma.

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ENFIM, LIBERTAHistórias para pegar e não largar. Descubra agora