ANA
— Ricos realmente sabem dar uma festa, hein? – Minha irmã pergunta enquanto olhamos toda a opulência da festa.
Uma decoração belíssima de dourado se espalhava por todas as direções. Chegamos com o buffet e o resto do pessoal. Ainda estavam arrumando tudo, mas só que estamos vendo já era lindo o suficiente.
— Ricos sabem esbanjar. Bem, mais nem todos tem bom gosto. – Respondo baixinho.
Estávamos carregando caixas para dentro da mansão. Não foi fácil voltar aqui e passar despercebida, mas tentei me camuflar colocando um óculos falso, lentes de contato, um aparelho falso e uma maquiagem diferente. Meu cabelo estava tampado por uma touca, mas mesmo assim, coloquei uma peruca por via das dúvidas.
Todo cuidado era pouco aqui.
— Tanto dinheiro esbanjado que foi conquistado por outros que nunca chegaram nem a usufruir dez porcento. Sabe como esse dinheiro mudaria a vida do pessoal do quilombo? Como mudaria a vida da própria Adanna?
Rosa pega na minha mão e aperta.
— É por todos eles que estamos aqui hoje. Tentar conseguir justiça para aqueles que não tem voz, ou que tiveram suas vozes silenciadas.
— Para liberta-los. – Digo baixinho com convicção.
— Isso aí, para liberta-los. – Minha irmã concordou.
*
Tive que dar o braço a torcer, se antes quando chegamos estava tudo maravilhoso, agora, horas depois com tudo pronto, estava impecável.
Era incrível pensar que eu em pouco tempo já conhecia cada canto dali e o que antes via com opulência, agora via uma máscara.
Cada canto daquela casa, cada espaço... escondia um segredo sórdido.
Começamos a circular com as bandejas assim que nos deram o sinal. Canapés, caviar, bruschettas, champanhe francês... tudo da melhor qualidade.
Dante estava lindo. Já tinha visto ele com roupas formais em fotos da internet e um estilo casual quando chegava da empresa, mas assim, ao vivo... era arrebatador.
Ele não tinha me visto ainda, mas estava pra lá e pra cá, então sabia que estava me procurando e provavelmente preocupado.
Quando mais pessoas começaram a chegar, mais garçons continuavam a circular com bandejas e eu pude finalmente xeretar por ali.
Olhei para todos os lados antes de começar a vasculhar. Minha irmã iria para o segundo andar e eu tentaria no primeiro. Dante estaria a postos para criar uma distração se necessário, o que provavelmente seria, se alguém de repente fosse circular por onde estávamos.
Entrei no escritório que era do pai do Dante. O mesmo que fui entrevistada pela mãe dele quando tudo isso começou. Quem diria que era possível que as respostas estivessem aqui? É bem, era sempre no escritório que tudo ficava escondido nas novelas, não é mesmo?
Comecei a vasculhar cada cantinho tentando fazer o mínimo de barulho possível e não mexer em nada que deixasse fora do lugar.
Eu estava retirando um dos livros da prateleira imensa, quando senti um desses livros muito leves.
Não podia ser tão fácil assim...
Mas talvez seja. Ou talvez seja minha mãe olhando por nós. Junto com a Adanna.
Abri o livro e contaste o que eles um daqueles livros falsos, com um fundo falso.
Podia me sentir tremer quando vi um papel de aspecto antigo protegido por uma espécie de plástico. Era isso. Estava plastificado para preservar a integridade do papel, mas... pra que? Não seria mais fácil queimar qualquer evidência? Havia isso lá e um saquinho antigo com algo dentro. Mesmo tremendo por dentro, me concentrei para ler o papel.
"Eu, Dante Aurélio Lombardi, escrevo em pleno funcionamento das capacidades mentais esse testamento, deixando tudo o que eu tenho para a comunidade da minha amada Adanna, o quilombo Mwale.
Que eles possam ser livres como eu sempre quis que Adanna fosse.
Assinado,
Dante A. LOMBARDI"
Era isso.
Tinha mais coisas escritas e tinha a assinatura de mais duas pessoas. Advogados talvez? Pena que todos já estivessem mortos para corroborar com tudo.
Eu estava prestes a olhar o conteúdo do saquinho quando escutei uma movimentação lá de fora. Tirei tudo de dentro do livro, botei por dentro do avental e procurei algum lugar para me esconder.
Até que... lembrei da janela. Ali era o primeiro andar, não ia ser uma queda tão ruim, já sabia disso.
Não pensando muito, abro a janela e me jogo dali mesmo.
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Mais três capítulos pro final
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ENFIM, LIBERTA
RomanceSINOPSE: Ana sempre sentiu um vazio, uma desconexão com o mundo desde criança. Ela foi abandonada quando bebê na porta de um orfanato e adotada aos doze junto com sua irmã de coração. Mesmo assim, ela se sentia estranha. Esse vazio só aumenta quando...
