CAPÍTULO 44

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ANA

— Pronto, agora estamos finalmente sozinhos e longe de tudo. Podemos conversar em paz. – Digo para o Dante assim que ficamos no quarto.

Ele sentou na ponta da cama e se deixou jogar o resto do corpo na cama, como se estivesse exausto.

— Eu estou extremamente exausto, você não está?   Fico feliz de ter te conhecido, feliz por termos nos esbarrado nesse mundo louco, mas nossa, todo dia... todo dia parece que fico cada vez mais exausto com tudo isso.

Rio de escárnio baixinho.

— Bem-vindo ao meu mundo desde que nasci. Um mundo caótico e cheio de descobertas a todo momento.

Caminho até a poltrona que ficava ali no canto com uma mesa com uma jarra com água e uns petiscos em um prato. Frutas cortadas, algumas torradas e geleias.

Não sentei do lado dele porque sabia que precisávamos conversar sério dessa vez.

— Hoje descobri uma coisa horrível sobre a minha família e não sei ao certo como isso vai ferrar ainda mais nosso relacionamento. — Ele começa, antes de me encarar, sério. — Meu pai chegou e eu ouvi ele conversando com a minha mãe. Minha família sempre soube que na realidade, quando Dante criou a empresa, Adanna ainda estava viva. O negócio da minha família é uma criação dos dois que foi apagada. A Adanna e o filho deles teria direito, a família dela teria direito a tudo... e a minha tirou isso deles. Tirou de vocês.

Senti meu peito doendo e não aguentei mais, me aproximei dele e peguei na sua mão.

Dante me olhava com os olhos cheios de lágrimas e me senti pior. Eu descobria o quanto minha família sofreu, mas ele descobria o quanto a família dele infligiu dor da forma mais sórdida possível.

Ele amava a família, e saber tanta podridão... saber que aqueles que ele amava tanto fizeram tantas coisas ruins... isso devia destruí-lo.

Peguei na mão dele e levei até a minha boca, dando um beijo de leve e tentando mostrar que eu estava aqui. Que podia contar comigo.

Dante levou a mão que não estava na minha até o meu rosto, o tocando gentilmente e com cuidado. O toque dele me fazia arrepiar por completo. Podia ser uma leve carícia, mas nossa conexão era tão intensa que eu sentia aquele simples toque por todo o meu corpo.

Não sabia ao certo quando começamos a nos aproximar, mas logo seu rosto estava mais perto do meu e vice-versa.

Logo sua boca estava na minha, e estávamos ambos entrelaçados. Presos em um beijo cheio de paixão, saudade, tesão e vontade. Era loucura como um homem que em tão pouco tempo eu conhecia, eu tinha essa saudade louca, esse desejo de estar sempre perto.

Era praticamente inexplicável.

Cada toque que trocávamos, cada beijo, cada vez que sua boca descia até o meu pescoço e voltava com carícias cada vez mais intensas me fez esquecer de tudo e me entregar.

Me entregar aquele momento de nós dois.

Quando menos percebi, minha roupa e a dele tinha ido embora. Ele me tocava como se eu fosse a coisa mais preciosa da vida dele, e em troca, eu o tocava como se não pudesse ter o suficiente.

E não tinha.

Quando Dante me tocou pela primeira vez lá, eu não consegui segurar os gemidos. Não conseguia me controlar.

— Eu não consigo ter o suficiente de você. – Dante sussurrou enquanto arrastava sua mão lentamente pelo meu corpo. — Só quero mais e mais... – Ele repetia baixinho depois de mordiscar minha orelha.

Puxo seu rosto em minha direção e o beijo, querendo ainda mais contato.

Logo estávamos mais entrelaçados do que antes. Pele com pele, toques cada vez mais urgentes até que não aguentamos mais e nos tornamos um. Como era pra ser, desde o começo.

Cada investida do seu corpo no meu era vigorosa, com paixão, com vontade.

Quando chegamos ao clímax, juntos, só sabia ficar feliz. Era como se uma felicidade me inundasse por inteiro. O abracei com força e ele retribuiu.

— Não era assim que eu queria que fosse a nossa primeira vez. Queria que tivéssemos mais tempo, um lugar romântico e principalmente sem um grande problema ancestral na nossa cola.

Estávamos deitados, enrolados um no outro e eu com a cabeça no seu peito, descansando ali.

— Acho que foi perfeito, e bem, e eu gosto com emoção mesmo. O problema ancestral vai continuar ali de qualquer forma.

Ele suspira enquanto brinca com meus cachos.

— Isso é verdade.

Ficamos assim mais um tempo até que acabo dormindo. Talvez a exaustão de mais acontecimentos e a nossa tarde tenham me afetado mais que pensei.

E foi assim que mais uma vez me vi presa em um sonho.

Estava escuro, muito escuro.

Estava frio também.

Deus, fazia tanto frio.

Não conseguia me mover, era difícil até conseguir levantar um único dedo. Estava tão machucada...

Por que doía tanto?

Podia sentir meu corpo deitado lá, esquecido, largado... mas em paz.

Finalmente estava em paz.

Liberta.

ENFIM, LIBERTAHistórias para pegar e não largar. Descubra agora